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domingo, 19 de junho de 2011
Momentos de ouro... com cheirinhos "abençoados"...
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"Passos da memória"


Eu fiz esta "viagem" há 25 anos. Divertida pelas iniciativas que se desenrolaram à sua volta. Desta vez repetimos pelo prazer e magia do Cabo Espichel e pelo piquenique que se adivinhava. A rematar, umas tortinhas de Azeitão da casa do Cego e a beleza da região...
E, depois, não digam que não há momentos de ouro...
sábado, 18 de junho de 2011
Bom fim de semana ... com alguns momentos de ouro

Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só irá assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos era reservar apenas
para ela o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de dizer mulher(...)
RuyBelo «Na morte de Marilyn» , in Todos os Poemas
E ainda...
Era o momento certo. "
Bert Stren,1962
Exposição que vai até17 de Julho e a não perder de todo.
Para hoje, que é fim de semana, uma estória...


"O diabo fala quase sempre numa língua só dele, chamada diabolês, que ele vai inventando à medida que precisa.Mas, quando está muito zangado, fala bastante mau, embora quem já o ouviu diga que tem um sotaque igualzinho ao da da gente de Dublin."
Esta incursão pela Irlanda e pelos Irish Pubs.. deu-me a oportunidade de contar uma estória de Joyce que fez e continua a fazer as delícias cá da casa numa coleção de livros escritos para crianças mas que faziam o encanto dos pais.. São clássicos da literatura mundial e a editora era a Contexto & Imagem. Ah! E por falar em Irish Pub, não precisa de ir para Lisboa... aqui no burgo, Cascais, há um delicioso e com vista de mar. Sempre...
O Gato e o Diabo
Villers-sur-Mer , 10 de agosto de 1936
Meu querido Stevie:
Mandei-te há dias um gato cheio de doces mas lembrei-me agora que, se calhar, tu ainda não sabes a estória do gato de Linda-a-Gente.
Linda-a-Gente é uma cidadezinha muito antiga que fica numa das margens do maior rio de França. Também é um rio muito largo, pelo menos para a França.

Em Linda-a-Gente é tão largo que, para o atravessar a pé, tinhas que dar, no mínimo, mil pessoas.
Antigamente, a gente de Linda-a-gente, quando precisava de atravessar o rio, tinha que ir de barco, porque não havia ponte nenhuma. E o problema era que nem eram capazes de construir uma, nem tinham dinheiro para a encomendar a alguém de fora.
Ora o diabo, que anda sempre a ler os jornais, ficou a saber deste triste caso; arranjou-see muito bem, e foi fazer uma visita ao Presidentenda Câmara de Linda-a-Gente, Senhor Colombo Queimado.
… Disse que era capaz de fazer a melhor ponte do mundo e que só demorava uma noite. O Presidente da Câmara perguntou-lhe quanto dinheiro é que ele queria para fazer uma ponte assim.
Nem um tostão disse o diabo, só quero para mim a primeira pessoa que passar na ponte,
Negócio fechado, disse o Presidente Câmara.
Anoiteceu. Toda a gente de Linda-a-Gente foi para a cama dormir.
Amanheceu. E quando as pessoas puseram o nariz fora da janela, exclamaram todas:
Santo Deus, que ponte tão boa!
Porque viram uma poderosa ponte de pedra a unir as duas margens tão afastadas daquele rio tão largo.
Toda a gente correu para a ponte e olhou para o outro lado. Ali, na outra ponta da ponte, estava o diabo, à espera do primeiro que atravessasse. Mas, com medo do diabo, ninguém se atrevia atravessar.
No momento em que o Presidente da Câmara chegou à ponta da ponte, todos os homens contiveram a respiraçãome todas as mulheres contiveram a língua.
O Presidente poisou o gato na ponte e, enquanto o diabo esfrega um olho, pás!, despejou-lhe o balde de água todo em cima.
O gato, que estava agora entre o diabo e o balde de água, também não levou muito tempo a decidir-se: deitando orelhas e anos p’ra trás, desatou a correr a toda a velocidade pela ponte fora, indo cair em plenos braços do diabo.
O diabo ficou zangado como o diabo. Gente de Linda-a-Gente! – berrou ele da outra ponte – não são gente nem são nada! São mas é todos uns gatos! Tens medo, meu bichaninho? Anda cá, que vens comigo p´ro diabo! Anda cá, Que vens comigo p´ro diabo!
Anda, vamo-nos aquecer os dois.
E pronto, foi-se embora com o gato.
E, desde então, a gente de Linda-a-Gente passou a ser conhecida como “os gatos de Linda-a –Gente”.
Mas a ponte ainda lá está e há sempre meninos a brincar, e a passear a pé e de bicicleta.
Espero que tenhas gostado desta história .
Vovô
(pena não poder partilhar os belos desenhos)
sexta-feira, 17 de junho de 2011
quinta-feira, 16 de junho de 2011
Joyce e o seu Bloomsday, dia16 de junho, pois...


