sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

cheguei ao fim do livro...

Merz Schwitters, composição amontoada, 1947
Sozinho,  nunca sei iniciar uma jogada, mas se outro me passar a bola, às vezes consigo marcar golo.
É que Maia ainda é ingénua, enquanto, a mim, a idade tornou-me sábio. E se sabes que és um perdedor, o único consolo é pensar que todos. à tua volta, são uns vencidos, mesmo os vencedores.
....

Maia, restitui-me a paz, a confiança em mim mesmo, ou, pelo menos, a calma desconfiança no mundo que me rodeia. A vida é suportável, basta conformarmo-nos. Amanhã ( como dizia Scarlett O'Hara - outra citação, e sei, mas renunciei a falar na primeira pessoa e deixo só falar os outros) é outro dia.

A ilha de San Giulio voltará a brilhar ao sol.

in, Número Zero, de Umberto Eco, pag, 162, 163

domingo, 21 de fevereiro de 2016

"a Escrita"... bom domingo

A Dúvida, a Solidão, logo... a Escrita

Na vida, chega um momento - e penso que ele é fatal - ao qual não é possível escapar, em que tudo é posto em causa: o casamento, os amigos, sobretudo os amigos do casal. Tudo menos a criança. A criança nunca é posta em dúvida. E essa dúvida cresce à sua volta. Essa dúvida, está só, é a da solidão. Nasce dela, da solidão. Podemos já nomear a palavra. Creio que há muita gente que não poderia suportar o que aqui digo, que fugiria. Talvez seja por essa razão que nem todos os homens são escritores. Sim. Essa é a diferença. Essa é a verdade. Mais nada. A dúvida é escrever. É, portanto, também, o escritor. E com o escritor todo o mundo escreve. É algo que sempre se soube. 
Creio também que sem esta dúvida primeira do gesto em direcção à escrita não existe solidão. Nunca ninguém escreveu a duas vozes. Foi possível cantar a duas vozes, ou fazer música também, e jogar ténis, mas escrever, não. Nunca. 
Marguerite Duras, in "Escrever" 
Desenho de Maria Helena Vieira da Silva, 1949

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

leituras breves...

Will Barnet (1911 - 2012),
ESCRITO NA PEDRA

“Todos os homens são sensíveis enquanto espectadores. Mas todos os homens se tornam insensíveis quando actuam”
 Alain (1868-1951), ensaísta e filósofo francês. 

Em Jornal Público de hoje
*perdi o rasto do nome do autor do quadro, mas pertence á série de" mulheres com gatos"
* adenda. Mão amiga deixou o nome do autor da pintura. Obrigada, Majo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

mas eu não tenho gato....

Fernand Léger, 1948, "Mulher com um gato"
AS LIÇÕES DOS GATOS
Há um gato para tudo. É um princípio da existência, uma das poucas verdades da vida. Entra-se numa farmácia e lá está um gato na prateleira das latas de leite para bebé. Não se mexe. Não responde às provocações. Nem sequer dá pelo nome próprio, caso os tímpanos dele estranhem a voz de quem o chama.
“Ele porta-se muito bem”, gaba a farmacêutica. “Nunca a deixou ficar mal”, esclarece a Maria João. A farmacêutica interrompe o trabalho para agradecer e confirmar o atestado: “Nunca!”
O gato, majestático tanto na indiferença à conversa como no tédio perante mais aquela reiteração das qualidades dele, levanta ainda mais um grau o nariz, como se isso não fosse geometricamente impossível.
O gato está preparado para o mundo. E é suficientemente aristocrático para esperar o tempo que for preciso para o mundo preparar-se para a preparação dele.
Há no lobby do Algonquin Hotel em Manhattan uma gata chamada Matilda tão mimada que tem nojo às festinhas, embora consinta uma ou duas, por saber o valor que as pobres pessoas como nós atribuem àquele prazer. É uma das poucas cedências que faz às fraquezas humanas. Vale a pena googlar “The Legend Behind The Algonquin Cat” para ficar com uma ideia do pouco que falta para os felinos felizes reconquistarem o respeito do qual em boa hora gozaram junto dos egípcios, que sabiam quem adorar.
Não há na minha vida um único dia que não possa ser salvo pelo conhecimento dum gato, seja através do prazer de conhecê-lo, seja pelos conhecimentos que me transmite.
ARTIGO DE OPINIÃO DE MIGUEL ESTEVES CARDOSO, NO PÚBLICO DE HOJE
   



terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

a vida e o frio com arte...

Pieter BruegelThe Hunters in the Snow , 1545

Monthly cycle, scene: The Hunters in the Snow (January)
Música da Flandres, séc. XVI