domingo, 9 de abril de 2017

Leituras que me deixam bem disposta. Breves, mas boas.

               
 Bela prosa que só hoje li,  de José P. Pereira. Até vou para o sol mais bem disposta.

"É por isso que, se eu fosse o nosso secretário de Estado que teve com ele uma altercação, tinha levado para a circunspecta reunião o seu iPad ou iPhone, e punha-o a tocar uma música, como se fosse o hino nacional dos países do Sul, embora ela tinha sido escrita bastante mais para o Centro-Norte da Europa. E diria, olha lá ó Presidente, sabes como se chama esta música? Repara em cada palavra, copos, mulheres e música. “Vinho, Mulheres e uma Canção” (Wein, Weib und Gesang) de Johann Strauss é uma muito conhecida e popular valsa cujo título deriva de um adágio muito comum em várias línguas e que diz mais ou menos isto “quem não gosta de vinho, de mulheres e de música permanece um imbecil a vida toda”.   

Crónica completa, aqui.              

sábado, 8 de abril de 2017

As palavras dos outros.... Bom fim de semana

Não sei o que vocês vêem

Mas eu vejo sempre
Franklin Roosevelt a levantar-se
da cadeira de rodas
E Winston Churchill a discursar
no Parlamento britânico
E Bertold Brecht a dizer
'nunca digas que é natural,
para que nada possa parecer imutável'

E Jack Kerouac a atravessar a América
E 'when a man loves a woman',
na voz de um preto nítido
e de um branco insurrecto
E 'obviamente demito-o'!
Não sei o que vocês vêem
de tão natural assim
no horror das bombas e das demissões
de ser decente
Mas eu tenho para mim
que é preciso uma outra gente
bailados de Bob Fosse
e canções de Ute Lemper
Perdemos tempo no delta do Mekong
quando tínhamos o Tejo tão perfeito
E até o Ebro em desembarque
e as saias das dinamarquesas quando dançam
Ficámos parados
onde avançam sempre realidades
Há dois mil anos que temos
as fadas, as musas e as deusas todas
Falta realizá-las
(Márcio Alves Candoso)

Agradeço ao Márcio Candoso o post deste dia. Retirado do FB.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

O mundo de Paula Rego está aí....

Paula Rego fotografada pelo seu filho, no seu ateliê em Londres.

Ler AQUI , jornal Expresso Diário.


Os quadros de Paula, são mesmo para serem vistos numa casa própria. 

Eles ganharam esse espaço em Cascais, Casa das Histórias de Paula Rego.
Pelo que tenho acompanhado da sua pintura, sempre senti " loucura" , "depressão", "educação", "relações": Estórias, que não seriam sempre lendas, mas narrativas da sua própria vida.
Pelo que tenho lido nas conversas e entrevistas na última semana, sou levada a pensar, que para além da grande desenhadora que é , a sua pintura corresponderá a um, penso logo existo ou existo porque penso?
Pintar, tem sido a sua própria existência e essa existência foi sempre bem mais dura do que era sabido. Catarse e engajamento .
Gosto de ir ver os trabalhos de Paula. Anseio por sábado para ver o filme realizado pelo filho, no local certo . Casa das Histórias. 
Cá em casa, se eu pudesse ter uma obra de PR, teria que ser muito bem escolhida.... Não dá para todos os dias de contemplação.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"as manhãs de Abril são boas para dormir" (provérbio)


De Almada Negreiros
Lentamente vou-me chegando até vós.
Esquecidos, não estão os que por aqui vão passando. 
Só adormecidos....

segunda-feira, 27 de março de 2017

Leituras breves, olhares atentos...

"Vale de Alcantara", 1956, de João Hogan


Que fazemos, Lisboa, os dois aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
A. O´Neill E de Novo, Lisboa...

sábado, 25 de março de 2017

Não há sábado sem sol....

Na vidraça do meu quarto
Parece que alguém chorou
Com saudades de partir


De António Botto

(metereologia do Expresso de hoje)
Imagem do FB

terça-feira, 21 de março de 2017

Para os amigos poetas e os que vivem com alguma poesia

Nem o abstracto nem o concreto
       São propriamente poesia.
                Poesia é outra coisa.


Vitorino Nemésio , Arte Poética

Série “Quatro Estações”,  a Primavera ,obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Da Primavera à Poesia...

"Arbustos na primavera" (1925). Paul Klee 

Amanhã é o Dia Mundial da Poesia. Não se devia fazer mais nada nem dizer mais nada nem pensar em mais nada senão em Poesia. A Poesia devia andar nas ruas, nos bairros, nos prédios, nas empresas, nos bancos, no parlamento, no Governo e na oposição. A Poesia não caça, não enche os bolsos, não serve para troca de favores nem para pagar a conta da mercearia. A Poesia é subversiva, mesmo quando parece compostinha. A Poesia descobre o futuro, muito antes de os viventes saberem onde anda o futuro. A poesia é para comer, como disse Natália Correia, dirigindo-se a todos os subalimentados do sonho.


Portugal tem muitos e muitos excelentes poetas. Passados, presentes e futuros. Conhecidos ou desconhecidos, mundanos ou incógnitos. Em Portugal fez-se, faz-se e vai continuar a fazer-se excelente poesia. Há editoras que só editam poesia. Não é tão corajoso, tão desafiante? Como se vive de sonhos? Como se mastigam os sonhos? A que sabem os sonhos?

Expresso Curto, hoje, Nicolau dos Santos, também poeta.

olhares...


sábado, 18 de março de 2017

Memoria.... "Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós


...
Eu não ponho flores neste cemitério.
Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos.

Belíssima crónica de Clara Ferreira Alves, no Expresso de hoje. 
Os nascidos depois do 25 de Abril ou poucos anos antes, não sabem esta História.

Fotografias de Alfredo Cunha