quarta-feira, 26 de novembro de 2014
terça-feira, 25 de novembro de 2014
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
"E agora José?"
![]() |
| Felix Vollotton, "Money", 1898 |
JOSÉ
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Joaquim?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Carlos Drummond de Andrade ANDRADE, C. D. Poesia até agora. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1948.E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Joaquim?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?
Leituras breves
sábado, 22 de novembro de 2014
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Grata aos amigos reais e virtuais...
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| Pintura de Felix Volloton, "Jantar à luz" |
... Sempre gentis, fazendo-me sentir ainda mais viva.
Pensei pela manhã, quando vi que a página do Google me era dedicada, lembrando o meu aniversário , que os que vivem sós, por opção ou por rejeição, ou porqué "é a vida!", mas quase sempre num enorme desconforto, podem ser "estimados" pelas vias sociais das redes.
O dia foi caloroso. Bem comido, bem regado e adocicado. A minha Mãe, do alto dos seus 86 anos, orgulhosa e encantada pela sua mesa redonda estar toda preenchida.
Mais logo será um outro dia e o desejo que tudo se repita para o ano, mas aí, já com o pequeno Gabriel, que vem a caminho...
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Leituras breves
"Só ao envelhecermos nos damos conta da singularidade do belo e do milagre que efectivamente é quando entre as fábricas e os canhões também desabrocham flores e quando entre os jornais e boletins da bolsa ainda sobrevivem poemas."
Hermann Hesse, in O Elogio da Velhice
efeméride... cinema
terça-feira, 18 de novembro de 2014
"é a vida"..., diz João Luís Oliva. E é verdade...
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| JoãoLuís Oliva, Centro Cultural de Tondela e Maria do Céu Guerra lendo textos |
![]() |
| Lançamento do seu livro |
É um homem rico de ideias e amigos.
Em dezembro será apresentado em Lisboa na LER DEVAGAR .
"... uma política cultural que se preocupe em alargar
a geografia e a eficácia social das manifestações artísticas,
em lugar de des-centralizar o centro, deve contribuir para des-concentrar os pólos de criação e
produção; isto é, multiplicar os centros e, então, possibilitar a itinerância e troca entre eles.
Uma política sem navegação à vista e sem disponibilização avulsa de meios e recursos..."
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
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