quinta-feira, 4 de setembro de 2014

olhares....



setembro no Jardim das Amoreiras

                          La Bataille des Coteaux, tapeçaria de Portalegre, 1981, de Vieira da Silva


"A Tapeçaria de Portalegre na obra de Vieira da Silva" continua em exposição no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva. Pela primeira vez são apresentadas em conjunto todas as tapeçarias de Vieira da Silva realizadas na Manufactura de Tapeçarias de Portalegre (excepto a obra Êxodo). Aproveite o último mês para ver estas obras impressionantes e para saber mais sobre a excepcionalidade da técnica das Tapeçarias de Portalegre.

Fundação  Arpad/ Vieira da Slva. Atenção à enorme programação.

domingo, 31 de agosto de 2014

agosto a arder, setembro a beber....*

E se esta ano o tempo der o dito por não dito como tem feito até aqui ?
*agosto proverbial.

O povo anda a perder a razão. Já nem se queixa muito.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

olhares emprestados...


Amo e sou amada.
Tenho tudo e também um quase nada.
E, quando te vejo, sinto-me como o velho ditado

An apple a day keeps the doctor away

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

sábado, 23 de agosto de 2014

Rir é viver profundamente (*) . Riam pois...


E, bom fim de semana.
O trivial cada vez está mais trivial. Já nada nos surpreende pela positiva a não ser que os estrangeiros andam por aí em massa e, que,  os franceses , em médias massinhas vão vindo para ficar...
Soyez  bienvenus.

(*)Milan Kundera

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Vista de mar...

Fotografia de João Viana, praia da Figueira da Foz
Há muito que não dá notícias fotográficas....e não só. Sei que o seu tempo fotográfico é mais o inverno. Aguardemos pois.

Há muito


Há muito que deixei aquela praia
 De grandes areais e grandes vagas
          Mas sou eu ainda quem na brisa respira
                     E é por mim que espera cintilando a maré vaza

Sofia de M. Breyner

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

sábado, 16 de agosto de 2014

gaivotando o meu olhar...




mesmo aqui à porta de casa numa espécie de vida de marinheiro....

Amiga amor amante eu morro
da vida que me dás todos os dias

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Amores de verão.... "quero que sejas minha".

Casa onde viveu Jorge de Sena , Figueira da Foz *
....
   Afastámo-nos rindo. E foi ainda com esse riso na boca que a Mercedes tornou a perguntar-me: - Mas que hei-de eu fazer?
   O riso que continuava absurdo nos cantos da sua boca, quando os olhos fitos em mim já se marejavam de lágrimas, enfureceu-me:
   - Faz o que quiseres e deixa-me em paz - e comecei a andar em direcção às barracas.
   Ela veio correndo, após ter ficado gelada com a minha fúria:
   - Jorge, não me abandones.
Bairro Novo,  a rua do casino

..


Ele levantou-se devagar, e, ao afastar-se, ainda olhou para trás com desconfiada malícia.

   - O que é que ele está a pensar de nós? - disse ela.

   Eu puxei-a para dentro da barraca. Ela resistiu: - Olha que nos vêem - e, ouvindo-a, foi que reparei que, na barraca ao lado, as senhoras já não estavam. 
  - Que vejam, que toda a gente nos veja - e apertei-a com força contra mim.
   Ela separou-se violentamente, e ficou meia curvada, no canto da barraca, como um animal acossado. Quando me aproximei, deixou-se cair sentada no chão. e ergueu para mim um rosto lacrimoso:-  Que queres que eu faça? Eu gosto tanto de ti, oh, como eu gosto de ti!
   - Quero que sejas minha.
   - Mas eu  hei-de ser.
   - Hoje.
Praia da Figueira da Foz
...
Evitei atravessar o Bairro Novo, e fui passeando pela cidade, mergulhado numa incrível bem aventurança. No pasmo de ser possível uma bem aventurança assim. Andava, e era como se, ao mesmo tempo, não visse as ruas nem as pessoas, e as ruas e as pessoas existissem para que eu, de felicidade, as não visse, mas elas sentissem a alegria que irradiava de mim. Tinha sido tão extraordinário! E tão simples também. Eu nunca imaginara, nem mesmo em sonhos, que o amor pudesse ser uma plenitude tal. Nunca sentira, nem mesmo nos momentos de maior satisfação, nada de semelhante à sensação de total domínio, que fora a minha ao possuí-la. E tinha sido, ao senti-la estremecer e gemer comigo, como se a virgindade dela se tivesse refeito, precisamente quando  e porque eu a possuía.

                            Excerto do livro de Jorge de Sena, Sinais de Fogo

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Tenho uma enorme ternura por este livro de Jorge de Sena.  O prazer vem não só da narrativa , mas da vivências dos anos trinta na Figueira da Foz, não serem muito diferentes das minhas, pela minha memória,  que se vai para fins dos anos 50 e anos 60.  Adolescente.
A Figueira era um ícone como estância balnear, vivida durante 3 meses, que acolhia gente de Lisboa e Linha de Cascais, as famílias tradicionais das Beiras, espanhóis de Salamanca, numa mescla de tradição e conservadorismo aliada à irreverência dos jovens e dos estrangeiros do sul e norte da Europa. Uma dor de cabeça para nós , "as portugas", preteridas pelas loirinhas brancas, que de livre e alegre vontade de entregavam aos corpos dos adónis.
Os amores de verão....

* A 1ª fotografia mostra a casa onde viviam os tios de JORGE DE SENA, e onde este passava féria. Está em enorme degradação. Ali viveu uma professora primária e,
Eu, na Figueira da Foz em 1953/4(?)
dentro do muro que se vê, foi onde fiz a escola primária e a casa onde viveu a grande republicana e democrata, Drª Cristina Torres.