sexta-feira, 3 de outubro de 2014
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Há dias para tudo... Quem tem filhos, tem cadilhos; quem os não tem, cadilhos tem...
1-10-2014 18:34
Dia Internacional do Idoso – uma reflexão com base empírica
Dia Internacional do Idoso – uma reflexão com base empírica
O que é ser idoso? Oficialmente, é ter atingido os 65 anos, talvez agora passe aos 67, com as novas regras de aposentação.
Ser idoso é ser olhado com desconfiança, como um tropeço que atrasa a marcha ou um empecilho que atravanca o corredor.
O idoso, em princípio, atingiu a idade da reforma, se é trabalhador dependente. Se não a reclamar, é considerado indesejável, porque está a tirar o lugar aos novos, em tempos de trabalho escasso. Se aceitar a sua condição de idoso e se aposentar, olhá-lo-ão de soslaio, porque está a roubar o futuro às novas gerações, sonegando-lhes proventos do erário público com a despesa da sua pensão e obviando à sustentabilidade do Estado.
O idoso é um peso. O idoso é um corpo estranho numa sociedade de jovens atléticos, saudáveis, empreendedores, dinâmicos, tecnológicos até ao âmago das suas entranhas (não podemos dizer alma, porque é uma palavra idosa; também não será conveniente dizer mente, porque a mens pressupõe algo que lhes falta; e espírito parece igualmente descabido, já que é assim uma coisa etérea, volátil, indefinível).
O idoso decente e imbuído de consciência cívica, faleceria na semana subsequente à reforma da vida activa. Desta feita se evitaria até o dispêndio de tempo e recursos que representam o cálculo da reforma/pensão e o pagamento da espórtula dos acertos, sempre diferidos na data do vencimento da mesma.
O idoso é aquela cadeira em desuso que se vai procurar ao sótão ou aos arrumos, em alturas festivas, porque faz parte da decoração.
O idoso não tem nome, é designado por sexagenário, septuagenário, octogenário… (decididamente, este já devia estar fora de circulação), quando atropelado na passadeira. Os semáforos estão temporizados para gente desempenada, na força da vida.
Em meio hospitalar, o idoso é designado como sendo o da cama x, na enfermaria y. Às vezes acontece serem trocados, de tal maneira se parecem o raio dos idosos.
O idoso é aquele corpo curvado de rosto curtido e mãos nodosas que amanham o terrunho e cultivam amorosamente hortas onde crescem mimos que fazem chegar à mesa de filhos citadinos e outros a quem devem obrigações. Os idosos estão sempre em obrigação a alguém, do médico ao farmacêutico, da assistente social ao funcionário da Junta, do pároco ao motorista da carreira e por aí fora.
O idoso, quando em bando, constitui-se como um figurante aceitável em campanhas eleitorais; também será uma matéria-prima não desprezável para operadores turísticos em época baixa; também pode utilizar-se como um indicador estatístico susceptível de captação de fundos, em determinados contextos. O idoso pode revelar-se ainda como objecto de curiosidade em algumas reportagens, quando outros temas escasseiem.
Como hoje é dia dos idosos, eu, que faço parte da peste grisalha, apresento aos meus pares um manual de boas práticas.
Regra 1ª Ser discreto e parcimonioso nos actos, nas palavras e nos gestos;
Regra 2ª Nunca telefonar a horas inconvenientes (solicitar predefinição horária) nem com elevada frequência;
Regra 3ª Nunca aparecer de surpresa em casa de familiares;
Regra 4ª A visita programada deve ser curta e revelar autonomia de deslocação;
Regra 5ª Evitar em absoluto referência a dificuldades e queixas de saúde;
Regra 6ª Aparentar sempre boa disposição e um inabalável optimismo;
Regra 7ª Abster-se totalmente de ser opinativo. Ainda quando solicitada, a sua opinião virar-se-á contra si em qualquer ocasião posterior;
Regra 8ª Procurar ser útil de qualquer forma, quanto mais não seja a enxotar as moscas ao cão;
Regra 9ª Em ocasião festiva, oferecer-se para ficar na mesa das crianças;
Regra 10ª Apresentar-se sempre impecavelmente limpo e aprumado, com distinção e elegância, mas sem ostentação nem extravagância;
Regra 11ª Fazer-se desentendido ou surdo, em casos de dissidência;
Regra 12ª Nunca fazer apelo à memória.
Nota: estas regras não se aplicam a idosos de grandes posses ou que detenham poder ou pertençam a vários conselhos de administração.
@Helena Carvalho
Ser idoso é ser olhado com desconfiança, como um tropeço que atrasa a marcha ou um empecilho que atravanca o corredor.
O idoso, em princípio, atingiu a idade da reforma, se é trabalhador dependente. Se não a reclamar, é considerado indesejável, porque está a tirar o lugar aos novos, em tempos de trabalho escasso. Se aceitar a sua condição de idoso e se aposentar, olhá-lo-ão de soslaio, porque está a roubar o futuro às novas gerações, sonegando-lhes proventos do erário público com a despesa da sua pensão e obviando à sustentabilidade do Estado.