Traduzo assim S. Tomás de Aquino: há três coisas necessárias à beleza: integridade, harmonia e luminosidade. Correspondem essas coisas às fases da apreensão?
James Joyce
quarta-feira, 15 de junho de 2011
"Três amores e um ódio", assim aconteceu a Jorge Luís Borges


e ela inunda as palavras que pronuncias.
Como esquecer o que não cabia a nós ouvir?
Como esquecer tua voz de paixão,
quando vozes que outrora disseram "eu te amo" foram esquecidas
e a tua nos mantém na escravidão?"
Do poema A la Doctrina de Pásion de Tu Voz, escrito por Borges em 1927
Ao contrário do que se pensavam a maior parte dos seus leitores, Borges era um homem permanentemente atormentado por paixões eróticas e políticas. O livro de Williamson ilumina aspetos pouco conhecidos desse gigante da literatura. Ele mostra que , imerso em um mundo de fantasia, Borges viveu ao longo da vida pelo menos duas paixões reais - dessas que, como diria Nabokov, abrem um clarão na vida e deixam marcas indeléveis na carne. Foram duas mulheres independentes para o padrão de suas épocas, Norah Lange e Estela Canto.Borges, um homem inábil para lidar com os próprios sentimentos, segundo o biógrafo , transparece esse sofrimento para a sua obra.
A vida de Borges é também marcada por um grande ódio, - o que nutria pelo ditador Juan Peron. Ao decompôr a vida do escritor pelo metro das suas paixões - dois amores intensos, um relacionamento de maturidade com Maria Kodoma, sua última mulher, e uma antipatia visceral.
Não nos podemos esquecer de Dona Leonor, mãe de Borges, que queria arranjar alguém para tomar conta do filho... mas isso fica para um outro episódio.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Neste momento a Antena 1 trouxe-me até aqui... é nosso...
O título podia ser :- "A menina dança?"...
-Não obrigada, já tenho par... mas fico a pensar nisso.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
" António, rapaz de Lisboa"... - 1 -
Faz três anos que me iniciei na atividade blogueira e associo-a sempre a este “santo padroeiro” o” António Rapaz de Lisboa”.
Mal dominava as novas tecnologias quando o dono do blogue ANTREUS fez um convite a várias “personalidades” para colaborarem no seu blogue numa via socializante e de partilha. Cada pessoa escolheu o seu” nikname”, eu fiquei “anamar”, até hoje e para sempre.
Essa cooperação existiu prazeirosamente e desafiadora mas ao mesmo tempo fui sendo seduzida e ensinada pelo Antreus a criar o meu próprio blogue, “porque tinha jeitinho”, “sensibilidade” “," o prazer da pintura e da fotografia”, enfim todas as razões para me aventurar mais tarde neste MAR À VISTA que já trouxe mágoas e prazeres mas onde estes últimos são altamente superados. Vidas...
Mas vem esta pequena estória das minhas origens blogosféricas a propósito de uma das muitas escolhas para serem publicadas nessa altura… complicadas, porque longas, mas que fazem parte de um livro que adoro, que penso esgotado, Os Santos Populares, de Fernando Pessoa, com ilustrações de Almada Negreiros e Eduardo Viana, Edições Salamandra.
Mas ao fim de três anos, ei-la, a escolha , aqui postada. Vale a pena ler...
SANTO ANTÓNIO
Nasci exactamente no teu dia —
