sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

bom fim de semana

Dez dias, dez dias sem nos vermos. O tempo de atravessar o Atlântico, ver novas caras e novos corações e regressar. Assim foi com o meu angélico neto Gabriel. (9 M).
Reencontramo-nos ontem , no seu quartinho, após uma boa sesta. Estávamos sós.
Se eu tivesse desaparecido, o Gabriel nunca mais se lembraria que esta vovó tinha existido. Mas... , aquele sorriso, imenso, envergonhado, parecia..., o encostar da sua cabeça no meu ombro e pescoço, como a relembrar cheiros , textura da pele, ora para a esquerda ora para a direita, sempre num esgar de olhos postos nos meus, fez-me saber que o meu "pequenito" já sabe bem quem eu sou. Ainda sinto o calor da sua boquinha no meu colo desnudo.
O perfume, vou mantê-lo, "AMOUR, AMOUR". Os amores vão, quando têm que ir,  mas o perfume fica, e, o Gabriel também. 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

"o sono faz a gente esquecer tudo"

“Todos eram grandes, grandes e tristes, ceando a mesma tristeza aos pedaços.
Talvez que a culpa de tudo tenha sido a luz do lampião meio mortiça que substituíra a luz que a Light mandara cortar. Talvez.
Feliz era o Reizinho que dormia com o dedo na boca. Botei o cavalinho em pé, bem perto dele. Não pude evitar de passar as mãos de leve em seus cabelos. Minha voz era um rio imenso de ternura.
— Meu pequerrucho.
Quando toda a casa estava às escuras eu perguntei baixinho:
— Tava boa a rabanada, não estava Totoca?
— Nem sei. Não provei.
— Por quê?
— Fiquei com uma coisa entalada no gogó que não passava nada… Vamos dormir. O sono faz a gente esquecer tudo.
Eu me levantara e fazia barulho na cama.
— Onde você vai, Zezé?
— Vou botar meus tênis do lado de fora da porta.
— Não ponha, não. É melhor.
— Vou pôr, sim. Quem sabe, se não vai acontecer um milagre. Sabe, Totoca, eu queria um presente. Um só. Mas que fosse uma coisa novinha. Só pra mim…
Ele virou para o outro lado e enfiou a cabeça em baixo do travesseiro.”
In “O Meu Pé de Laranja Lima”, José Mauro de Vasconcelos, edição Dinalivro
José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro nascido no Rio de Janeiro em 1924, é autor, entre outras obras, de “O Meu Pé de Laranja Lima”, publicado em 1968, uma das obras mais populares da literatura portuguesa, traduzido em 52 línguas, um retrato social do Brasil século passado.

    quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

    Prémio de fotografia

    Uma fotografia da cidade de Lisboa foi a grande vencedora do Grande Prémio Global do Metro Photo Challenge 2015. fotógrafo russo , Eduard Goodeev

    segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

    viagens na minha terra... "partida pra Alfarelos" (pregão antigo)




    Aqui é uma terra do quase ninguém. Granja do Ulmeiro, mais conhecida por ALFARELOS. 
    Estação que já foi histórica nas ligações e transbordos da ferrovia ,situada na linha que liga Figueira da Foz a Coimbra. Quem vem do Norte o do Sul e queira ir para uma das localidades entre estas duas cidades tem que mudar em Alfarelos. Terra de frio e humidade no inverno e de calores infernais no verão. Pombal, ganhou-lhe em paragens obrigatórias de Alfas e Intercidades. Mas, hoje, recuperou um pouco dessa "dignidade" perdida para os passageiros ICs. 
    Uso-a com frequência. Aconteceu ontem. Mas , não me furtei, por engano a meia hora de espera. 
    Atravessei a linha e fui tomar um café. 
    Há quem me ache senhora de dar "confiança"... , mas isso não passa de crítica ao meu prazer de falar e sorrir para quem o sorriso me abre com a vontade de falar. 
    A solidão da terra, a crise, o que foi e já não é, mas o  desejo de continuar a ser. A família, a doença, o cidadão e a cidadania, teria sido um "remanso" que iria até ao jantar, sim porque o dono do café estava contente. Na noite anterior tinha recebido 30 pessoas para comer. Coisa do natal. A época põe-se a jeito de fazer algumas pessoas felizes e a quebrar a solidão local.
    Gostei do "patrão". Ele também deve ter gostado do meu jeito de o ouvir . E, simpaticamente , quando já apressada saí para o meu IC, ofereceu-me uma tacinha de arroz doce, feita por ele. E não é que fiquei emocionada? E que me  senti mimada?
    O arroz doce era divinal. 
    A promessa de um café ou mais numa próxima viagem ficou agendada. 
    E, quando prometo, cumpro.

    (Alfarelos, fica mesmo ao lado da linda vila de Montemor-o -Velho)

    sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

    O amor~~~~~~~~~~~~~~

    O amor não se manifesta no desejo de fazer amor com alguém, mas no desejo de partilhar o sono.


    Milan Kundera
    Felix Valloton, 1894

    quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

    Eugénia Cunhal~~~~~~~"quando vieres"


    Quando vieres
    Encontrarás tudo como quando partiste.
    A mãe bordará a um canto da sala...
    Apenas os cabelos mais brancos
    E o olhar mais cansado.
    O pai fumará o cigarro depois do jantar
    E lerá o jornal.
    Quando vieres
    Só não encontrarás aquela menina de saias curtas
    E cabelos entrançados
    Que deixaste um dia.
    Mas os meus filhos brincarão nos teus joelhos
    Como se te tivessem sempre conhecido.
    Quando vieres
    nenhum de nós dirá nada
    mas a mãe largará o bordado
    o pai largará o jornal
    as crianças os brinquedos
    e abriremos para ti os nossos corações.
    Pois quando tu vieres
    Não és só tu que vens
    É todo um mundo novo que despontará lá fora
    Quando vieres.

    Eugénia Cunhal, in «Silêncio de Vidro»



     

    segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

    em descanso

    Vieira da Silva olhada com amor e carinho

    leituras pouco breves e profundas

    Está um lindo dia", diz a voz de homem. É de manhã e ele tem à frente mais de uma centena de funcionários da empresa que dirige. Estão ali para ser esclarecidos sobre o destino da dita. Porém, antes de começar um discurso de quase duas horas, o homem põe uma condição: só pode ficar quem garantir que confia nele: "Quem não confia pode ir já embora." (continua aqui)

    domingo, 6 de dezembro de 2015

    "afinal só agora , por prudência, mando a carta" . Bom domingo.

    Botequim, 1973, de Nikias Skapinakis

    N. Correia, F. Botelho, Maria J. Pires. 1974
    Interessante, na pintura de NS, nunca se encontram homens com mulheres. E, hoje lembrei-me de o passar por aqui ao ler CORREPONDENCIA DE SOPHIA DE MELLO BREYNER / JORGE DE SENA.

    7 de novembro de 1964

    * O Nikias Skapinakis está preso há um mês.