sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Bom fim de semana :))

Da Suécia a Lisboa, o nobel da poesia


Lisboa

No bairro de Alfama
os elétricos amarelos
cantavam nas calçadas
íngremes.
Havia lá duas cadeias.
Uma era para ladrões.
Acenavam através das grades.
Gritavam que lhes tirasse
o retrato.

"Mas aqui", disse o condutor
e riu à socapa como
se cortado ao meio,
"aqui estão políticos".
Vi a fachada, a fachada,
a fachada e lá no cimo
um homem à janela,
tinha uns óculos e olhava
para o mar.

Roupa branca no azul.
Os muros quentes.
As moscas liam cartas
microcópicas.
Seis anos mais tarde perguntei
a uma senhora
de Lisboa:
"será verdade ou só um sonho meu"?

TOMAS TRANSTROMER
tradução de Vasco Graça Moura

Desculpem a repetição... mas este ainda é mais completo. As cores deve ser um espanto...


Chaplin, dizia que Georges era "um alquimista da luz".... VER AQUI

Georges Melies - Le Cauchemar

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

"Os crescidos são assim... »

« Desenho de Júlia Costa, 13 anos, de Viseu
Ficara surpreendido a saber uma segunda coisa importante: que o seu planeta não era muito maior que uma casa.
Tal, não me surpreendia. Já sabia que, para além dos grandes planetas como a Terra, Júpiter, Marte ou Vénus, aqueles a que tínhamos atribuído nomes, há centenas de outros, por vezes tão pequenos que até com um telescópio são difíceis de ver. Quando um astrónomo descobre um desses planetas
, o nome que lhe atribui geralmente é um número. Chama-lhe, por exemplo, «asteróide 325». Tenho fortes razões para acreditar que o planeta de onde o principezinho tinha vindo era o asteróide B612. Este asteróide apenas foi avistado uma única vez ao telescópio, em 1909, por um astrónomo turco.
Por ocasião da descoberta, o cientista fez uma grande demonstração num congresso internacional de Astronomia. Mas, devido à forma como estava vestido, ninguém o levou a sério. Os crescidos são assim.»


Excerto do Grande Livro Integral O Principezinho

Hoje, este post, é da amiga Júlia Costa... Saudades. :))

Le voyage dans la lune (version restaurée) - Georges Méliès : extrait n°2


Assim começa , hoje, a Festa do Cinema Francês, no cinema S. Jorge.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

"Outubro " ... do nosso (des)contentamento...

Eternity kiss, de Fritz henle
«Foi o melhor fim-de-semana desde sempre. Sábado e domingo, os dois primeiros dias de Outubro. ....

...

Hoje, se calhar , ainda continua o calor dos trinta graus. Talvez amanhã e tudo. Mas já é Outono avançado e, por muito bom que esteja, é certo que só pode acabar mal.

Assim é com o grande amor. Nunca pode acabar bem. Mesmo que ambos morram ao mesmo tempo, num desastre, será sempre uma tragédia. Assim é com todos os amores que temos: morremos enquanto amamos. Morre quem amamos e, ao mesmo tempo, quem nos amava.

A noção que se tem de tudo ser temporário é sempre fraquinha, acabamos sempre por ser surpreendidos, apanhados.

....

Mas, no fundo de fadas do nosso coração, durante o calor e o vento de sul, espeamos que este Outubro seja diferente, um mês de praia , para nos pagar os dias de praia que perdemos. Pensar no fim do amor é uma dor escusada. É perder tempo. Quando acaba, precisamos de toda a dor que tivermos.»


Excerto de artigo de MEC, Público de hoje.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Fotógrafos do séc. XXI


(clicando aumenta) Fotografia de João Viana
Alerta vermelho em Pombal dá uma fumaça no céu da Figueira da Foz e o laranja reina no mar de prata. Assim foi ontem...
Coisas do fogo.


ERA UMA VEZ disse...
Quando o mar fica da cor da terra
alguma coisa de estranho se passa
Parecem árvores os barcos
e um muro de quinta ao longe

insólita viagem na paisagem
(dá que pensar)
como se o contrário fosse viável
como se a miragem
fosse inevitável

Só o fogo assim devassa
Só o fogo...
Anamar


A poetisa visitante deste Mar, " Era uma vez..." ,fica no lugar que merece depois da sua passagem, no quarto de hóspedes. :))