sexta-feira, 4 de março de 2016

quarta-feira, 2 de março de 2016

as solidões....

                                      De Ana Vieira, 1973, Espera à Janela

O que nos mata é a solidão povoada.

Jorge de Sena

terça-feira, 1 de março de 2016

“O próprio viver é morrer, porque não temos um dia a mais na nossa vida que não tenhamos, nisso, um dia a menos nela” *


Ana Vieira, artista plástica, partiu. Não tão feliz com o mundo das artes , como deveria ter acontecido, mas o mundo da criação e o que o "rodeia" nem sempre estima e reconhece os seus melhores. 
. Ver AQUI

*Fernando Pessoa

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Et voilá... fim de semana à vossa maneira

... porque quando chove e faz frio as escolhas calorosas são mais ao menos generosas. Algumas, muito a meu jeito....

Cai a Chuva Abandonada

Cai a chuva abandonada 
à minha melancolia, 
a melancolia do nada 
que é tudo o que em nós se cria. 

Memória estranha de outrora 
não a sei e está presente. 
Em mim por si se demora 
e nada em mim a consente 

do que me fala à razão. 
Mas a razão é limite 
do que tem ocasião 

de negar o que me fite 
de onde é a minha mansão 
que é mansão no sem-limite. 
Ao longe e ao alto é que estou 
e só daí é que sou. 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1' 



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

cheguei ao fim do livro...

Merz Schwitters, composição amontoada, 1947
Sozinho,  nunca sei iniciar uma jogada, mas se outro me passar a bola, às vezes consigo marcar golo.
É que Maia ainda é ingénua, enquanto, a mim, a idade tornou-me sábio. E se sabes que és um perdedor, o único consolo é pensar que todos. à tua volta, são uns vencidos, mesmo os vencedores.
....

Maia, restitui-me a paz, a confiança em mim mesmo, ou, pelo menos, a calma desconfiança no mundo que me rodeia. A vida é suportável, basta conformarmo-nos. Amanhã ( como dizia Scarlett O'Hara - outra citação, e sei, mas renunciei a falar na primeira pessoa e deixo só falar os outros) é outro dia.

A ilha de San Giulio voltará a brilhar ao sol.

in, Número Zero, de Umberto Eco, pag, 162, 163

domingo, 21 de fevereiro de 2016

"a Escrita"... bom domingo

A Dúvida, a Solidão, logo... a Escrita

Na vida, chega um momento - e penso que ele é fatal - ao qual não é possível escapar, em que tudo é posto em causa: o casamento, os amigos, sobretudo os amigos do casal. Tudo menos a criança. A criança nunca é posta em dúvida. E essa dúvida cresce à sua volta. Essa dúvida, está só, é a da solidão. Nasce dela, da solidão. Podemos já nomear a palavra. Creio que há muita gente que não poderia suportar o que aqui digo, que fugiria. Talvez seja por essa razão que nem todos os homens são escritores. Sim. Essa é a diferença. Essa é a verdade. Mais nada. A dúvida é escrever. É, portanto, também, o escritor. E com o escritor todo o mundo escreve. É algo que sempre se soube. 
Creio também que sem esta dúvida primeira do gesto em direcção à escrita não existe solidão. Nunca ninguém escreveu a duas vozes. Foi possível cantar a duas vozes, ou fazer música também, e jogar ténis, mas escrever, não. Nunca. 
Marguerite Duras, in "Escrever" 
Desenho de Maria Helena Vieira da Silva, 1949