“Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.”
“Em Abril águas mil.”
“Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.”
“Abril molhado, sete vezes trovejado.”
“Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.”
“Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.”
“Em Abril cada pulga dá mil.”
“Quem em Abril não merenda, ao cemitério se encomenda.”
“Tarde acordou quem em Abril podou.”
“Em lua de Abril tardia, nenhum lavrador confia.”
“Vinha que rebenta em Abril, dá pouco vinho para o barril.”
“O vinho e Abril é gentil.”
“No princípio ou no fim, Abril é ruim.”
“O grão em Abril, nem por semear nem nascido.”
“Sáveis por S. Marcos (dia 25) enchem os barcos.”
“Não há mês mais irritado que Abril zangado.”
“Inverno de Março e seca de Abril deixam o lavrador a pedir.”
“Quem em Abril não varre a eira e em Maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.”
“Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.”
“Abril, Abril, está cheio o covil.”
“Não há mês mais irritado do que Abril zangado.”
“No princípio ou no fim, costuma Abril a ser ruim.”
“Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.”
“Em Abril queima a velha o carro e o carril.”
“Em Abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.”
“Em Abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.”
Desenho de Cipriano Dourado
CCB | 22 de Março | das 11h às 18h30
Entrada Livre
« Já não Escreverei Romances
Já não escreverei romances
Nem contos da fada e o rei.
Vão-se-me todas as chances
De grande escritor. Parei.
Mas na chispa do verso,
Com Marga a aquecer-me,
Já não serei disperso
Nem poderei perder-me.
Tudo nela é verbo e vida;
Xale, cílio, tosse, joelho,
Tudo respinga e acalma.
Passo, óculos, nada é velho:
Quase corpo, menos que alma.
Já não lavrarei novelas,
Ultrapassado de ficto:
A vida dá-me janelas
A toda a extensão do dicto.
Mas sem elas, mas sem elas
(As suas mãos) fico aflito. »
Vitorino Nemésio, in "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga"
Entrada Livre
« Já não Escreverei Romances
Já não escreverei romances
Nem contos da fada e o rei.
Vão-se-me todas as chances
De grande escritor. Parei.
Mas na chispa do verso,
Com Marga a aquecer-me,
Já não serei disperso
Nem poderei perder-me.
Tudo nela é verbo e vida;
Xale, cílio, tosse, joelho,
Tudo respinga e acalma.
Passo, óculos, nada é velho:
Quase corpo, menos que alma.
Já não lavrarei novelas,
Ultrapassado de ficto:
A vida dá-me janelas
A toda a extensão do dicto.
Mas sem elas, mas sem elas
(As suas mãos) fico aflito. »
Vitorino Nemésio, in "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga"