Um texto de 1969, de um jornal parisiense, AQUI.
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
ei-los que partem, outros que chegam...
Um texto de 1969, de um jornal parisiense, AQUI.
quarta-feira, 9 de setembro de 2015
Leituras breves...
"São precisamente as perguntas para as quais não existem respostas que marcam os limites das possibilidades humanas e traçam as fronteiras da nossa existência".
Milan Kundera em a Insustentável Leveza do Ser
Pintura de E. Hopper, "As Janelas"
Milan Kundera em a Insustentável Leveza do Ser
Pintura de E. Hopper, "As Janelas"
segunda-feira, 7 de setembro de 2015
Aquele mar...
AQUELE MAR
Aquele mar da minha infância,
bom camarada e meu irmão
a sua voz, o seu olor, sua fragrância
tanto os ouvi e respirei
que trago em mim o seu largo ritmo,
seu ritmo forte,
como se as praias onde espuma
quase me fossem
praias sem fim dentro de mim
ocultas praias, largas praias
do tumultuoso coração…
Aquele mar da minha infância,
bom camarada e meu irmão
a sua voz, o seu olor, sua fragrância
tanto os ouvi e respirei
que trago em mim o seu largo ritmo,
seu ritmo forte,
como se as praias onde espuma
quase me fossem
praias sem fim dentro de mim
ocultas praias, largas praias
do tumultuoso coração…
Aquele mar
meu confidente de horas idas
tudo escutava e adivinhava
do meu pueril e ingénuo anseio.
Nada sonhei que o não dissesse
– frémito de alma, grito ou prece –,
às madrugadas e aos poentes,
ao sol, às nuvens, ao luar,
ora nascendo, ora morrendo
nos longos, longos horizontes
em que se perdia o meu olhar…
meu confidente de horas idas
tudo escutava e adivinhava
do meu pueril e ingénuo anseio.
Nada sonhei que o não dissesse
– frémito de alma, grito ou prece –,
às madrugadas e aos poentes,
ao sol, às nuvens, ao luar,
ora nascendo, ora morrendo
nos longos, longos horizontes
em que se perdia o meu olhar…
Aquele mar
na calma azul, no temporal,
nunca mentia: era um só beijo,
hálito puro, largo harpejo
que me entendia e respondia
no seu inquieto marulhar…
Moço e menino, solitário,
rochas, falésias, areais
eu coroava-os de alegria
nos meus passeios matinais.
Ou nalgum barco pescador,
velas abrindo a todo o pano,
do oceano então era senhor,
largava a escota, navegava,
no vão desejo de aventuras,
que não chegava a realizar…
Mas era meu, e eu pertencia-lhe,
àquele mar,
era seu filho, escravo e dono,
sorria à sua Primavera,
amava a luz do seu Outono,
o vivo lume dos estios
a violência dos Invernos
longos clamores de temporais.
Aflito voo das gaivotas
junto das negras penedias,
também como ele me perdias,
nas tardes tristes e sombrias,
na bruma gélida das noites…
E a eternidade então ouvia
humano sonho sempre esquecido
na eterna voz que fala o mar.
na calma azul, no temporal,
nunca mentia: era um só beijo,
hálito puro, largo harpejo
que me entendia e respondia
no seu inquieto marulhar…
Moço e menino, solitário,
rochas, falésias, areais
eu coroava-os de alegria
nos meus passeios matinais.
Ou nalgum barco pescador,
velas abrindo a todo o pano,
do oceano então era senhor,
largava a escota, navegava,
no vão desejo de aventuras,
que não chegava a realizar…
Mas era meu, e eu pertencia-lhe,
àquele mar,
era seu filho, escravo e dono,
sorria à sua Primavera,
amava a luz do seu Outono,
o vivo lume dos estios
a violência dos Invernos
longos clamores de temporais.
Aflito voo das gaivotas
junto das negras penedias,
também como ele me perdias,
nas tardes tristes e sombrias,
na bruma gélida das noites…
E a eternidade então ouvia
humano sonho sempre esquecido
na eterna voz que fala o mar.
NOTA: Edição de “Mar Alto” – Figueira da Foz,
1 de Junho de 1969, no dia da Festa da Cidade ao poeta. (que era figueirense)
sábado, 5 de setembro de 2015
"Danubio"... enviado por mão amiga
Danúbio, de Claudio Magris, é um dos grandes romances europeus do nosso tempo - um romance classificado na categoria de literatura de viagens, cujo tema principal serve de pretexto para explorar e dissertar sobre a cultura centro-europeia, ou seja, da Mitteleuropa.
Danúbio obteve o Prémio Príncipe das Astúrias das Artes em 2004. No entanto, o romance foi escrito durante o período do alargamento da União Europeia, no início dos anos oitenta do século XX.
