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Memórias...(1)


"As Meninas", de Sara Afonso
Recorrentemente, como quase com toda a gente, vêm nos à memória poemas da infância.
De Augusto Gil, a minha mãe obrigou-me a decorar "O passeio de Santo António" e a " Balada da Neve". Era preciso treinar a memória ...
Quando faz frio ou há barulhos suspeitos... lá vem...


Batem leve, levemente,
Como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é certamente
E a chuva não bate assim...


É talvez a ventania;
Mas há pouco , poucochinho,
Nem uma agulha bulia
Na quieta melancolia
Dos pinheiros do caminho...


Quem bate assim levemente,
Com tão estranha leveza
Que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, não é gente,
Nem é vento com certeza.


Fui ver. A neve caía
Do azul cinzento do céu,
Branca e leve, branca e fria...
- Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

......
......
(Há mais cinco estrofes)
Tirado de um livro que muito estimo, de A. Gil, Luar de Janeiro, com ilustrações de Maria Keil Amaral



Comentários

Maria disse…
Um dia destes tenho de ir buscar o livro da 2ª ou 3ª classe porque não me sai da cabeça 'o pucarinho de barro' e já não o sei de cor.
O mesmo com a neve que prende o pé da formiga e que é uma lenga lenga de todo o tamanho...

Bom dia!
Justine disse…
Quem não aprendeu este poema de cor, na minha geração?Acho que é um dos nossos patrimónios comuns:))
argonauta disse…
Nos meus tempos de meninice tb memorizei e recitei o monólogo da neve, tanto me esforcei que ainda hoje o seu de cor; mas é sempre prazeiroso recordá-lo
Beijos

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