quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Pina, Manuel António

faria hoje, dia 18 de novembro, 72 anos

O Lado de Fora

Eu não procuro nada em ti, 
nem a mim próprio, é algo em ti 
que procura algo em ti 
no labirinto dos meus pensamentos. 

Eu estou entre ti e ti, 
a minha vida, os meus sentidos 
(principalmente os meus sentidos) 
toldam de sombras o teu rosto. 

O meu rosto não reflecte a tua imagem 
o meu silêncio não te deixa falar, 
o meu corpo não deixa que se juntem 
as partes dispersas de ti em mim. 

Eu sou talvez 
aquele que procuras, 
e as minhas dúvidas a tua voz 
chamando do fundo do meu coração. 

Manuel António Pina, in “O Caminho de Casa” 

terça-feira, 17 de novembro de 2015

olhares...

Trabalho de Carlos Barroco
A ironia não é caixa de Pandora. 

Com que então caiu na asneira...

  Dia de Anos
Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos! Que tolo!
Ainda se os desfizesse…
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez  a mesma tolice
Aqui o ano passado…
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal; porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa; que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los, queira ou não queira!

Poema de João de Deus

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

olhares, os meus... (1)


O medo...

Assim é o "medo" em todas as circunstâncias da vida. Por isso, aos poucos, muitos vão morrendo de medo e ao mesmo tempo matando os seus sonhos. 


“O medo, o medo
verdadeiro, é um delírio furioso.
De todas as loucuras de que somos
capazes, o medo é a mais cruel.
Nada iguala o seu vigor, nada pode
suster o seu choque. A cólera, que
se lhe assemelha, não passa de
um sentimento passageiro, uma
brusca dissipação das forças da
alma. Para mais é cega. O medo, ao
contrário, desde que se ultrapasse
a primeira angústia, forma com
o ódio um dos mais estáveis
compostos psicológicos que há.”

Citando, Georges Bernanos

domingo, 8 de novembro de 2015

Momentos de ouro...



Nelson Mota
De Óbidos , depois de um encontro feliz com Nelson Mota, um letrista e não só, da música brasileira, eis que o CD atravessou do Atlântico Sul para o do Norte. 
Momentos de ouro.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"cogumelar", pode ser um verbo, não?

Não é só MEC que inventa verbos , como "cadilhar", "entaveirar"," triturar", mas pode -nos levar , por imitação , para ler sobre o outono e cogumelos, a criar  a verborreica palavra , "cogumelar". AQUI

(IMAGEM COPIADA HÁ TEMPOS DO fb, MAS NÃO LEMBRO A ORIGEM, MAS PENSO QUE SÃO COGUMELOS NA REGIÃO DA SERRA DA ESTRELA. QUE ME DESCULPE O SEU AUTOR POR TER ESQUECIDO A PROVENIÊNCIA)

"insustentável leveza do ser", memórias

Departure, 1879, de Henry Bacon


"Os amores são como os impérios: desaparecendo a idéia sobre a qual foram construídos, morrem junto com ela."

Milan Kundera, em a Insustentável Leveza do ser