sábado, 3 de janeiro de 2015

bom fim de semana...

Tord Gustavsen Quartet


Cai o silencio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade, Urgentemente

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Mais uma escolha de Ano Novo... De Bosh para Drumond de Andrade... Soubessem eles das loucuras do séc. XXI...

Representa-se, no verso das tábuas laterais, o terceiro dia da Criação do Mundo – não se  vêem seres humanos nem animais – apenas, dentro de um frágil globo transparente, vegetais e minerais pintados em tons de cinzento e verde – uma forma de contrastar com a intensa cor que surgirá logo que se abram os dois postigos O tríptico, quando fechado, tem uma citação transcrita do Génesis “Ele mesmo ordenou e tudo foi criado“. Abrindo-se as duas asas ou postigos, deparam-se-nos as três tábuas – uma explosão de cor e de beleza – no postigo da esquerda o Paraíso  TerrenoouTerreal; ao centro a tábua principal –  o Jardim das Delícias  – e no postigo da direita o Inferno Musical.

In A VIAGEM DOS ARGONAUTAS


 Uma receita de Ano Novo dada pelo poeta Carlos Drummond de Andrade
Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Dezembro/1997.

Ah, se o poeta soubesse do FB ...

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

metáforas pictóricas para a queda da última folha do calendário de 2014. amanhã um outro dia e um outro ano...









... e se encontrarem outras metaforas, digam-me...
Eu sei que há mais.

Uma transição na qual me sinto mais à vontade de a todos desejar um 2015 com saúde e o tal amor , o sonhado, o vivido e o da recordação..., sempre do vosso lado .

Do resto, as esperanças são poucas.

Aos amigos que por aqui vão passando e eu não tenho visitado, vos digo, não têm sido os meus melhores dias. Tenho-vos na alma, naquele cantinho que guarda os afectos da blogosfera.
Para mim , 2015 vai ser muito bom. Eu, sofredora de família curta, em breve , vou passar a ser a avó Ana, do casal mais feliz que conheço. Na idade deles era assim... 

Beijos grandes a todos.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

364º dia do ano de 2014. A velocidade TGV, aproximamo-nos do fim...

Estação de Alcântara,
Porque, afinal, como as pessoas que nos cercam, também a crise tem as suas qualidades, a par dos seus defeitos. Basta aprender a abraça-la com o carinho ou com o desprezo que, em cada caso, ela merece
E, bem ao gosto lusitano, esperar que a crise de hoje passe a  ser a anedota de amanhã.
Sejamos pois, audaciosamente criativos em tudo o que de nós depender; e prudentemente realistas em tudo o que dos outros depender.
Dizia Albert Einstein que "em momentos de crise só a imaginação é mais importante que o conhecimento"
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E... entretanto, para os amigos que me visitam no FB, quero informar que ainda não o consegui recuperar, depois daquele video malicioso que eu mal abri, mas que contaminou este "companheiro"e já me obrigou a gastar uma pipa de massa... Aqui , esta crise, torna-se "desprezível" aos olhos de quem a causa... "malware"....
  


quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

BOAS FESTAS...

... a partir aqui de casa.

Que a noite e o dia seja a vosso jeito e sentir.
São os meus desejos amigos.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Leituras no meu jardim, com sol ...



Jardim dos Passarinhos ou Carlos Anjos, Monte Estoril


"Devemos o progresso aos insatisfeitos", A. Huxley. hoje, ESCRITO NA PEDRA, jornal Público

Pensando bem ou andando a pensar mais ou menos bem, por estas bandas , progresso é coisa que vai faltar. 
Individualmente, cada um pode superar algo na sua vida, se para isso a arte e o engenho ajudarem .
No colectivo, não vejo, nem uma sombra disso acontecer. 
Parece não haver insatisfeitos nem indignados.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Recebi este presentinho... "Os Fugitivos"

Os Fugitivos, de Fátima Ramalho, 2014

"Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir a ele do que a arte."

Goethe



.. como retribuição de Boas Festas da amiga e pintora Fátima Ramalho, recebi virtualmente esta pintura, que Fátima apelidou de "Os Fugitivos". 

Ontem, jantámos . A explicação veio contrariar o que eu tinha pensado, a fuga de José e Maria...
Mas não, para Fátima, o único símbolo do Presépio, é o burro, símbolo de meio utilizado para a fuga.
 Andamos sempre a fugir de qualquer coisa.  Para muitos,  na vida, o poiso é sempre incerto, o amor, o ideal do mesmo é uma procura constante, logo a fuga para a procura dessa satisfação pode impelir-nos para uma "fuga" , abençoada ou desastrosa . Tenta-se sempre uma escapadela para para o bem estar pessoal ou uma fuga para produzir efeito para o bem colectivo. Também fugimos de nós mesmos, dos nossos fantasmas...
Fátima Ramalho, já fez várias" fugas" na vida. Agora, pelo que sei, no recato da sua casa, num pequeno paraíso,  no coração de Cascais, vive na procura da cor e do tema. Ambas , não lhe faltam.
Trarei aqui mais vezes esta amiga. Nem sei porque o não fiz ainda.