Serra de Ossa , Alentejo
estes homens
abrem portas
do sol nascente
José Manuel Mendes
quinta-feira, 4 de junho de 2015
segunda-feira, 1 de junho de 2015
Perdoar...
Perdoar o tudo e o nada. Não perdoar é mais difícil. Nunca sei do perdão a medida, porque nunca sei do pecado o objecto.
Uma lira e uma harpa, uma deusa toda nua que dedilha as sedosas cordas. Só assim entendo esta música. Uma música que nunca morre. Ouvem-se os cânticos e tudo está perdoado. Há um órgão calado, que espera mais solenes ocasiões. O êxtase final.
Passeiam-se corpos por igrejas despedidas. Milagres de beleza encantada. Mulheres vindas das terras onde só o belo é permitido, cantam com vozes que não parecem de cá. As velas ardem tementes. Nem um único santo nos altares. Apenas deusas pagãs.
Perdoar o quê. Quem somos nós para perdoar o que quer que seja. Somos a imperfeição acabada e sempre perdoada.
Uma lira e uma harpa, uma deusa toda nua que dedilha as sedosas cordas. Só assim entendo esta música. Uma música que nunca morre. Ouvem-se os cânticos e tudo está perdoado. Há um órgão calado, que espera mais solenes ocasiões. O êxtase final.
Passeiam-se corpos por igrejas despedidas. Milagres de beleza encantada. Mulheres vindas das terras onde só o belo é permitido, cantam com vozes que não parecem de cá. As velas ardem tementes. Nem um único santo nos altares. Apenas deusas pagãs.
Perdoar o quê. Quem somos nós para perdoar o que quer que seja. Somos a imperfeição acabada e sempre perdoada.
EA(Reino de Valencia) 2015-151Jorge C Ferreira.
Job, e a luta contra a impaciência .
![]() |
| Pintura de William Blake, de Satã torturando Jó |
Pedir para ter paciência de Job, é pedir o limite, o céu.
Pedir paciência de Job, em determinadas circunstâncias da vida, é pedir o impossível . Daí ser uma metáfora, quiçá, consoladora...
AQUI
sábado, 30 de maio de 2015
sexta-feira, 29 de maio de 2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
quarta-feira, 27 de maio de 2015
será que...? olhares
Será que pela hera passou, uma folha não apanhou, porque do seu amor não se lembrou?
Talvez o olhar se tenha fixado mesmo no correr desta água cristalina, nascida da terra, onde a pureza do afeto se faz sentir.
Coisas do ar puro...
sábado, 23 de maio de 2015
Olhares seguidos de leitura breve. Bom fim der semana
Poema à Mãe
No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
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eu sei que traí, mãe
Tudo porque já não sou
o retrato adormecido
no fundo dos teus olhos.
Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.
Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.
Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.
Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.
Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!
Olha — queres ouvir-me? —
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal...
Mas — tu sabes — a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber,
Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.
Boa noite. Eu vou com as aves.
Eugénio de Andrade, in "Os Amantes Sem Dinheiro"
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quinta-feira, 21 de maio de 2015
"ouver"
quarta-feira, 20 de maio de 2015
terça-feira, 19 de maio de 2015
lembranças no tempo mas fora do espaço, mas no tempo das cerejas...
Alguém que já foi da família faz hoje anos.
Nascido quase um pouco antes de meados do séc. XX, no tempo em que as coisas fora do tempo eram muito pouco prováveis e caras. As cerejas.
Mas a mãe do "neófito", ao longo da vida e com passagem de testemunho para quem lhe passou a tomar conta do "rebento", tinha que comprar sempre neste dia , cerejas. Eram caras, muito caras e encontrá-las nesta altura do ano , em cidade de província, como era uso apelidar as cidades fora do contexto da capital, não era tarefa fácil. Mas elas apareciam. havia um certo magnetismo entre quem as procurava e as recebia e só assim o ciclo do tempo ficava completo.
Vidas.
Nascido quase um pouco antes de meados do séc. XX, no tempo em que as coisas fora do tempo eram muito pouco prováveis e caras. As cerejas.
Mas a mãe do "neófito", ao longo da vida e com passagem de testemunho para quem lhe passou a tomar conta do "rebento", tinha que comprar sempre neste dia , cerejas. Eram caras, muito caras e encontrá-las nesta altura do ano , em cidade de província, como era uso apelidar as cidades fora do contexto da capital, não era tarefa fácil. Mas elas apareciam. havia um certo magnetismo entre quem as procurava e as recebia e só assim o ciclo do tempo ficava completo.
Vidas.
segunda-feira, 18 de maio de 2015
"duas lições"
LIÇÕES
Duas lições:
- aprender a agarrar ( a lição mais óbvia)
- aprender a largar (a mais difícil).
Quanto tempo consegues... antes de largar?
Qual o tempo mínimo entre os momentos de agarrar e de largar?
Conseguir agarrar nas coisas como se agarra no fogo. Largar no momento em que se agarra, no exacto momento. Conseguir tratar os objectos assim.
O pior: antes de agarrar, largar. Ou seja: desistir.
O tédio e a impaciência.
Nada me satis
faz (não quero continuar a agarrar nada, o desejo de continuar a agarrar não existe) - tédio.
Impaciência: quero sempre agarrar outra coisa, quero sempre a próxima queimadura -
para que a dor que outro objectos
acontecimentos me prometem apague
elimine a dor de agora, a dor actual.
Gonçalo M: Tavares , Breves Notícias Ficcionais ( notícias de homens)
Duas lições:
- aprender a agarrar ( a lição mais óbvia)
- aprender a largar (a mais difícil).
Quanto tempo consegues... antes de largar?
Qual o tempo mínimo entre os momentos de agarrar e de largar?
Conseguir agarrar nas coisas como se agarra no fogo. Largar no momento em que se agarra, no exacto momento. Conseguir tratar os objectos assim.
O pior: antes de agarrar, largar. Ou seja: desistir.
O tédio e a impaciência.
Nada me satis
faz (não quero continuar a agarrar nada, o desejo de continuar a agarrar não existe) - tédio.
Impaciência: quero sempre agarrar outra coisa, quero sempre a próxima queimadura -
para que a dor que outro objectos
acontecimentos me prometem apague
elimine a dor de agora, a dor actual.
Gonçalo M: Tavares , Breves Notícias Ficcionais ( notícias de homens)
domingo, 17 de maio de 2015
deixo-vos um verso
a amada nas altas montanhas
o amador ao rés das águas
HERBERTO HELDER
Poemas Canhotos (últimos poemas saídos postumamente)
o amador ao rés das águas
HERBERTO HELDER
Poemas Canhotos (últimos poemas saídos postumamente)
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