quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Momentos de ouro de um visionário do futuro...

Aconteceu no dia 6, na Gulbenkian, a homenagem carinhosa a este GRANDE SENHOR da arquitetura portuguesa , Gonçalo Ribeiro Telles. Belos 89 anos.
Foi um dia de puro deleite para os que se juntaram para ouvir as palavras amigas, carinhosas e muito sentidas, proferidas por alunos, colegas de profissão e reitores da Universidade de Évora, aonde Ribeiro Telles instituiu esta licenciatura de "arquitetura paisagista", trazida da Alemanha em 1940 pelo arquiteto Caldeira Cabral.

Falaram do Homem, do político, do professor,do visionário, depoiamentos vários e a apresentação da sua fotobiografia feita pelo seu amigo Fernando Santos Pessoa.

Rabisquei algumas frases atribuidas a RT.

"a cidade cresce para morrer"

"a natureza é a continuação do braço do homem"
"as cheias existem não porque chova muito..."

"pensem com a ponta do lápis" (dizia aos alunos)

"bebam vinho, (Alvarinho) e vejam como desenham melhor..." (quando com os seus alunos fazia visitas de estudo ao Minho)

"na floresta não há só borboletas"


Presentinhos que ainda vão chegando que se confudem com os da época...




quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

"bonjour madame "..." "boa tarde meninos..."






Bom, perdi o texto que escrevi sobre o ensino da Língua e Cultura Portuguesa no estrangeiro e não tenho vontade de reescrever.

Sobre o assunto teria algo mais a acrescentar na medida em que estive no terreno, durante 4 anos, no "Pays-plat", destacada pelo ME. Agora é competência do falido Instituto Camões.

Para melhor vos esclarecer, duas opiniões.

Uma de Francisco Seixas da Costa, "duas ou três coisa" e outra no blogue da Emigração




Leituras ...

Namoro, de Almada Negreiros

Como é que se Esquece Alguém que se Ama?


Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Concurso de Natal 2011 - Camelos do Presépio, na barbearia do senhor Luís


Como vem sendo hábito e prazeiroso, aqui estou e em tempo útil a participar no concurso promovido anualmente pelo senhor Luís da barbearia, aqui.
Depois do empenho de outros concorrentes, sentido que não terei o lugar desejado e tão importante para a minha autoestima resolvi não me agarrar aos "dictons" , "que grande camelo"... "camelos, é o que há mais"... e dar um pouco de intelecto ao concurso, com uma raridade editorial, uma estória de Jacques Prévert, o Dromedário.
Estória de um jovem dromedário que um dia resolveu ir assistir a uma conferência com a sua mãe e se sentiu desagradado e impaciente por não corrresponder ao que ele pensava o que seria uma conferência: não havia música.
Depois , perante uma assistência de homens, mulheres, dromedários e camelos, cansou-se da repetição, de cinco em cinco minutos, do conferencista:
«É importante não confundir os dromedários com camelos, chamo a vossa atenção, minhas senhoras, meus senhores e meus caros dromedários para o facto seguinte: o camelo tem duas bossas, enquanto o dromedário só tem uma!»
Bom ... para abreviar a estória... O jovem dromedário depois de um enorme cansaço e irritação , correu para o estrado, mordeu o conferencista.
«Camelo!»- disse o conferencista irritadíssimo.
E a assistência começou toda a gritar: »Camelo! Sua porcaria de camelo!»
Mas era mentira, porque ele era um dromedário impecável.


CONTEXTO&IMAGEM

Boa noite...

Tens muito que fazer?
Não.
Tenho muito que amar!

Sebastião da Gama

Jean Ferrat : J'arrive où je suis étranger (Louis Aragon)

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não deixem de ver este documentário sobre a Figueira da Foz, de 1930, com um texto delirante e muito ao jeito da época.


Figueira, foi durante muitos anos e com toda a propriedade, a rainha das praias de Portugal.

Hoje.... :(( :((

Contudo, hoje li que o exterior do Casino vai ser completamente remodelado.

Se o "remasterizarem" como fizeram ao filme... todos ganharemos com isso.

Bom para a vista e para o coração.


Óleo de Mário Agusto, pintor figueirense do princípio do séc. XX.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Visita Guiada a Pé: Lisboa Gastronomias do Mundo

Passeio guiado a pé organizado pela "Lisboa Autêntica". Muito obrigado por um dia excelente na companhia dum grupo que mais parecia uma família e pela oportunidade de provar tantos sabores diferentes e deliciosos. Este meu segundo passeio superou mais uma vez as minhas melhores expectativas!O próximo encontro será dia 17 de dezembro, mas desta, serão as tasquinhas de Lisboa.

Estas são as notícias da organização e as palavras de um dos organizadores.