segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Presentinhos ... que partilho

" O que não aconteceu, nunca esteve para acontecer,
e o que aconteceu, nunca esteve para não acontecer"


Teixeira de Pascoaes


Um presente de António Viana a partir de um trabalho seu.


O presente da Manú.
Trabalho de Manuel Sam Payo

MEMÓRIA DE NATAL

Cheira a casca
de laranja
amendoada

A luzes de suspiro
e azevinho

Com estrelas de bainha
pespontada
a crivo de saudade
renda e linho

Cheira a lenha
da memória resgatada
onde as rosas
adormecem de brandura

No vidro
coalhado
de uma jarra

E o vulto da mãe
é seda e asa


Maria Teresa Horta


O presente da Júlia.


Um presente da Zé Guerra.

" o fotógrafo do todo pelo detalhe ou o detalhe pelo todo"

Fotogrfia de Andreas Gursky, Pyongyang, 2007


Primeiro ouvi e agora vi na televisão, num silêncio sepulcral, as lágrimas das gentes da Coreia do Norte, pela morte do presidente Kim Jong-il.

Difícil para mim perceber as lágrimas de luto por um ditador.

As lágrimas de um luto podem ter causas várias mas deixo isso para" psis "... por receio de cair em erros de análise.

AQUI, a fotografia de Gursky que levou 18 meses a negociar com o governo coreano para poder fotografar as festas do Estádio de Maio. Interessante texto.

domingo, 18 de dezembro de 2011

«A minha vida começou bem antes de vir ao mundo, e imagino que prosseguirá sem mim por muito tempo». escreveu Hugo Pratt




O desejo de ser inútil , memórias r reflexões , único livro autobiográfico de Hugo Pratt.


Descendente de uma mistura de franco-ingleses, judeu-espanhóis e turcos, HP, nasceu em 1927 , nos arredores de Rimini, Itália, e passou a maior pate da infância em Veneza. Despertou para a sua vocação na Etiópia, onde descobriu o amor, aprende a desenhar e a detestar o colonialismo. Mergulhou na Veneza libertada do fascismo, embarcou para Buenos Aires, partilhou o tempo entre a B:D:, as viagens e os amigos.Perito na cabala, iniciado no vodu, conhecedor de várias línguas e colecionador de milhares de livros, Hugo Pratt surge-nos neste álbum como um personagem inesperado.






Bem pode ser um presentinho de natal. Para si ou para alguém que goste de aventura.Eu adorei ler este livro...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Bom fim de semana com coisas do Natal

Rosto de Natal

Caiu sobre o país uma cortina de silêncio
a voz distingue o homem mas há homens que
não querem que os demais se elevem sobre os animais
e ao que aos outros falta têm eles a mais
no dia de natal eu caminhava
e vi que em certo rosto havia a paz que não havia
era na multidão o rosto da justiça
um rosto que chegava até junto de mim de nicarágua
um rosto que me vinha de qualquer das indochinas
num mundo onde o homem é um lobo para o homem
e o brilho dos olhos o embacia a água
Caminhava no dia de natal
e entre muitos ombros eu pensava em quanto homem morreu por um deus que nasceu
A minha oração fora a leitura do jornal
e por ele soubera que o deus que cria
consentia em seu dia o terramoto de manágua
e que sobre os escombros inda havia
as ornamentações da quadra de natal
Olhava aquele rosto e nesse rosto via
a gente do dinheiro que fugia em aviões fretados
e os pés gretados de homens humilhados
de pé sobre os seus pés se ainda tinham pés
ao longo de desertos descampados
Morrera nesse rosto toda uma cidade
talvez pra que às mulheres de ministros e banqueiros
se permita exercitar melhor a caridade
A aparente paz que nesse rosto havia
como que prometia a paz da indochina a paz na alma
Eu caminhava e como que dizia
àquele homem de guerra oculta pela calma:
se cais pela justiça alguém pela justiça
há-se erguer-se no sítio exacto onde caíste
e há-de levar mais longe o incontido lume
visível nesse teu olhar molhado e triste
Não temas nem sequer o não poder falar
porque fala por ti o teu olhar
Olhei mais uma vez aquele rosto era natal
é certo que o silêncio entristecia
mas não fazia mal pensei pois me bastara olhar
tal rosto para ver que alguém nascia

Poema de Ruy Belo


Desenho de Júlia Costa

Também gosto do Porto, muito...




Coisas do Natal...

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Momentos de ouro de um visionário do futuro...

Aconteceu no dia 6, na Gulbenkian, a homenagem carinhosa a este GRANDE SENHOR da arquitetura portuguesa , Gonçalo Ribeiro Telles. Belos 89 anos.
Foi um dia de puro deleite para os que se juntaram para ouvir as palavras amigas, carinhosas e muito sentidas, proferidas por alunos, colegas de profissão e reitores da Universidade de Évora, aonde Ribeiro Telles instituiu esta licenciatura de "arquitetura paisagista", trazida da Alemanha em 1940 pelo arquiteto Caldeira Cabral.

Falaram do Homem, do político, do professor,do visionário, depoiamentos vários e a apresentação da sua fotobiografia feita pelo seu amigo Fernando Santos Pessoa.

Rabisquei algumas frases atribuidas a RT.

"a cidade cresce para morrer"

"a natureza é a continuação do braço do homem"
"as cheias existem não porque chova muito..."

"pensem com a ponta do lápis" (dizia aos alunos)

"bebam vinho, (Alvarinho) e vejam como desenham melhor..." (quando com os seus alunos fazia visitas de estudo ao Minho)

"na floresta não há só borboletas"


Presentinhos que ainda vão chegando que se confudem com os da época...