« A RAPARIGA FRANCESA», Hiroshima Meu Amor

RETRATO DA FRANCESA

Tem trinta e dois anos.
É mais sedutora do que bela.
Poder-se-ia chamar-lhe, de certa maneira «The Look» («O Olhar»). Nela, tudo «passa pelo olhar», desde a palavra ao movimento.
Este olhar está esquecido de si próprio. Esta mulher olha por
sua conta. O seu olhar não consagra o seu comportamento, ultrapassa-o sempre .

Sem dúvida que, no amor, todas as mulheres têm os olhos belos, mas, a esta em particular, o amor lança-a na desordem da alma (escolha voluntariamente stendhaliana do termo) um pouco antes do que ás outras. Porque ela está mais « apaixonada pelo próprio amor» do que as outras mulheres.
Sabe que se não morre de amor. Durante a sua vida teve uma esplêndida ocasião para morrer de amor. Ela não morreu em Nevers. Depois, e até hoje, em Hiroshima, onde encontra este japonês, arrasta consigo, dentro de si, a »melancolia» de quem viu adiada a única oportunidade de decidir o seu próprio destino.
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 Excerto de apêndice do livro escrito por Duras para Alain Resnais, HIROSHIMA MEU AMOR, QUETZAL EDITORES, 1987

Comentários

Graça Pires disse…
Um belíssimo texto de Marguerite Duras... Obrigada pela partilha.
Beijos.
Justine disse…
Tudo grande: o filme, o livro, a actriz!
Uma beleza, a revisitar sempre...
Manuel Veiga disse…

de uma beleza subjugante...

tudo.


beijo
Majo disse…
~ O filme tem o seu início dedicado à celebração da Paz. ~

~ Todos desejamos que Alain Resnais, descanse em Paz. ~