quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Natália Correia, 94 anos e 2 dias .

"Tertúlia", Natália  Correia, Fernanda Botelho, Maria João Pires, de Nikias Skapinasakis, !974



"cremos que nesta Antologia se faz prova de um progressivo desanuviamento das repressões que compeliram o Instinto a desobturar-se nos esconsos do verbo fescenino, que se vai atenuando à medida   que o amor é assumido em todo o genuíno  pulsar da sua  essência global de espírito e de carne "

Natália Correia

Novembro de 1965

Excerto do prefácio , ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA

Abram as luzes, p.f.

Momentos há na vida que a escuridão assola de uma forma violenta e muito triste os neurónios dos afectos . 
Saudades das saudades e da convicção que eu tinha que o Sol estava onde eu quisesse. 
Aconteceu, e eu não esperava.


(Trabalho de Mat Collishaw, série Ludo. Projecto artístico em que apresenta a reinterpretação de um candelabro barroco)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

100 anos e um dia.... Violeta Parra




"Graças à la vida", por mais que o desejo fosse de enorme longevidade, existiu Violeta Parra, pintora, cantora e mulher de vanguarda , que não resistiu , quem sabe , às contrariedades da vida e dos amores...
Ontem faria 100 anos. Ontem fizeram 50 anos que decidiu deixar o mundo.

Ontem também gostaria de ter falado do Chile de Allende . De um amor de vida, Renato Pavel, refugiado chileno a viver entre nós, um braço de ajuda de Salvador Allende e que também tragicamente nos deixou em 1989/90 . Também pintava.
Das obras de Violeta , só procurei o nome do ultimo quadro."O Inocente".Apesar de ter mais de 50 anos vou adoptá-lo para lembrar o 11 de Setembro de 1973.
No CCB vão passar a filha e neta de VP. 
O ADN sempre a funcionar. 
Dia bom a quem passa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Pensamento para a semana . Que seja boa.













"Se tens um jardim e uma biblioteca tens tudo o que precisas."


                                        Marco Túlio Cícero 

















Vieira da Silva, Autoretrato

sábado, 9 de setembro de 2017

Sempre com vista de mar ...


Tempo de mudança.
Escolas e escolinhas abrem as portas. Criançada vai para outras lides .
 E ainda bem que o tempo vai mudar para as botas poderem calçar...
Mar à Vista muda a sua roupagem , mas sempre com vista de mar . 
Bom sábado.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Hoje dou-te um verso.... bom fim de semana

Gravura do séc. XVIII, água forte.



(adeus palavras, sonhos de beleza,
montanhas desoladas da infância
        donde tudo se via: a alegria
e a cegueira do que se não via:)

Manuel António Pina, Farewell Happy Fields

(excerto)

Olhares.... (desta , para o passarinho...)

De tudo me lembro, menos do fotógrafo .
Sei que por aí num canto de qualquer álbum tenho fotografia(s) tirada(s) em cima do cavalinho de pasta de papel.
Era assim nas praias de Portugal, neste caso Figueira da Foz, mas hoje em dia eles continuam a surgir de forma revivalista.
Também  era bonita a cidade no principio e meados do séc. XX . A nossa Biarritz  portuguesa que o mau gosto que assolou a cidade fez questão de destruir. 
Há vestigios.

(foto surripiada a Fernando Curado , via FB, um divulgador da Figueira da Foz antiga)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Entre férias e pós férias. Leituras matinais.

Lugar às férias…
Nem é preciso rever a filmografia de Jacques Tati para nos divertirmos com o paradoxo das férias de Verão. É ver tantos portugueses direitos às zonas mais congestionadas do Algarve, frequentando praias cheias, engarrafamentos, discotecas iguais às de Lisboa ou do Porto e acotovelando-se com as mesmas pessoas que encontram no resto do ano.

Por alguma razão os monarcas lusos eram senhores do reino de Portugal e dos Algarves. Para quem queira uns dias diferentes, o Parque Nacional da Peneda Gerês tem muito para oferecer. Não há praia mas há cascatas, trilhos de montanha, piscinas naturais e uma paisagem que, apesar de tudo, não diverge muito da descrita por Miguel Torga nos anos 20.


Não temos todos que ter os mesmos gostos mas, para quem se sinta tentado pelo Gerês, sugiro a Casa dos Bernardos, a meio caminho entre Santa Maria do Bouro e Terras do Bouro, onde mais facilmente ouviremos os chocalhos do gado que um telemóvel a tocar, até porque a cobertura de rede não é famosa.

… e à leitura

Falar de paisagens não desfiguradas pelas perversões do turismo de massas dá vontade de reler o “Guia de Portugal”, essa monumental obra em oito volumes, produzida entre 1924 e 1969, primeiro sob a direcção deRaul Proença e depois de Sant’anna Dionísio.


