quarta-feira, 11 de setembro de 2019

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Divulgação com história , Caldas da Amieira










TERMAS DA AMIEIRA
As Termas da Amieira, apesar de situadas na freguesia de Samuel, concelho de Soure, tiveram sempre uma ligação mais próxima com a cidade de Figueira da Foz, como se verifica no seguinte texto publicitário antigo:
“As Caldas D’Amieira são uma formosa estação que fica a meia hora de comboio da praia da Figueira da Foz e são servidas pela linha do Oeste. Ali param todos os comboios daquela linha desde 15 de junho a 31 de outubro. Durante a época dos banhos há comboios que partem e regressam à estação desta cidade, pela manhã, e que permitem ao banhista a demora nas termas de uma ou duas horas”.
As Caldas da Amieira possuíam um pequeno apeadeiro, na linha do Oeste, a 1 Km da estação da Amieira.
O troço entre Leiria e Figueira da Foz, no qual este apeadeiro se insere, foi aberto a 17 de Julho de 1888 pela Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses.
Em 15 de Maio de 1902, vários comboios paravam no apeadeiro de Banhos d'Amieira, apenas para serviços de passageiros. Nos horários de Junho de 1913, surge com a categoria de estação.
Em 1934, esta interface inseria-se numa tarifa especial da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses para estações e apeadeiros que serviam estâncias balneares e termais.
As Termas da Amieira tinham 3 nascentes com um caudal diário de 3.891.888 litros. As águas eram utilizadas no estabelecimento balnear e, após o seu engarrafamento, eram vendidas em todo o país e em África.
Estas águas foram as primeiras no nosso país a ser classificadas como cloretadas. Mereceram prémios em todas as exposições a que concorreram.
A sua radioatividade foi estudada por Constanzo em 1909 e, em 1911, foram analisadas por Lepierre, que lhe atribuiu uma mineralização total de 1002,2 mg/l, com forte presença de cloro e sódio.
Apresentavam na origem 27º de temperatura. Eram posteriormente aquecidas por uma máquina a vapor, a fim de poderem ser usadas nos banhos medicinais.
Na 1ª e 2ª década do séc. XX as Termas da Amieira eram das mais frequentadas do país, com uma média de 1200 a 1300 aquistas por ano (Sarzedas,1907).
Na 3ª e 4ª década do séc. XX a sua frequência reduz-se sistematicamente. O hotel anexo deixa de funcionar e os aquistas hospedam-se na Figueira da Foz. Em 1946 teve 338 inscrições das quais 76 foram gratuitas.
Na década de 60 a decadência das termas era notória e no anuário de 1963 o balneário é classificado “como modesto, do tipo rural”, referindo-se que “a região está presentemente isenta de mosquitos devido à ação das brigadas antissezonáticas de Montemor-o-Velho”.
A empresa exploradora das águas adquiriu uma grande parte dos terrenos palúdicos da região, arborizou-os e cultivou-os de modo a reduzir os insetos, mas considerava que esta arborização deveria ser acompanhada com legislação, “proibindo em absoluto a cultura do arroz numa determinada área daquela região…”.
A razão principal da decadência das Termas é atribuída à cultura do arroz e à abundância de mosquitos, mas a decadência balnear da Figueira da Foz e o surgimento de outras Termas com melhores condições foram decisivas.
As Caldas da Amieira eram propriedade da Companhia das Águas Termais da Amieira, cujo 1º Alvará de Concessão é de 20 de abril de 1893 (publicado no DG, nº 115, de 23-5-1893). Em 1910 ocorre a 1ª transmissão do Alvará (DG, nº 39, de 19-11-1910) e são realizadas obras de renovação. Em 1931 ocorre a 2ª transmissão de alvará (DG, nº 194, 2ª série, de 22-08-1931).
As Termas tinham dois Balneários, um Hotel, uma casa de máquinas, uma cuvete (zona onde se ingere a água), uma capela e bonitos jardins.
Um dos balneários, o de 1ª classe, mais recente, construído em 1910, possuía salas de inalações e pulverizações, duches de agulheta, circulares, vaginais e perineais, banhos de imersão em 27 gabinetes espaçosos com banheiras de ferro esmaltado e uma cabine para irrigações vaginais.
O segundo balneário, de 2ª e 3ª Classe, o mais antigo, construído em 1885, tinha 18 banheiras em calcário e cimento, sala de duche escocês e circular.
Tudo está atualmente em ruínas, pertença da Câmara Municipal de Soure.
A capela, o hotel e o parque formam um romântico conjunto de ruínas, classificado de Interesse Municipal desde 1994.
Valha-nos a construção recente, em 2015, do Palace Hotel & Spa - Termas do Bicanho, bem perto das ruínas das Caldas da Amieira. Tem SPA, piscina dinâmica, 96 quartos twins, 37 duplos e 2 suites presidenciais, restaurante e salões para eventos até 1000 pessoas.
Divulgação do amigo Fernando Curado, figueirense de gema, e sempre atento à Figueira da Foz e arrrdores. 

