segunda-feira, 18 de novembro de 2019
domingo, 17 de novembro de 2019
Os homens.... "E agora José ?"
Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?
Guimarães Rosa
Fotografia do Público /Fugas
sábado, 16 de novembro de 2019
terça-feira, 12 de novembro de 2019
Talvez assim tenha nascido o nome do grande romance .... «Sinais de Fogo" , centenário de Jorge de Sena

Acendi um cigarro. Onde iria jantar? Não me apetecia comer. Apetecia-me fugir. Para onde e porquê? E, de repente ouvi dentro da minha cabeça uma frase: «Sinais de fogo as almas se despedem, tranquilas e caladas, destas cinzas frias.» Olhei em volta. De onde viera aquilo? Quem me dissera aquilo? Que sentido tinha aquela frase?Tentei repeti-la para mim mesmo: «Sinais de fogo... » Mas esquecera-me do resto. Com esforço reconstituía a sequência: »Sinais de fogo os homens se despedem, exaustos e espantados, quando a noite da morte desce fria sobre o mar.» Não tinha sido aquilo. Não era aquilo. E que significava? Seriam versos? Repeti mentalmente: «Sinais de cinza os homens se despedem, lançando ao mar os barcos desta vida». Novamente as palavras eram outras, ou quase as mesmas mas diversamente. Tirei um papel do bolso, e escrevi: »Sinais de fogo os homens se despedem lançando ao mar os barcos desta vida». Reli o que escrevera. E depois? Olhei o mar que escurecia , com manchas claras que ondulavam largas. Os barcos iam pelo mar fora, e nalguns havia lanternas acesas. Porquê? »Nas vastas águas...» Nas vastas águas... Era a absurdo. Eu fazendo versos? Porquê? Amarrotei o papel e deitei-o fora. Mal amarrotado, ele foi descendo num voo balanceante, até que posou numa rocha. Aí, vacilou, aquietou-se, e, numa reviravolta súbita, deixou-se cais para o meio das pedras e sumiu. Era quase noite escura. Voltei para a cidade.
in, Sinais de Fogo, pág. 153/154
Mas quantas personagem /s encontro que ainda fizeram parte da minha adolescência, quanto mais não fosse por interpostos familiares.
E, como já tenho escrito a Figueira da sua adolescência era diferente da minha infância e puberdade...
32 anos nos separam e tardiamente descobri Jorge de Sena e só em 2012 li Sinais de Fogo. Hoje raleio com outro olhar e sigo lhe os passos ... Afinal os caminhos dele também foram os meus em meados do séc. XX . Quase de certeza que a a casa onde passava férias, Rua Fernandes Coelho, estaria ligada a uma escola primária que frequentei . A casa está lá ao abandono.
Em relação ao tio , que tinha sido tropa e era professor num colégio.
Mas o cómico é ele exigir, tu sabias? , que a gente o trate por senhor tenente. Fica uma fera quando alguém o trata por »professor», por «senhor doutor». Responde logo que doutor ele é da mula ruça, mas que ~e mais competente que os lentes de Coimbra. O doutor Carvalho que é lente de Coimbra, esse às vezes diz-lhe, meio sério e meio a brincar, que ele devia tirar o curso de matemática.
Pág. 148
Ora este DR. Carvalho a que se refere Jorge de Sena, de certeza que é o Professor Doutor Joaquim de Carvalho (aqui), lente na Universidade de Coimbra até Salazar o deixar....
Livro com 662 paginas. Não tenho pressa.
segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Canção de Outono
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...
Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
Cecília Meireles
Perdoa-me, folha seca,
não posso cuidar de ti.
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?
E não pude levantá-la!
Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.
Perdoa-me, folha seca!
Meus olhos sem força estão
velando e rogando aqueles
que não se levantarão...
Tu és folha de outono
voante pelo jardim.
Deixo-te a minha saudade
- a melhor parte de mim.
E vou por este caminho,
certa de que tudo é vão.
Que tudo é menos que o vento,
menos que as folhas do chão...
sábado, 9 de novembro de 2019
Inquietação ...
"Manet recusa-se a juntar os elementos para contar uma história e é a falta de narrativa, o mistério, que inquietam.”
sexta-feira, 8 de novembro de 2019
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Júlio, "pintor da candura"
Júlio dos Reis Pereira.
Irmão de José Régio. Júlio dos Reis, também poeta, usando pseudónimo de Saul Dias, mas anulado pela poética de seu irmão. Sobressaiu na pintura.
Foi hoje para mim uma descoberta .
Pintor da candura, artista duma iconografia simbólica por onde as meretrizes irradiam pureza e se denuncia caricaturalmente a grosseria «burguesa», na qual há músicos e vadios irmãos da noite, Júlio criou um universo que traz o melodrama à ironia, o populismo da feira ou do circo a uma qualidade diferente de graça musical, leve e éterea, mozarteana até.
Frenando Pernes
in«Tanto de Quase Nada... »
Catálogo da Exposição Retrospectivade Júlio.
Fundação Calouste Gulbenkian, 1979
Ler mais AQUI
terça-feira, 5 de novembro de 2019
"o silêncio da pedra"
Por detrás da sombra
da pedra
por baixo da sombra
da pedra
por baixo por detrás
do silêncio
da pedra
o silêncio da pedra
da pedra
por baixo da sombra
da pedra
por baixo por detrás
do silêncio
da pedra
o silêncio da pedra
António Ramos Rosa
Pintura de João Hogan, 1973, sem título
As tentações segundo as tentações ...
Em 1974, José Luís Porfírio , director do Museu de Arte Antiga, numa abertura ímpar e com o cheiro a cravos de Abril , expôs numa sala as Tentações de Santo Antão, de Hieronymus Bosch e convidou vários artistas com intervenções programadas e interpretações do dito tríptico . Eu, por afinidade familiar com um artista convidado participei nesse inesquecível evento e aí conheci o maravilhoso e tímido João Hogan .
Hã coisas inesquecíveis mas que passam de memória...
Procurando um trabalho de Hogan, apareceu-me o seu tríptico, "The Temptations " de Santo Antão.
Uma beleza.
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