quarta-feira, 22 de julho de 2020

Viva a cultura

A Sesta, de Almada Negreiros, 1939

Cultura e Civilização

Uma mesa cheia de feijões.
O gesto de os juntar num montão único. E o gesto de os separar, um por um, do dito montão.
O primeiro gesto é bem mais simples e pede menos tempo que o segundo.
Se em vez da mesa fosse um território, em lugar de feijões estariam pessoas. Juntar todas as pessoas num montão único é trabalho menos complicado do que o de personalizar cada uma delas.
O primeiro gesto, o de reunir, aunar, tornar uno, todas as pessoas de um mesmo território é o processo da CIVILIZAÇÃO.
O segundo gesto, o de personalizar cada ser que pertence a uma civilização é o processo da CULTURA.
É mais difícil a passagem da civilização para a cultura do que a formação de civilização.
A civilização é um fenómeno colectivo.
A cultura é um fenómeno individual.
Não há cultura sem civilização, nem civilização que perdure sem cultura.

Almada Negreiros, in "Ensaios"


sexta-feira, 17 de julho de 2020

Correm ou fogem ?...



   O tempo escalda e eu deliro...
Praia aqui ao lado, mas fujo dela.
Ah, precisava de  perder quilinhos adquiridos no confinamento, caminhar, não correr, mas não, fico em casa tranquila , estimando os meus amores, lendo os meus autores, esperando dias não caniculares . Ou seja, melhores dias.  Não suporto o calor e não sou obrigada a andar nele. Só emergências e outras exigências neste novo modo de viver, "o novo mundo" do corona 19.
   A quem vai passando desejo umas boas férias ou um tempo estival a vosso gosto e maneira. 

Imagens Pinterest

sábado, 11 de julho de 2020

segunda-feira, 29 de junho de 2020

Boa semana a quem passa



«Vivemos como sonhamos - sozinhos... »

«estava escrito que seria fiel ao pesadelo da minha escolha »

Joseph Conrad, O Coração das Trevas

terça-feira, 23 de junho de 2020

O tempo está de feição ...


Aqui, diante de mim,,
Eu, pecador me confesso,
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Miguel Torga, Livro de Horas

sexta-feira, 12 de junho de 2020

"Às vezes ouço passar o vento; e só de ouvir o vento passar, vale a pena ter nascido."

ESCRITO NA PEDRA

 Assim como lavamos o corpo devíamos lavar o destino, mudar de vida como mudamos de roupa 

Fernando Pessoa (1888-1935), poeta português , nascido a 13 de junho *


Fernando Pessoa, de Almada Negreiros, 1954

*Lido no jornal Público de hoje

quinta-feira, 11 de junho de 2020

" A minha pátria é a minha Língua"

De Nikias Skapinakis, Paisagem - Bandeira Portuguesa, 2009



Que eu cante o peito ilustre Lusitano,
A quem Neptuno e Marte obedeceram.
Cesse tudo o que a Musa antiga canta, 
Que outro valor mais alto se alevanta.


Luís Vaz de Camões, Os Lusíadas