O mês de Fevereiro,segundo Rafael Bordalo Pinheiro:
"Mês febril.
Pertence ao doutor.Pertence aos seus dignos colegas, aos boticários e à empresa funerária".
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015
domingo, 8 de fevereiro de 2015
Dia Ramalho Ortigão, no CCB, com "Farpas" e sem elas, mas com muita ternura
Para dar início ao centenário da morte de Ramalho Ortigão, hoje no Centro Cultural de Belém, e que terá o seu auge em setembro, várias pessoas foram convidadas para falar do sonhador da alma portuguesa. Todas as vertentes da sua vida foram tocadas e os oradores de excelência. Tanta coisa que eu não sabia...
- "Histórias Cor de Rosa"- Vida e Obra
- "Arte Portuguesa I, II, III
- "As Farpas- Sociedade e a Geração de 70
Excerto do filme de Jorge Paixão da Costa, "O Mistério da Estrada de Sintra"
Todos os momentos foram elevados, mas ouvir José-Augusto França falar sobre "O Martens, modelo do Eça e e Ramalho", foi a cereja em cima do bolo.
Muito interessante , a vinda de muitos familiares, Ramalho Ortigão ou só Ortigão, nome oriundo de uma planta , urtiga ou urtigão (tanto pode ser com "o" como com "u") , que se aplicou a uma mulher da família que tinha muito mau feitio. Picava.
Um encontro muito a jeito das famílias numerosas , com história, que se sente cada dia mais atual.
sábado, 7 de fevereiro de 2015
porque ainda é sábado e daqui a nada domingo, bom fim de semana
Ainda que Mal
Ainda que mal pergunte,
ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal desculpes; ainda que mal respondas;
ainda que mal te entenda,
ainda que mal repitas;
ainda que mal insista,
ainda que mal me exprima,
ainda que mal me julgues;
ainda que mal me mostre,
ainda que mal me vejas;
ainda que mal te encare,
ainda que mal te furtes;
ainda que mal te siga,
ainda que mal te voltes;
ainda que mal te ame,
ainda que mal o saibas;
ainda que mal te agarre,
ainda que mal te mates;
ainda assim te pergunto
e me queimando em teu seio,
me salvo e me dano: amor.
Carlos Drummond de Andrade, in 'As Impurezas do Branco'
Desenho de António Quadros
Olhares que me libertam do dia a dia...
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
os contorcionismos da vida...
... ou um certo cansaço do circo. Ou porque a festa acabou...
Vida através da arte, com Picasso nos seus Acrobates, 1930.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
"uma busca da imortalidade"
A epopeia de Gilgamesh é um antigo poema épico da Mesopotâmia, sendo uma das primeiras obras conhecidas da literatura mundial. Acredita-se que na sua origem estejam diversas lendas e poemas sumérios sobre o mitológico deus-herói Gilgamesh, que foram reunidos e compilados no século VII a. C. pelo rei Assurbanipal. Recebeu originalmente o título de Aquele que Viu a Profundeza (Sha naqba imuru) ou Aquele que se Eleva Sobre Todos os Outros Reis (Shutur eli sharri).
A sua história gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro íntimo, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses, para distrair o primeiro e evitar que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar as divindades. A parte final do épico é centrada na reacção de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca da imortalidade.
Versão de Pedro Tamen do texto inglês de N. K. Sandars.
A sua história gira em torno da relação entre Gilgamesh e seu companheiro íntimo, Enkidu, um homem selvagem criado pelos deuses, para distrair o primeiro e evitar que ele oprimisse os cidadãos de Uruk. Juntos passam por diversas missões, que acabam por descontentar as divindades. A parte final do épico é centrada na reacção de Gilgamesh à morte de Enkidu, que acaba por tomar a forma de uma busca da imortalidade.
Versão de Pedro Tamen do texto inglês de N. K. Sandars.
Gilgamesh de Pedro Tamen
Encontro, hoje, com o meu amigo Zé Manel, um leitor compulsivo, e por quem gosto deixar-me contagiar nos seus gostos e deleite pelas palavras.
Aqui deixo a marca e sugestão de leitura, qua segundo ele, tão importante como Homero e outros mais.
Sala dos Capelos, Coimbra. Aconteceu
Para mim , foi a 1ª vez que assisti a um doutoramento deste gabarito.
Toda a cerimónia está no vídeo, mas os elogios e o resumo da sua obra, feita pelos Professores Doutores, Fernando Catroga e João Bernardes, é feita a partir do minuto 32.
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
a 2 de fevereiro de 1951, aconteceu... , mas a História não pára

Aumentar, aumentar a riqueza á custa de não olhar a quem.
63 anos depois a escravatura infantil continua.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
São sonhos, senhores, são sonhos...
Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou
![]() |
Marc Chagall, Sonho de Uma Noite de Verão, 1939 |
acordado. (W. Shakespeare
ela está aí, "a indiferença"
Indiferença em Política
Um dos piores sintomas de desorganização social, que num povo livre se pode manifestar, é a indiferença da parte dos governados para o que diz respeito aos homens e às cousas do governo, porque, num povo livre, esses homens e essas cousas são os símbolos da actividade, das energias, da vida social, são os depositários da vontade e da soberania nacional.
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações - a liberdade!
Que um povo de escravos folgue indiferente ou durma o sono solto enquanto em cima se forjam as algemas servis, enquanto sobre o seu mesmo peito, como em bigorna insensível se bate a espada que lho há-de trespassar, é triste, mas compreende-se porque esse sono é o da abjecção e da ignomínia.
Mas quando é livre esse povo, quando a paz lhe é ainda convalescença para as feridas ganhadas em defesa dessa liberdade, quando começa a ter consciência de si e da sua soberania... que então, como tomado de vertigem, desvie os olhos do norte que tanto lhe custara a avistar e deixe correr indiferente a sabor do vento e da onda o navio que tanto risco lhe dera a lançar do porto; para esse povo é como de morte este sintoma, porque é o olvido da ideia que há pouco ainda lhe custara tanto suor tinto com tanto sangue, porque é renegar da bandeira da sua fé, porque é uma nação apóstata da religião das nações - a liberdade!
in, Prosas da Época Coimbrã , Antero de Quental
domingo, 1 de fevereiro de 2015
sábado, 31 de janeiro de 2015
"dentro do homem existe um Deus desconhecido".... leituras nem sempre breves...
O Homem é um Deus que se Ignora
Dentro do homem existe um Deus desconhecido: não sei qual, mas existe- dizia Sócrates soletrando com os olhos da razão, à luz serena do céu da Grécia, o problema do destino humano. E Cristo com os olhos da fé lia no horizonte anuveado das visões do profeta esta outra palavra de consolação - dentro do homem está o reino dos céus. Profundo, altíssimo, acordo de dois génios tão distantes pela pátria, pela raça, pela tradição, por todos os abismos que uma fatalidade misteriosa cavou entre os irmãos infelizes, violentamente separados, duma mesma família! Dos dois pólos extremos da história antiga, através dos mares insondáveis, através dos tempos tenebrosos, o génio luminoso e humano das raças índicas e o génio sombrio, mas profundo, dos povos semíticos se enviam, como primeiro mas firme penhor da futura unidade, esta saudação fraternal, palavra de vida que o mundo esperava na angústia do seu caos - o homem é um Deus que se ignora.
Grande, soberana consolação de ver essa luz de concórdia raiar do ponto do horizonte aonde menos se esperava, de ver uma vez unidos, conciliados esses dois extremos inimigos, esses dois espíritos rivais cuja luta entristecia o mundo, ecoava como um tremendo dobre funeral no coração retalhado da humanidade antiga! Os combatentes, no maior ardor da peleja, fitam-se, encaram-se com pasmo, e sentem as mãos abrirem-se para deixar cair o ferro fratricida. Estendem os braços... somos irmãos !
Primeiro encontro, santo e puríssimo, dos prometidos da história! Manhã suave dos primeiros sorrisos, dos olhares tímidos mas leais desses noivos formosíssimos, que o tempo aproximava assim para o casamento misterioso das raças!
Não há no mundo palácio de rei digno de lhes escutar as primeiras e sublimes confindências! Só um templo, alto como a cúpula do céu, largo como o voo do desejo, puro como a esperança do primeiro e inocente ideal humano!
Esse templo tiveram-no. Naquela palavra de dois loucos se encerra tudo. Nenhuma montanha tão alta, aonde a olho nu se aviste Deus, como o voo desta frase, a maior revelação que jamais ouvirá o mundo - dentro do homem está Deus.
Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'
Grande, soberana consolação de ver essa luz de concórdia raiar do ponto do horizonte aonde menos se esperava, de ver uma vez unidos, conciliados esses dois extremos inimigos, esses dois espíritos rivais cuja luta entristecia o mundo, ecoava como um tremendo dobre funeral no coração retalhado da humanidade antiga! Os combatentes, no maior ardor da peleja, fitam-se, encaram-se com pasmo, e sentem as mãos abrirem-se para deixar cair o ferro fratricida. Estendem os braços... somos irmãos !
Primeiro encontro, santo e puríssimo, dos prometidos da história! Manhã suave dos primeiros sorrisos, dos olhares tímidos mas leais desses noivos formosíssimos, que o tempo aproximava assim para o casamento misterioso das raças!
Não há no mundo palácio de rei digno de lhes escutar as primeiras e sublimes confindências! Só um templo, alto como a cúpula do céu, largo como o voo do desejo, puro como a esperança do primeiro e inocente ideal humano!
Esse templo tiveram-no. Naquela palavra de dois loucos se encerra tudo. Nenhuma montanha tão alta, aonde a olho nu se aviste Deus, como o voo desta frase, a maior revelação que jamais ouvirá o mundo - dentro do homem está Deus.
Antero de Quental, in 'Prosas da Época de Coimbra'
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