domingo, 28 de fevereiro de 2010

Magoando, a Terra vai-se acomodando, mas...

E, porque não também esta "CANÇÃO " de Fernando Pessoa? Data de 1914.

Saber? Que sei eu?

Pensar é descrer.

- Leve e azul é o céu -

Tudo é tão difícil

De compreender!...

A ciência , uma fada

Num conto de louco...

- A luz é lavada -

Como o que nós vemos

É nítido e pouco!

Que sei eu que abrande

Meu anseio fundo?

Ó céu real e grande,

Não saber o modo

De pensar o mundo!

:))

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alerta vermelho...
















Está assim o mar na minha vila.
Os meus olhos salgam de tanto olhar a espuma que se confunde com a neve...
Só que , de tanto bater nas rochas, "estas claras "que em castelo se parecem, perdem a sua brancura para de canela fingirem estar polvilhadas...
É assim quando a força do vento te faz bater.
Foi assim que te vi hoje , querido mar , "desgrenhado"...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"o homem de génio desconhecido" é o mais belo de todos os destinos...

As observações de cada dia , de dias que me deixam algumas angústias, levam -me a estar com Pessoa , e , com um bocadinho de uma sua "CRÓNICA"

«Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade.
A celebridade é um plebeismo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeismo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade. ...»
Excerto de "Crónica" de Fernando Pessoa, 1915, de uma selecção organizada por David Mourão-Ferreira, in «O ROSTO E AS MÁSCARAS"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Apetece-vos coisas sérias????


Está frio. A mente também anda um pouco "congelada"...
Vou sorrindo e o mesmo espero de vós com a pintura de Ronaldo Mendes. Leva-me sempre à infância perdida, à infância dos filhos e aos meus meninos educandos que acompanhei ao longo de 30 anos...
E, veio-me à memória esta canção menineira que tanta vez dramatizámos...:))
Vamos cantar!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Música ...

Cat Power, Wonderwall

Olhares...


As "nossas" amendoeiras... A de Van Gogh e a minha ...
As flores do tempo que passa.
«Acredito cada vez mais que não se deve julgar o bom Deus por este mundo, pois foi um estudo Dele que saiu errado.»
Vincente Van Gogh
Desenho de Alicia, 5 anos
Quando irão poder brincar as crianças do Funchal?
O que posso fazer por elas?
Uhm.... estou preocupada....



sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Pomba Branca, Pomba Branca," chega à Ilha da Madeira...




Max. "Ilha da Madeira"

Pomba branca, pomba branca... Chega depressa à Madeira...

O VENTO

Eu já estou morto, mas tu vives,

Vives ainda, e vem o vento,

Que geme e chora, balouçar

Todas as árvores a um tempo,

Todo o infinito da lonjura,

Como aos veleiros ancorados

Nas águas calmas da baía,

E não é pura diversão,

Nem por furor nem por capricho,

Mas para dar ao teu desgosto

Essa canção de que precisas.

"Versos de Iuri Jivago" O Doutor Jivago









sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bom fim de semana...e, se for caso disso , não percam...



No Museu Calouste Gulbenkian, até 2 de Maio, a exposição A PERSPECTIVA DAS COISAS
A Natureza-Morta na Europa, séculos XVII-XVIII.
Eu adorei. Pela fidelidade de uma realidade que não era comum a todos... a abastança, o prazer do registo, com uma luz irreal, da vida não humana...
Antes de chegar a casa, tive que passar no "Paraíso da Fruta", para comprar as romãs que há dias cobiçava , pela sua cor e brilho... e, olha-las com puro deleite...
São o que eu chamo, momentos de ouro...
«A natureza-morta com uma colecção de objectos preciosos, incluindo pinturas dentro da pintura, revela a rapidez com que este género se tornou um veículo para a ostentação de preciosidades e demonstração da mestria do pintor, tanto nas coisas representadas, como no seu requintado pormenor.
... No caso da natureza -morta de Linard, objectos naturais e de fabrico humano assumem um papel simbólico, representando os cinco Sentidos.»
In, catálogo da exposição

Didier Squiban, "Petit Air Marin"

Tempo (im)perfeito... será?

Vou sendo feliz por aqui...
Não preciso de sair de casa para ver amendoeiras em flor.
Mas, as andorinhas, Senhor, por onde andam elas?...


Léo Ferré, Avec le Temps