O idoso é um peso. O idoso é um corpo estranho numa sociedade de jovens atléticos, saudáveis, empreendedores, dinâmicos, tecnológicos até ao âmago das suas entranhas (não podemos dizer alma, porque é uma palavra idosa; também não será conveniente dizer mente, porque a mens pressupõe algo que lhes falta; e espírito parece igualmente descabido, já que é assim uma coisa etérea, volátil, indefinível).
O idoso decente e imbuído de consciência cívica, faleceria na semana subsequente à reforma da vida activa. Desta feita se evitaria até o dispêndio de tempo e recursos que representam o cálculo da reforma/pensão e o pagamento da espórtula dos acertos, sempre diferidos na data do vencimento da mesma.
O idoso é aquela cadeira em desuso que se vai procurar ao sótão ou aos arrumos, em alturas festivas, porque faz parte da decoração.
O idoso não tem nome, é designado por sexagenário, septuagenário, octogenário… (decididamente, este já devia estar fora de circulação), quando atropelado na passadeira. Os semáforos estão temporizados para gente desempenada, na força da vida.
Em meio hospitalar, o idoso é designado como sendo o da cama x, na enfermaria y. Às vezes acontece serem trocados, de tal maneira se parecem o raio dos idosos.
O idoso é aquele corpo curvado de rosto curtido e mãos nodosas que amanham o terrunho e cultivam amorosamente hortas onde crescem mimos que fazem chegar à mesa de filhos citadinos e outros a quem devem obrigações. Os idosos estão sempre em obrigação a alguém, do médico ao farmacêutico, da assistente social ao funcionário da Junta, do pároco ao motorista da carreira e por aí fora.
O idoso, quando em bando, constitui-se como um figurante aceitável em campanhas eleitorais; também será uma matéria-prima não desprezável para operadores turísticos em época baixa; também pode utilizar-se como um indicador estatístico susceptível de captação de fundos, em determinados contextos. O idoso pode revelar-se ainda como objecto de curiosidade em algumas reportagens, quando outros temas escasseiem.
Como hoje é dia dos idosos, eu, que faço parte da peste grisalha, apresento aos meus pares um manual de boas práticas.
Regra 1ª Ser discreto e parcimonioso nos actos, nas palavras e nos gestos;
Regra 2ª Nunca telefonar a horas inconvenientes (solicitar predefinição horária) nem com elevada frequência;
Regra 3ª Nunca aparecer de surpresa em casa de familiares;
Regra 4ª A visita programada deve ser curta e revelar autonomia de deslocação;
Regra 5ª Evitar em absoluto referência a dificuldades e queixas de saúde;
Regra 6ª Aparentar sempre boa disposição e um inabalável optimismo;
Regra 7ª Abster-se totalmente de ser opinativo. Ainda quando solicitada, a sua opinião virar-se-á contra si em qualquer ocasião posterior;
Regra 8ª Procurar ser útil de qualquer forma, quanto mais não seja a enxotar as moscas ao cão;
Regra 9ª Em ocasião festiva, oferecer-se para ficar na mesa das crianças;
Regra 10ª Apresentar-se sempre impecavelmente limpo e aprumado, com distinção e elegância, mas sem ostentação nem extravagância;
Regra 11ª Fazer-se desentendido ou surdo, em casos de dissidência;
Regra 12ª Nunca fazer apelo à memória.
Nota: estas regras não se aplicam a idosos de grandes posses ou que detenham poder ou pertençam a vários conselhos de administração.
@Helena Carvalho
*Há sempre dias disto e daquilo. Nada tenho contra por serem momentos de reflexão....
Partilhei este texto de um post de Helena, amiga do norte, que como eu, caminha pela longa passadeira da vida.
Escolhi esta fotografia, já aqui colocada, mas que agora posso repetir devido ao "apagão" desta alegre "casinha"..., de uma mulher que envelheceu, sem filhos, mas rodeada de amigos do coração.
Cristina Torres foi um ícone da Figueira da Foz, pela sua vida de luta num país sem liberdade, proibida de dar aulas . Era dura, de uma tempera à qual não se ficava indiferente.
Foi a 1ª mulher a passear a bandeira da república a quando da sua implantação.
Ainda teve o privilégio e a alegria de comemorar o 25 de Abril na 1ª manifestação de rua.
Foi minha professora de Literatura. Ía receber as aulas a sua casa.
Quando da minha digressão recente pelo Porto, fui pela 1ª vez visitar o Museu Soares dos Reis. Desejava ver ao vivo e a cores o busto da "Carvoeirinha", de que Cristina tanto me falava. Tinha uma enorme ternura ou uma enorme identificação devido ás suas origens humildes.