Magris serve-se do Grande Rio que atravessa a Europa Central como se fosse o fio de Ariadne, isto é uma linha de orientação para atravessar o conjunto de culturas e etnias que se entrecruzam, sobrepõem mas raras vezes se misturam ou diluem umas nas outras insistindo, pelo contrário, no esforço de preservar uma identidade cultural face à força do federalismo e da standartização cultural e económica.
Essa viagem através do Danúbio (atravessando a Alemanha, a Áustria, a Hungria, a antiga Jugoslávia, a Roménia e a Turquia), o grande rio europeu, é a viagem pela história e pelo imaginário do nosso continente.
quarta-feira, 2 de setembro de 2015
domingo, 30 de agosto de 2015
"vai-te embora ó mês de agosto"...
![]() |
| "Encenação complicada demais para um ovo estrelado", 2010 |
"vai-te embora ó mês de agosto" era uma expressão muito cá de casa, dita pelo meu pai, quando havia alguma contrariedade. Mas a expressão ultrapassava as nossas paredes, era por aqui recorrente.
Vim a saber através das leituras de Raul Brandão , que considerava as pessoas da Figueira pouco hospitaleiras e arrogantes para com os veraneantes , por lhes ocuparem os espaços.... Então, estavam desejosos pelo fim do mês de agosto para os ver pelas costas. E não deixou de ter razão...
Não deixa de ser estranho, pois figueirenses há que continuam a pensar da mesma maneira, esquecendo que o turismo já foi a grande fonte de receita da cidade através do turismo e turistas.
Os tempos são outros, a praia já não é o que era, apesar de alternativas de linha de costa, já poucos gozam um mês de férias para poder alugar casas, que noutros tempos as receitas faziam a tal "almofadada conforto" para o inverno, as vias de comunicação levam também a que as pessoas façam praia e retornem as suas casas.
Digo "vai-te embora ó mês de agosto", porque gosto do setembro. E, nele vou entrar, na praia da Claridade, se o tempo me deixar.
-
sábado, 29 de agosto de 2015
efeméride - 1915-2015, Ingrid Bergman faria hoje 100 anos
| Um beijo é um procedimento inteligentemente criado pela natureza para a mútua interrupção da fala quando as palavras se tornam desnecessárias. |
Citação de uma das mais belas mulheres do cinema. Uma beleza proporcional à grande actriz que foi.
quarta-feira, 26 de agosto de 2015
a contradição humana (2)... em tempo de grandes contradições e omissões...
A Carlinha é uma menina muito elegante~
que deixa uma cauda de perfume atrás dela.
MORA NO 1º ANDAR
e sempre que pode gaba-se da firmeza das coxas
e da pele cheia de creme francês.
PASSA A VIDA
NO GINÁSIO,
MAS É INCAPAZ DE SUBIR UNS LANCES DE ESCADAS.
VAI SEMPRE
de ELEVADOR.
Apesar da firmeza das coxas
(excerto do livro A CONTRADIÇÃO HUMANA, de Afonso Cruz. Fotografia reproduzida do livro)
que deixa uma cauda de perfume atrás dela.
MORA NO 1º ANDAR
e sempre que pode gaba-se da firmeza das coxas
e da pele cheia de creme francês.
PASSA A VIDA
NO GINÁSIO,
MAS É INCAPAZ DE SUBIR UNS LANCES DE ESCADAS.
VAI SEMPRE
de ELEVADOR.
Apesar da firmeza das coxas
(excerto do livro A CONTRADIÇÃO HUMANA, de Afonso Cruz. Fotografia reproduzida do livro)
terça-feira, 25 de agosto de 2015
contradições humanas.... (1)
O vizinho do sétimo esquerdo toca piano, canta e nunca desafina.
Tem uns cabelos despenteados e uns dedos mais compridos do que aulas de MATEMÁTICA.
Mas o que realmente me impressiona é que ele
TOCA
MÚSICAS
TRISTES
E ISSO
DEIXA-O
FELIZ.
Chega a chorar de felicidade (eu já vi)
(exceerto do livro A CONTRADIÇÃO HUMANA)
![]() |
| Vidrões que a artista plástica Isa da Silva pintou baseado no livro de Afonso Cruz. A ver na Rua Castilho. |
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Leituras breves... "escrito na pedra"
sábado, 22 de agosto de 2015
sexta-feira, 21 de agosto de 2015
amizade, solidariedade.... (cinema)
A capacidade que o homem pode ter de fazer pontes, entre inimigos, mesmo em tempos de guerra. Porque ainda há pessoas com magia e nem tudo só acontece no cinema.
Belo filme que vi ontem, em soirée caseira, no meu/nosso video clube.
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