sexta-feira, 4 de abril de 2014

ei-los que partem...1949-2014

Memória descritiva
Sul
O Sul não existe.
E ninguém o explicou melhor que Montalbán.
Terá sido inventado pelos povos do Norte, e posto à venda pelas agências de viagens.
Também não fui indiferente ao Sul.
Mesmo que ele não fosse mais do que uma palavra.
Ataviei-me de cores e de cheiros minuciosamente elaborados na Beira, e parti para o Algarve.
O Sul.
Cedo me dei conta de que havia
mais sul a Sul.
Mas apenas transpus o Estreito, seguindo a rota delineada pelos profetas da minha geração.
Paradoxalmente, esse outro Sul, a sul das praias de Tarifa, apenas me devolvia ao Norte.
Neste caso, o de África.
Os labirintos sempre me fascinaram, mas eu preferia mil vezes partir à procura do fim do arco-íris, do que decantar os vasos comunicantes do horizonte.

[Longe do mundo; frenesi, 2004]


Palavras de Jorge Fallorca que  partiu para um mundo sem livros...  AQUI, ou não?

terça-feira, 1 de abril de 2014

Nem o povo já ordena e o proverbial Abril se cumprirá.... Veremos.

“Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.”
 “Em Abril águas mil.”
 “Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.”
 “Abril molhado, sete vezes trovejado.”
 “Abril chuvoso, Maio ventoso e Junho amoroso, fazem um ano formoso.”
 “Uma água de Maio e três de Abril valem por mil.”
 “Em Abril cada pulga dá mil.” 
“Quem em Abril não merenda, ao cemitério se encomenda.”
 “Tarde acordou quem em Abril podou.”
 “Em lua de Abril tardia, nenhum lavrador confia.” 
“Vinha que rebenta em Abril, dá pouco vinho para o barril.”
 “O vinho e Abril é gentil.”
 “No princípio ou no fim, Abril é ruim.”
 “O grão em Abril, nem por semear nem nascido.”
 “Sáveis por S. Marcos (dia 25) enchem os barcos.”
 “Não há mês mais irritado que Abril zangado.”
 “Inverno de Março e seca de Abril deixam o lavrador a pedir.”
 “Quem em Abril não varre a eira e em Maio não rega a leira, anda todo o ano em canseira.”
 “Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.”
“Abril, Abril, está cheio o covil.”
“Não há mês mais irritado do que Abril zangado.”
“No princípio ou no fim, costuma Abril a ser ruim.”
“Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.” 
“Em Abril queima a velha o carro e o carril.”
“Em Abril, lavra as altas, mesmo com água pelo machil.”
“Em Abril, vai onde deves ir, mas volta ao teu covil.”


Desenho de Cipriano Dourado

domingo, 30 de março de 2014

O meu amor gostas de flores...

                                                                    Beneath My Feet
                                                              1929 de Ivan Albright


Se não gostasse, seria um amor-imperfeito.
Se fosse( im)perfeito, não seria o meu amor...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Outras vidas... Regressão?


«Portugal, anos 70 do Século XX, não gostaria de voltar a este País,mas infelizmente estamos cada vez 

mais perto.."

Palavras de Alfredo Cunha, fotografias também, anos 70.
Agora vos digo. Assim era a minha escola em 1974, sem luz e alguma água.
Alunos, eram 42. Ainda hoje me questiono do que fiz e como, neste meu 1º ano de trabalho em 1973/74, bem perto de Peniche. Só sei que aprendi à minha custa...


domingo, 23 de março de 2014

Desta janela de ar e ansiedade

 podemos ver compor-se a primavera
lentamente por cima das casas

Gastão Cruz, Sustenido-2
As minhas fotos, Belém

sábado, 22 de março de 2014

Bom fim de semana



Hoje, quem sabe,se  este sol enganador primaveril nos dá un soleil couchant  de tons outonais como este que aqui vos deixo, com os desejos de bom fim de semana e uma sugestão
.DIA MUNDIAL DA POESIA
CCB | 22 de Março | das 11h às 18h30
Entrada Livre

« Já não Escreverei Romances


Já não escreverei romances
Nem contos da fada e o rei.
Vão-se-me todas as chances
De grande escritor. Parei. 

Mas na chispa do verso,
Com Marga a aquecer-me,
Já não serei disperso
Nem poderei perder-me.
Tudo nela é verbo e vida;
Xale, cílio, tosse, joelho,
Tudo respinga e acalma.
Passo, óculos, nada é velho:
Quase corpo, menos que alma.
Já não lavrarei novelas,
Ultrapassado de ficto:
A vida dá-me janelas
A toda a extensão do dicto.
Mas sem elas, mas sem elas
(As suas mãos) fico aflito. »

Vitorino Nemésio, in "Caderno de Caligraphia e outros Poemas a Marga
"



sexta-feira, 21 de março de 2014

Olhares com poesia...


Ontem andei a fotografar a Primavera já instalada e despedir-me do Inverno. 
Por aqui, todas as estações do ano são belas, mas o Outono e a Primavrera, deslumbram.

Hoje é o dia Mundial da Poesia... Sinto-lhe o cheiro através da audição... Metáfora? Claro. Maior metáfora da vida que a dos poetas e sua poesia?
Olhem, é só a minha opinião...

Escolho hoje um poeta amigo, apesar de virtual, mas muito querido, que podem visitar AQUI.


UMA FLOR VERMELHA NAS PAREDES DO CAIS

Não sei quem és
mas pelos gestos vieste por bem
rasgar o vento com as mãos
a neve dos meus cabelos
e eu cansado de florestas apócrifas
das palavras em bando
comecei a plantar árvores
vi os pássaros regressarem
em acordes
a luz das noites que não dormem

na partilha de horizontes
o amor é revolucionário
voa nos mastros mais altos
garatuja búzios de sons
intervém por causas
muito para lá das utopias
e se levanta resiste
ao pôr do sol
mesmo que os barcos entristecidos
estilhacem
nos espelhos da água
algumas pedras com vida por dentro

registo por um instante
o ar que se move

pinto com a boca
na tua boca

uma flor vermelha
nas paredes do cais

Eufrázio Filipe, também poeta

Fotos, Jardim dos Passarinhos, Monte Estoril