segunda-feira, 1 de março de 2010

Para começar o Março, um recado...

De Botero, Banheira para dois


Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar,
Esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo,
porque os corpos se entendem, mas as almas não.


Autor: Manuel Bandeira

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Magoando, a Terra vai-se acomodando, mas...

E, porque não também esta "CANÇÃO " de Fernando Pessoa? Data de 1914.

Saber? Que sei eu?

Pensar é descrer.

- Leve e azul é o céu -

Tudo é tão difícil

De compreender!...

A ciência , uma fada

Num conto de louco...

- A luz é lavada -

Como o que nós vemos

É nítido e pouco!

Que sei eu que abrande

Meu anseio fundo?

Ó céu real e grande,

Não saber o modo

De pensar o mundo!

:))

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alerta vermelho...
















Está assim o mar na minha vila.
Os meus olhos salgam de tanto olhar a espuma que se confunde com a neve...
Só que , de tanto bater nas rochas, "estas claras "que em castelo se parecem, perdem a sua brancura para de canela fingirem estar polvilhadas...
É assim quando a força do vento te faz bater.
Foi assim que te vi hoje , querido mar , "desgrenhado"...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"o homem de génio desconhecido" é o mais belo de todos os destinos...

As observações de cada dia , de dias que me deixam algumas angústias, levam -me a estar com Pessoa , e , com um bocadinho de uma sua "CRÓNICA"

«Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade.
A celebridade é um plebeismo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeismo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade. ...»
Excerto de "Crónica" de Fernando Pessoa, 1915, de uma selecção organizada por David Mourão-Ferreira, in «O ROSTO E AS MÁSCARAS"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Apetece-vos coisas sérias????


Está frio. A mente também anda um pouco "congelada"...
Vou sorrindo e o mesmo espero de vós com a pintura de Ronaldo Mendes. Leva-me sempre à infância perdida, à infância dos filhos e aos meus meninos educandos que acompanhei ao longo de 30 anos...
E, veio-me à memória esta canção menineira que tanta vez dramatizámos...:))
Vamos cantar!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Música ...

Cat Power, Wonderwall

Olhares...


As "nossas" amendoeiras... A de Van Gogh e a minha ...
As flores do tempo que passa.
«Acredito cada vez mais que não se deve julgar o bom Deus por este mundo, pois foi um estudo Dele que saiu errado.»
Vincente Van Gogh
Desenho de Alicia, 5 anos
Quando irão poder brincar as crianças do Funchal?
O que posso fazer por elas?
Uhm.... estou preocupada....



sábado, 20 de fevereiro de 2010

"Pomba Branca, Pomba Branca," chega à Ilha da Madeira...




Max. "Ilha da Madeira"

Pomba branca, pomba branca... Chega depressa à Madeira...

O VENTO

Eu já estou morto, mas tu vives,

Vives ainda, e vem o vento,

Que geme e chora, balouçar

Todas as árvores a um tempo,

Todo o infinito da lonjura,

Como aos veleiros ancorados

Nas águas calmas da baía,

E não é pura diversão,

Nem por furor nem por capricho,

Mas para dar ao teu desgosto

Essa canção de que precisas.

"Versos de Iuri Jivago" O Doutor Jivago









sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Bom fim de semana...e, se for caso disso , não percam...



No Museu Calouste Gulbenkian, até 2 de Maio, a exposição A PERSPECTIVA DAS COISAS
A Natureza-Morta na Europa, séculos XVII-XVIII.
Eu adorei. Pela fidelidade de uma realidade que não era comum a todos... a abastança, o prazer do registo, com uma luz irreal, da vida não humana...
Antes de chegar a casa, tive que passar no "Paraíso da Fruta", para comprar as romãs que há dias cobiçava , pela sua cor e brilho... e, olha-las com puro deleite...
São o que eu chamo, momentos de ouro...
«A natureza-morta com uma colecção de objectos preciosos, incluindo pinturas dentro da pintura, revela a rapidez com que este género se tornou um veículo para a ostentação de preciosidades e demonstração da mestria do pintor, tanto nas coisas representadas, como no seu requintado pormenor.
... No caso da natureza -morta de Linard, objectos naturais e de fabrico humano assumem um papel simbólico, representando os cinco Sentidos.»
In, catálogo da exposição

Didier Squiban, "Petit Air Marin"