Sobre Cristina Torres, AQUI
Sobre Cristina Torres, AQUI
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
Do apagão que foi definitivo começa-se a fazer luz...
Nunca é tarde para passar a fazer do Porto um destino de eleição.
Gostava da cidade, mas agora fui completamente seduzida...
"do longe se faz perto ", dizia Saint Exupéry .
Também para quem caminhe para norte e goste da Casa de Serralves, tem para ver até dia 12, a grandiosa exposição de Marwan, considerado um dos artistas árabes mais conceituados do mundo árabe. É sírio.
Poderão ser vistas as pinturas e aguarelas produzidas entre 1962 e 1972.
E sabem de quem me lembrei ao longo de toda a exposição? De Mário Botas. Pelas aguarelas e pelas cabeças agigantadas.
Gostava da cidade, mas agora fui completamente seduzida...
"do longe se faz perto ", dizia Saint Exupéry .
Também para quem caminhe para norte e goste da Casa de Serralves, tem para ver até dia 12, a grandiosa exposição de Marwan, considerado um dos artistas árabes mais conceituados do mundo árabe. É sírio.
Poderão ser vistas as pinturas e aguarelas produzidas entre 1962 e 1972.
E sabem de quem me lembrei ao longo de toda a exposição? De Mário Botas. Pelas aguarelas e pelas cabeças agigantadas.
domingo, 28 de setembro de 2014
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
olhares
Gosto de fotografar a vida e os sonhos também...
Máquina fotográfica que faz parte do Ecomuseu da aldeia do Picote.
terça-feira, 23 de setembro de 2014
Equinócio
Artemar, Cascais, 2013 |
Oblíquo Setembro de equinócio tarde
Que s alonga e depara e vê e mira
Tarde que habita o estar do seu parado
Sol de Sul pelo sal detido
Assim estar aqui e o haver sido
Quasi a mesma que sou no tão perdido
Morar aberto de um Setembro antigo
Com o mar desse morar em meu ouvido
Pura paixão que não conhece olvido
Sophia M. Breyner, em Antologia MAR
domingo, 21 de setembro de 2014
Desejo meu....
.... para que por este "Mar" se faça luz.
Picasso disse "Nem todos os quadros têm que ser obras primas".
Esta minha casa virtual não era , nem tinha pretensão de ser uma obra prima, mas era me muito agradável como a casa que habito e provavelmente a quem o visitava.
O que aconteceu com o apagão que ainda não tentei resolver, e, olhando a meu redor, é como se olhasse os meus quadros, livros e tudo o resto, de uma forma totalmente descolorida.
Que brilhe em breve a história de um blogue feito por amor e com amor.
sábado, 20 de setembro de 2014
Por aqui....
Ao chegar, encontrei um apagão no Mar à Vista.
Ou erro meu ou do sistema, mas penso que fui eu com os meus excessos de zelo...
Procuro ajuda. Logo que possa, regresso.
Espero bem não ter que rezar pela alma de algo que tanto estimava.
Ou erro meu ou do sistema, mas penso que fui eu com os meus excessos de zelo...
Procuro ajuda. Logo que possa, regresso.
Espero bem não ter que rezar pela alma de algo que tanto estimava.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
De passagem... quase "misteriosamente"....
Numa estação de metro em Londres, assim como na entrada de alguns condomínios, poderei dizer que quanto a livros veio me ao pensamento a expressão "os meus, os teus e os nossos" livros.
As fotografias são de uma estação de metro onde todos os dias há um pensamento diferente escrito na parede. Os que encontrei eram de pensadores chineses.
Por maior que seja uma montanha, tu não podes
vê-la tendo as tuas costas voltadas para ela; por
menor que seja um fio de cabelo, tu podes vê-lo se
olhares para ele.
Wen-Tzu ( A compreensão dos mistérios), no livro de Gonçalo M. Tavares, HISTÓRIAS FALSAS
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Antes de vos deixar por uns dias, abalando para umas férias mais do que merecidas, depois de quase 3 meses de dias em que a balança pendeu para o mais negativo, pesados, mas sempre com um sentido de dever a cumprir, eis-me liberta por ora e agarrada às asas e companhia do meu filho.
Mas antes , vou deixar-vos a sugestão de um livro a sair dia 10, entre a ficção e a realidade de como a Rita , uma amiguinha filha de um ENORME AMIGO, viveu e combateu com uma energia e solidão desejada, como eu jamais vi. Um câncer que ela sabia fatal.
A Rita partiu aos 26 anos para Paris, para na Sorbonne fazer o seu doutoramento. O encontro com Paris, depois de uma viajante incansável, tornou-se fatal.
Adoro esta capa do livro , pois ao longo das suas múltiplas operações, sempre em Paris, Rita, saía para o seu pequeno apartamento de bicicleta. E mais não digo. O livro de Ana Casaca não é a vida da Rita , mas segundo me disse, houve pretexto de enquadrar algo sobre a doença e vida da Rita.
Pode e deve lido.
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