Em 1995 no Expresso editámos o nosso próprio Guia de Portugal de que alguns leitores ainda se recordarão. Não tinha a escala da obra em boa hora editada pela Fundação Gulbenkian (e agora também existente na versão ebook) que teve entre os seus colaboradores figuras da dimensão de Orlando Ribeiro, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e tantos outros.


Mas o Guia Expresso de Portugal foi, apesar de tudo, marcante e acrescentou à descrição de sítios e monumentos sugestões práticas de percursos rurais ou urbanos, a pé ou de viatura e mil e uma sugestões em matéria de gastronomia, alojamentos, artesanato, feiras e romarias, etc. Nasceu de uma conversa entre o então director do Expresso José António Saraiva e eu próprio. O resto da história sabem-na os leitores mais fiéis.


Durante estas três semanas de férias reli pela enésima vez um dos meus livros favoritos, escrito por um outro Raul, neste caso Raul Brandão: “Os Pescadores”.


Não me canso da descrição da velha Foz do Douro, da ida dos poveiros para a faina ou dos pescadores algarvios que não tinham medo de nada, menos das bruxas. E eram as suas mulheres que, alta noite, os levavam ao barco, esconjurando à força de archotes medos ancestrais capazes de bloquear homens que não receavam ventos do Levante e ondas de cinco metros. Um livro existente em múltiplas edições de bolso e a preços simpáticos.



Excerto de crónica de Rui Cardoso, editor , no Expresso Curto de hoje.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

São pernas, senhores....*

As pernas são as nossas "rodas", isto é, os instrumentos que nos transportam à volta ao mundo. Consequentemente, o simbolismo que lhe está associado é a velocidade.

*(que já viveram melhores dias.... ou nunca ouviram falar no síndrome das pernas inquietas?)

Pintura de Giacomo Balla, 1912

sábado, 12 de agosto de 2017

bom fim de semana e boas férias

A meus filhos 
desejo a curva do horizonte.

António Osório

Tenho os olhos azuis de tanto os ter
lançado ao mar

Maria do rosário Pedreira



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

"sem História e sem memória não pode haver futuro" (uma forma de regressar pouco a pouco)


Desenhar para Nunca mais Esqecer
(programa que passou na RTP2, 6 de Agosto e a não perder)

"O que aconteceu com as crianças que se deitaram no berço errado? Perguntou o artista austríaco Manfred Bockelmann. Nascido em 194, ele embarcou numa missão: desenhando os seus rostos ele quer retirar do esquecimento as inúmeras crianças que que foram assassinadas na Alemanha nazi.
E veio-me à memória a ainda não acabada de ler entrevista de de Arundahati Roy, indiana, ao Expresso desta semana. Querm poderá vir a desenhar os rostos das crianças maltratadas e assassinadas na Índia?
Quantos anos terão que passar? 
Haverá fotografias?

Nem o programa na TV nem a entrevista de Roy, podem ser desperdiçadas. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Pausa, que não de férias, mas também ... Se gostam de Corto Maltese, surpreendam-se

Ler texto todo AQUI

Pausa neste Mar .... Até que a vontade me volte .
Boas férias a quem passa e um enorme abraço . tão grande como Corto....
Parece que Mitterrand, perguntado sobre que personagens o impressionavam ou o seduziam, apontava para Corto Maltese. Matreirice, seria uma imitação mais elegante, mas escassamente menos narcísica, de um De Gaulle que afirmava que só temia a concorrência da popularidade de Tintin. Cada um vinha do seu tempo e, se ambos sobreviveram com um “perfume de lenda”, como escreve Umberto Eco sobre Corto, o facto é que foi Hugo Pratt quem marcou a imaginação que trespassa as fronteiras do espaço e da imaginação. Por isso, Corto Maltese é o herói moderno que sobrevive à sua contemporaneidade.
Talvez as pistas sobre este marinheiro maltês, filho de uma cigana de Sevilha e de outro marinheiro perdido, que nasceria em 1887 e cresceria no bairro judeu de Córdoba, ou seja, sem pátria, assistindo depois às guerras inaugurais do novo século, estejam por aí espalhadas: Italo Calvino participara na preparação de um guião de um filme, “Tikoyo e o tubarão” (1962, Folao Quilici), sobre uma criança que fala com o seu amigo tubarão, e horizontes oníricos desse tipo foram sendo explorados por muitos autores (veja-se a “Balada” ou “Mu”); e, evidentemente, a literatura de viagens aventurosas, de Rimbaud a Jack London, povoara a juventude de Hugo Pratt. Pratt, aliás, cresceu na Etiópia, viveu em Buenos Aires e Veneza, e sobretudo, percorreu as fábulas em que se mistura com Corto, a que dá forma no dia 10 de julho de 1967, com “A Balada do Mar Salgado” – fez agora cinquenta anos.

domingo, 16 de julho de 2017

Entre a arte e a solidariedade, bom domingo

Fotografia de Ana Baião
Fotogaleria para ser vista AQUI   e texto de importância para amantes de fotografia e o prazer de ser solidário.

(Público de hoje)