quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
a vida e o frio com arte...
domingo, 14 de fevereiro de 2016
para além de "o grito", também houve "o beijo" . "amo sobretudo às vezes" *
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
ditos e datas, 11 de fevereiro...
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016
olhares... e não só
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016
. O que um escritor nos dá não são livros. O que ele nos dá, por via da escrita, é um mundo. Mia Couto
«Cartas a Sandra» representa um hino ao amor numa toada filosófica que abre ao leitor perspectivas muito interessantes sobre o tema e a muitos outros que com este se relacionam - amizade, ciume, sexo, e tudo o mais que concerne às coisa do Amor.Li este livro, em 1996, Maio. Li de uma assentada, antecedido de" Para Sempre. "A 5 de Maio desse ano morre o meu pai. A 8 a 9 ofereci o livro a minha mãe, pelo amor tão belo que sempre os vi viver. Ele tinha 71 anos, a minha mãe fará 88 na próxima quinta feira. A solidão não é palavra que se lhe encaixe, sempre bem acompanhada ou com ela própria. E, eu não parti como a Xana.
Excerto
Julgo, aliás, que o amor, não bem o erotismo, foi por fim uma espécie de Valor que lhe redimia a vida inteira, ou, como ele dizia, qualquer coisa em que pudesse repousar a cabeça. Num tempo em que nada valia nada, surgia-lhe assim, sobretudo no fim da vida, uma forma de a justificar, como outros a redimem com a agitação política ou mesmo desportiva, que eram, segundo ele, um modo menor de a si mesmos se iludirem.(...) O amor é tão monótono, querida. Porque ele é o cimo sensível de uma imensidade de coisas que se esqueceram. Como falar desse mínimo que é o vértice de todo um mundo que o sustenta? Falar de nada, que é o todo nele? Sandra. Podia dizer o teu nome infinitamente na multiplicação do que nele me ressoa. E é assim o que mais me apetece, dizê-lo dizê-lo. E ouvir nele o maravilhoso que me abala todo o ser. Poderia escrever o teu nome ao longo do que escrevo e teria talvez dito tudo. Mas eu quero desse tudo dizer também o que aí se oculta. Dizer o meu enlevo e a razão de ele me existir. As tuas mãos nas minhas. O incrível miraculoso de eu dizer o teu rosto. O ardor de um meu dedo na tua pele. Na tua boca. O terrível dos meus dedos nos teus cabelos. O prazer horrível até à morte da minha entrada no teu corpo.
domingo, 7 de fevereiro de 2016
leituras breves e profundas...
"Porquê? Para quê? Economiza os teus "porquês" e "para quê". Ou utiliza-os só até onde houver resposta."
Virgílio Ferreira
Virgílio Ferreira
sábado, 6 de fevereiro de 2016
bom fim de semana
ESCRITO NA PEDRA
“Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins” Jean Jacques Rousseau
(Jornal Público de hoje)
Fotografia de Nicolas Muller, 1939, Porto
Uma mega exposição de fotografias suas estão expostas no Centro Cultural de Cascais. A não perder.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
porque há dias assim... (poema completo)
NOS DIAS TRISTES NÃO SE FALA DE AVES
Nos dias tristes não se fala de aves.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.
Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
Liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.
Nos dias tristes é Inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento e diz-se
- bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.
Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2016
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
"Gravíssimo attentado contra a família real" - 1 de fevereiro de 1908 . E, viva a República.
A problemática do
tiranicídio (e do regicídio) moderno surgiu crescentemente ligada a uma
filosofia da história secularizada, cujo sentido optimista teria remover os
obstáculos ao seu percurso progressista, sobretudo porque se acreditava que,
por essência, ou por razões sociais injustas mas ultrapassáveis, todo o poder
era despótico.
Daí que o seu executor aparecesse como um justiceiro
animado pelo que ele (ou o grupo em que se integrava) achava ser o imperativo
inscrito no devir histórico, logo, como um revolucionário cheio de pressa para
que o futuro
chegasse mais cedo. Heroicidade que lidava mal com os
reformismos
|
ou
com os movimentos que colocavam o motor da transformação social num sujeito
anónimo e colectivo, condenando a violência individualizada. Filho do modo
romântico de encarar a revolução, o tiranicida dos finais do século XIX e
princípios de Novecentos irrompeu como um herói individual, embora
justificasse a sua acção por valores universais e redentores, fosse a pátria,
o oprimido, ou toda a humanidade escravizada pela exploração e pelo
sofrimento. Com isso, porém, o seu acto fazia-se acompanhar pela simultânea
individualização da responsabilidade pelo opressivo transcurso da história.
Compreende-se, assim, que, mesmo quando ideologicamente o não era, os
seus protagonistas se movimentassem numa mitologia de fundo anarquista e
mesmo, em casos mais radicais, niilista. Horizonte que ganhou particular
relevo a partir das últimas décadas de Oitocentos, e que impulsionará uma
espécie de onda que submergiu reis,
imperadores, ministros e presidentes de repúblicas, desde a Rússia, os EUA, a
França, a Itália, a Espanha, até, entre outros locais, Portugal e o Império
Austro-Húngaro. E se, na Antiguidade, o tiranicídio era desculpabilizado em
nome da restauração da ordem natural da pólis,
e se, na justificação teológica, se matava em nome de Deus e da pátria
celeste, com a Revolução Francesa e com as suas apropriações anarquistas e
patriótico-nacionalistas posteriores, o considerado como déspota era
executado por quem pensava estar a cumprir uma missão resgatadora, agindo,
assim, como juiz único da razão e do tribunal da história.
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Retirado da página de FB , de A textos e pretextos de Fernando Catroga
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