Treze de Junho, quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esses cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!
Santo António, és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Católico, apostólico e romano.
(Reflecti.
Os cravos de papel creio que são
Mais propriamente, aqui,
Do dia de S. João...
Mas não vou escangalhar o que escrevi.
Que tem um poeta com a precisão?)
Adiante ... Ia eu dizendo, Santo António,
Que tu és o meu santo sem o ser.
Por isso o és a valer,
Que é essa a santidade boa,
A que fugiu deveras ao demónio.
És o santo das raparigas,
És o santo de Lisboa,
És o santo do povo.
Tens uma auréola de cantigas,
E então
Quanto ao teu coração —
Está sempre aberto lá o vinho novo.
Dizem que foste um pregador insigne,
Um austero, mas de alma ardente e ansiosa,
Etcetera...
Mas qual de nós vai tomar isso à letra?
Que de hoje em diante quem o diz se digne
Deixar de dizer isso ou qualquer outra coisa.
Qual santo! Olham a árvore a olho nu
E não a vêem, de olhar só os ramos.
Chama-se a isto ser doutor
Ou investigador.
Qual Santo António! Tu és tu.
Tu és tu como nós te figuramos.
Valem mais que os sermões que deveras pregaste
As bilhas que talvez não concertaste.
Mais que a tua longínqua santidade
Que até já o Diabo perdoou,
Mais que o que houvesse, se houve, de verdade
No que — aos peixes ou não — a tua voz pregou,
Vale este sol das gerações antigas
Que acorda em nós ainda as semelhanças
Com quando a vida era só vida e instinto,
As cantigas,
Os rapazes e as raparigas,
As danças
E o vinho tinto.
Nós somos todos quem nos faz a história.
Nós somos todos quem nos quer o povo.
O verdadeiro título de glória,
Que nada em nossa vida dá ou traz
É haver sido tais quando aqui andámos,
Bons, justos, naturais em singeleza, Que os descendentes dos que nós amámos
Nos promovem a outros, como faz
Com a imaginação que há na certeza,
O amante a quem ama,
E o faz um velho amante sempre novo.
Assim o povo fez contigo
Nunca foi teu devoto: é teu amigo,
Ó eterno rapaz.
(Qual santo nem santeza!
Deita-te noutra cama!)
Santos, bem santos, nunca têm beleza.
Deus fez de ti um santo ou foi o Papa? ...
Tira lá essa capa!
Deus fez-te santo! O Diabo, que é mais rico
Em fantasia, promoveu-te a manjerico.
És o que és para nós. O que tu foste
Em tua vida real, por mal ou bem,
Que coisas, ou não coisas se te devem
Com isso a estéril multidão arraste
Na nora de uns burros que puxam, quando escrevem,
Essa prolixa nulidade, a que se chama história,
Que foste tu, ou foi alguém,
Só Deus o sabe, e mais ninguém.
És pois quem nós queremos, és tal qual
O teu retrato, como está aqui,
Neste bilhete postal.
E parece-me até que já te vi.
És este, e este és tu, e o povo é teu —
O povo que não sabe onde é o céu,
E nesta hora em que vai alta a lua
Num plácido e legítimo recorte,
Atira risos naturais à morte,
E cheio de um prazer que mal é seu,
Em canteiros que andam enche a rua.
Sê sempre assim, nosso pagão encanto,
Sê sempre assim!
Deixa lá Roma entregue à intriga e ao latim,
Esquece a doutrina e os sermões.
De mal, nem tu nem nós merecíamos tanto.
Foste Fernando de Bulhões,
Foste Frei António —
Isso sim.
Porque demónio
É que foram pregar contigo
Fernando Pessoa