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Mar à Vista, maré baixa ....


Ora viva.
Hoje vim molhar os pés ao meu Mar, lavar os olhos da minha vista de eleição,
dos meu conta passos de manutenção, rareados, mas com desejo de regressar, não em força nem forçada , mas com a calma que a vida passou a exigir de mim.
A fotografia não é minha, mas do Expresso, a propósito do Imoboliário, preços sem "ponta de vergonha"...
 Abençoada vida para quem já cá estava para viver e formar família, no qual e eu já conto 46 anos . Pérola da linha, onde a língua "oficial" há muito poucos anos, passou a ser português do Brasil e francês .

(fotografia tirada da praia da Azarujinha  para Cascais )

terça-feira, 30 de julho de 2019

800 202 148

Por ser um crime público, a violência doméstica pode ser denunciada por qualquer pessoa. Existem várias linhas de apoio à vítima, entre as quais o 800 202 148, disponível durante todo o ano, 24 horas por dia. A chamada é gratuita.

Mais uma mulher barbaramente assassinada pelo marido/monstro.
Desta, na Madeira e dentro de um ritual "satânico "

Desenho de Picasso

domingo, 21 de julho de 2019



Lisboa
Digo:
«Lisboa»
Quando atravesso — vinda do sul — o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas —
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
— Digo para ver

Sophia M. Breyner 
1977
In Navegações, 1983

Fotografia tirada da Quinta de Almaraz, em Cacilhas

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Vida e morte do professor



Não matava mas amolentava, a vida de professor.
Com os anos, há 15 anos para cá, mata e amolenta . 
Recordo, que no fim de um terceiro período, as nossas caras ficavam de ar enlouquecido de cansaço, as batidas de coração por ansiedade e esgotamento levavam muitos ao hospital com crises de ansiedade. Mas pelo que sei e vejo, os colegas vivem atormentados entre aulas, exames e afogados em burocracia. Também têm doenças e têm que trabalhar numa profissão que não dá tréguas . AFOGADOS. E o afogamento mata.
Penso nos professores que perderam a vida e nos alunos que assistiram a essa perda.

Desenhos de Almada Negreiros

domingo, 14 de julho de 2019

Olhar, pensando que Deus ainda não acabou o mundo ...


"pela primeira vez em nossas letras contemporâneas os Açores acham um artista poderoso para os evocar, sensível para os amar, saudoso para os sentir ",

Escreveu Afonso Lopes Vieira , no prefácio de um livro de Vitorino Nemésio , Paço do Milhafre

domingo, 23 de junho de 2019

Fernando Pessoa e os santos populares , S. João






Excerto de poema a S. João , do livro Os Santos Populares , de Fernando Pessoa, uma apresentação de Yvette Kace Centeno .

desenho de Almada, sem título.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Coisas do sono e da insónia ...

José Saramago fala do sono e da insónia pela voz de uma das personagens do romance "Objecto Quase": "Acordou com a sensação aguda de um sonho degolado e viu diante de si a chapa cinzenta e gelada da vidraça, o olho esquadrado da madrugada que entrava, lívido, cortado em cruz e escorrente de transpiração condensada. Pensou que a mulher se esquecera de correr o cortinado ao deitar-se, e aborreceu-se: se não conseguisse voltar a adormecer já, acabaria por ter o dia estragado. Faltou-lhe porém o ânimo para levantar-se, para tapar a janela: preferiu cobrir a cara com o lençol e virar-se para a mulher que dormia, refugiar-se no calor dela e no cheiro dos seus cabelos libertos. Esteve ainda uns minutos à espera, inquieto, a temer a espertina matinal. Mas depois acudiu- -lhe a ideia do casulo morno que era a cama e a presença labiríntica do corpo a que se encostava, e, quase a deslizar num círculo lento de imagens sensuais, tornou a cair no sono. O olho cinzento da vidraça foi-se azulando aos poucos, fitando fixo as duas cabeças pousadas na cama, como restos esquecidos de uma mudança para outra casa ou para outro mundo. Quando o despertador tocou, passadas duas horas, o quarto estava claro.
Disse à mulher que não se levantasse, que aproveitasse um pouco mais da manhã, e escorregou para o ar frio, para a humidade indefinível das paredes, dos puxadores das portas, das toalhas da casa de banho. Fumou o primeiro cigarro enquanto se barbeava e o segundo com o café, que entretanto aquecera. Tossiu como todas as manhãs. Depois vestiu-se às apalpadelas, sem acender a luz do quarto. Não queria acordar a mulher. Um cheiro fresco de água-de-colónia avivou a penumbra, e isso fez que a mulher suspirasse de prazer quando o marido se debruçou na cama para lhe beijar os olhos fechados. E ele sussurrou que não viria almoçar a casa.
 in Objecto Quase, José Saramago, Porto Editora,  2015 


Lido na revista on line, Isleep , também no FB