sábado, 9 de março de 2013

"Não posso ficar calada...." Eu também não...


"Como é possível fazer pintura decorativa ou que ignore o que está a acontecer?"GM

"Desastres de Guerra", exposição para ver e que hoje tive o privilégio de o ter feito numa visita guiada pela artista Graça Morais, sua autora, na Fundação Arapad-Szenes- Vieira da Silva.
Momentos de partilha e outros nem tanto, pois o artista nunca consegue ou não quer revelar tudo. 

Seguiu-se um interessante debate com o tema  "Que Guerra é esta?" com participantes de luxo intelectual.
Dia 6 de Abril repetirá e o tema do debate será "E depois da Guerra?", com Adelino Gomes, Viriato Seromenho entre outros.

Em tempos de guerra, trabalhemos a paz , mas não a paz dos cemitérios, mas aquela paz que ajude a evitar a guerra que está à porta e que pode desencadear a qualquer momento e que não se saberá quando pode acabar. A História mostrou-nos isso de 1914 a 1945. Palavras de Guilherme d' Oliveira, um dos oradores.


sexta-feira, 8 de março de 2013

Como sinto o dia 8 de Março....

 
                                         Fotografia de Dorothea Lange , "Mãe emigrante", 1936

Esta fotografia de uma mulher preocupada, com os seus dois filhos que escondem o rosto , tornou-se o símbolo da grande depressão americana.

Esta fotografia, tão atual, poderia representar o rosto de muitas  das nossas mulheres  na enorme depressão que este país vive.

Dia da mulher serve para  mostrar as desigualdades e sofrimento de género.

quinta-feira, 7 de março de 2013

O povo e a poesia....


Era uma vez um banqueiro

a Dona Isabel ligado.
Vive do nosso dinheiro,
mas nunca está saciado.
 
Vai daí, foi a Belém
E pediu ao presidente
que à sua Isabel também
desse um job consistente.
 
E o bom do senhor Cavaco
admitiu a senhora,
arranjando-lhe um buraco
e o cargo de consultora.
 
O banqueiro é o Fernando,
conhecido por Ulrich,
e que diz, de vez em quando,
«Quero que o povo se lixe!».
 
E o povo aguenta a fome?
«Ai aguenta, aguenta!».
E o que o povo não come
enriquece-lhe a ementa.
 
E ela, Dona Isabel,
com Cavaco por amigo.
não sabe da vida o fel
nem o que é ser sem-abrigo.
 
Cunhas, tachos, amanhanços,
regabofe à descarada.
É fartar, que nós, os tansos,
somos malta bem mandada.
 
Mas cuidado, andam no ar
murmúrios de madrugada.
E quando o povo acordar
um banqueiro não é nada.
 
É só um monte de sebo,
bolorento gabiru.
Fora do banco é um gebo,
um rei que passeia nu.
 
Cavaco, Fernando Ulrich,
Bancos, Troikas, Capital.
Mas que aliança tão fixe
a destruir Portugal!


(A propósito da nomeação da mulher de Fernando
Ulrich para assessora de Cavaco Silva. )

Recebi por mail de mão amiga. Não resisti a partilhar...






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quarta-feira, 6 de março de 2013

domingo, 3 de março de 2013

Eduardo Nery, um pintor figueirense, porque aí nasceu em 1934 - 2013





Aqui,  Poderão ver o trabalho em azulejaria de Eduardo Nery, num levantamento simbólico de Rocha se Sousa.
Portugal continua a empobrecer e a vida não se eterniza.

Março proverbial...


Bodas em Março é ser madraço.
Em Março, esperam-se as rocas e sacham-se as hortas.
Em Março, tanto durmo como faço.
Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.
Março duvidoso, S. João farinhoso.
Março, marçagão, manhãs de Inverno e tardes de Verão.
Nasce erva em Março, ainda que lhe dêem com um maço.
Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.
Poda-me em Janeiro, empa-me em Março e verás o que te faço.
Podar em Março é ser madraço.
Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.
Quando Outubro for erveiro, Guarda para Março o palheiro.
Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.
Quem em Março come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.
Quem poda em Março, vindima no regaço.
Sáveis por S. Marcos (25/04), enchem-se os barcos.
Temporã é a castanha que por Março arrebenta.

sábado, 2 de março de 2013

Resumindo....




Até já, "Grândola Vila Morena"...




"É bom centrarmo-nos e, sobretudo, citando o nosso maestro Victorino de Almeida, não deixarmos que Portugal se torne numa espécie de cão abandonado que lambe as mãos do primeiro que lhe der qualquer coisa para comer. Merecemos ser muito mais que isso, haja dignidade, coragem, inteligência e solidariedade de facto. Isto está só a começar, o rumo da locomotiva está nas nossas mãos", lê-se.

Sei, que o Rafael hoje com 23 anos de idade, está  DESEMPREGADO. 
Finalmente, soube deste meu aluno, do Paulo Renato, da Xana e outros mais. 
Desempregados. Não imaginávamos esta situação quando na freguesia  do Castelo comemorávamos os 25 anos da Revolução dos Cravos.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um poema que não me saiu da cabeça...



Há uma água lustral e sôfrega de sal
que inunda este país baixo
das canções de Brel, ninho de eurocratas
que desenham a Europa com régua e esquadro
e a vendem na moeda única, última,
da sua ignorância de quase tudo. Pobres
de nós, europeus da palavra que amotina
mesmo quando parece unir e pacificar.
Pobres de nós que somos irmãos cúmplices
de Emile Verhaeren, filho de Ankers,
de Rimbaud e de Verlaine matando-se
de paixão e desconsolo num quarto de aluguer,
de Baudelaire pondo-se ao abrigo
dos detractores, dos credores, dos medíocres,
de Huysmans buscando editor atrevido
para uma obra sem mercado,
de Victor Hugo, disfarçado de senhor respeitável,
evadindo-se de um Paris em tumulto.
Acorda agora,  Bruxelas, para esta memória
que não se vende nem se compra
na moeda única dos teus cálculos de deve
e haver. País baixo é o que se agacha
ante o esquecimento. Convoca de novo os poetas
 e dá-lhes as cadeiras sem história
dos teus diligentes e euroviajantes deputados.
A poesia, podes crer, é outra coisa. É outro mundo.

José Jorge Letria. "Amotinando poetas em Bruxelas", do livro ONDE SE LÊ EUROPA
Este poema veio no Expresso de 23 de Fevereiro de 2013