sexta-feira, 26 de junho de 2015

mais uma onda, mas de calor.. bom fim de semana

                                                        Ondas de alegrias e tristezas, ondas de expectativas , esperança, mas também ondas de desalento, de falsos encontros e desencontros, ondas de reais momentos mas sempre descontínuos.
O que se vai passando por aí cada vez é mais desinteressante, angustiante, com o grosso dos defeitos humanos a" surfarem" na crista da onda.
E, como escreveu  Sophia, "o que eu queria dizer-te nesta tarde, nada tem em comum com as gaivotas".

A grande onda de Kanagawa

quarta-feira, 24 de junho de 2015

S. João , "o maçon"

                                                                Óleo de Eduardo Viana

....

Eu a julgar-te até catholico,
E tu saes-me um maçon.
Bem, ahi é que há espaço para tudo,
Para o bem temporal do mundo vario.
Que o teu sorriso doure quanto estudo
E o teu Cordeiro

Me faça sempre justo e verdadeiro,
Prompto a fazer fallar o coração
Alto e bom som
Contra todas as formulas do mal,
Contra tudo o que torna o homem precário.
Se és maçon - eu sou templario

Esqueço-te santo
Deslembro teu indefinido encanto.

Meu Irmão, dou-te um abraço fraternal

(excerto de poema dedicado a S. João, do livro Os Santos Populares. de Fernando Pessoa e ilustrações de Almada Negreiros e Eduardo Viana)
Mantive a ortografia original, a vigente à época....

terça-feira, 23 de junho de 2015

segunda-feira, 22 de junho de 2015

olhares...

À mesma hora, no mesmo sítio, o mesmo olhar...
Mas... Há sempre um mas...
Veio-me à memória que a cor pode lembrar a teoria do copo meio cheio e meio vazio.
Sentir a luz e a penumbra. A penumbra, neste caso, tem maior beleza. Para mim, claro está.
O copo, vejo-o sempre meio cheio.

Boa semana...

"Absence", dedicado ao querido Bernardo Sassetti.

domingo, 21 de junho de 2015

solstício de verão... "quero apenas cinco coisas"


Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.
Pablo Neruda

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Bom fim de semana . Protejam-se...

                                António Charrua (1925-2008). Exposição para ver no CAM

A meus filhos
desejo a curva do horizonte.

António Osório, A meus Filhos

O sono e o sonho de Anne...

Num dos melhores romances de sempre, Lev Tolstoi faz uma análise psicológica da personagem principal, Anna Karénina, através do sono e de um sonho com um velho mujique:
No gabinete, ele dormia num sono profundo. Ela aproximou-se e, iluminando-lhe o rosto de cima, ficou muito tempo a olhá-lo. Agora que ele dormia, amava-o tanto que ao vê-lo não conseguiu reter as lágrimas de ternura; mas sabia que se ele acordasse havia de olhá-la com um olhar frio, seguro da sua razão, e que ela, antes de lhe falar do seu amor, teria de lhe demonstrar como era culpado perante ela. Sem acordá-lo, voltou para o seu quarto e depois de uma segunda dose de ópio adormeceu já quase de manhã, um sono pesado e incompleto durante o qual nunca chegou a perder a consciência de si.
De manhã, foi acordada por um pesadelo horrível, que se repetira  diversas vezes ainda  antes da sua ligação com Vronski. Um velho mujique com a barba desgrenhada fazia qualquer  coisa debruçado sobre um ferro, enquanto proferia palavras francesas sem sentido, e ela, como sempre durante aquele pesadelo (e nisso consistia o horror) sentia que aquele mujique não lhe prestava atenção, mas fazia aquela coisa horrível com o ferro por cima dela, fazia qualquer coisa estranha nela. E acordou alagada em suores frios”.
in Anna Karénina, de Lev Tolstoi, editora Relógio D`Água, Lisboa 2008
Tirado da revista online Isleep

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Momentos...

"The Source", Felix Volloton, 1892
Quando eu morrer deitem-me nu à cova
Como uma libra ou uma raíz,
Dêem a minha roupa a uma mulher nova
Para o amante que a não quis.

Vitorino Nemésio, in Outro Testamento

terça-feira, 16 de junho de 2015

"janela de emoções"

Rapariga à janela, Dali, 1926
Daqui de onde vemos e sentimos, de onde subtilmente fugimos a compromissos, acobardamos impulsos e debitamos conceitos e esquemas imperfeitos, só para ver no que dá. Daqui de onde vemos, destas janelas escancaradas, ansiamos caminhadas, desenhamos novos mundos, na esperança de romper na banalidade dos dias.

Excerto do conto Janela de Emoções, do livrode Mário Jorge Branquinho, ESTRANHOS DIAS À JANELA