segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

domingo, 17 de janeiro de 2016

Boa noite e boa semana

Pedido de Casamento, de Ronaldo Mendes

Povoamento

No teu amor por mim há uma rua que começa 
Nem árvores nem casas existiam 
antes que tu tivesses palavras 
e todo eu fosse um coração para elas 
Invento-te e o céu azula-se sobre esta 
triste condição de ter de receber 
dos choupos onde cantam 
os impossíveis pássaros 
a nova primavera 
Tocam sinos e levantam voo 
todos os cuidados 
Ó meu amor nem minha mãe 
tinha assim um regaço 
como este dia tem 
E eu chego e sento-me ao lado 
da primavera 

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates" 

sábado, 16 de janeiro de 2016

Ofereço um verso... O fim de semana está aí

Pintura naif de Ronaldo Mendes, pintor de Minas Gerais, que tem hoje a sua "vernissage" numa galeria alemã.

Ela trazia amor nas suas mãos

                                                                                Ruy Belo, Despeço-me da Terra da Alegria

domingo, 10 de janeiro de 2016

"Eu aposto em Sampaio da Nóvoa". Eu também , Professor, e cada vez mais...

Eu aposto no Sampaio da Nóvoa. Não é por ele ser um dos "nossos", dos académicos. Não. É por ele ver a política com os olhos de quem não esgotou nela a sua vida, de quem esteve de fora, embora por dentro - e bem, e inteligentemente, e de forma informada e culta - dos problemas sociais e políticos com que a política lida. A Maria de Belém sempre esteve "de dentro", bem de dentro dessa política do centrão que hoje a generalidade das pessoas tem como esgotada. É por isso que não se dá conta de que o seu currículo não é um ativo, mas o seu principal problema, um passivo, e eventualmente tóxico. Como também não se dá conta que aqueles rodriguinhos dos politicões já não dizem nada às pessoas. Por exemplo, ela acha que as pessoas não percebem a essencial relação que a sua candidatura tem com o incómodo que causa à direita do PS a nova abertura à esquerda e, sobretudo, a percepção de que o tempo da "velha política" está em profunda crise. A MBH pode mobilizar todos os recursos do politiquês, mas toda a gente percebe o evidente. Nem sequer estou a dizer que ela nos quer enganar. Não, ela é que está mesmo muito enganada.

(retirado do FB, e escrito por António Hespanha)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Ler um conto e ouvir Carmina Burana. O dia está a pedir isso mesmo. Bom fim de semana... O possível...


"nas minhas viagens eu mudei". Lindo conto de Kafka

Um ano antes da sua morte, Franz Kafka viveu uma experiência incomum. Andava pelo parque Steglitz em Berlim e conheceu uma menina que chorava desconsolada, tinha perdido a sua boneca.
Kafka ofereceu-se para ajudar a procurá-la e marcou encontro no dia seguinte no mesmo sítio.
Incapaz de encontrar a boneca escreveu uma carta por ela.
"Por favor, não chores, fui viajar para ver como é o mundo, escrevo para te contar as minhas aventuras...", assim começava a carta.
No dia seguinte, encontram-se e ele lê-lhe a carta descrevendo cuidadosamente as aventuras imaginárias da boneca amada.
A criança foi sendo consolada por vários dias, quando os encontros chegam ao fim, Kafka dá-lhe uma boneca de presente.
Esta era, obviamente, diferente da original e trazia uma nota em anexo a dizer: "…nas minhas viagens eu mudei."
Muitos anos depois, a menina cresceu e encontrou uma nota dobrada dentro da boneca.
Resumindo dizia: “…tudo aquilo que amas é provável vires a perder, mas no fim o amor transforma-se numa forma diferente."
Kafka e a boneca

(via Ana Salta, no FB)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

"45 anos", uma vida. E....

no fim a dúvida ficou. A teoria do ser "unico/a", pode cair por terra. Ao fim de um ano, dez, trinta, ou 45 anos. Uma das teorias mais duvidosas na vida. Tão duvidosa como a "do filho único"ou "vários filhos". Amarei todos por igual ou cada um por aquilo que vale, valeu ou valerá?
Nem a música e letra do " Smoke Get in your Eyes", em dia de festa lhe dissipou a tristeza e a dúvida.
Cinema é a vida e o que também está para lá dela.
Filme a não perder.
"Tédio" de Felix Vallotton, 1890