quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

87 belos anos, hoje, os de minha Mãe

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apagas
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

(Carlos Drummond de Andrade)

5 comentários:

Maria Luisa Adães disse...

Carlos Drumond de Andrade

E a sua forma beliissima de dizer!

Amei o poema e completamente de acordo com ele. Graças!

Maria Luísa

"os7degraus"

Majo disse...

~
~ ~ ~ As minhas melhores congratulações às duas. ~ ~

~ ~ Uma homenagem deveras terna: o poema é lindo! ~

~ Abraço amigo, com votos de dias ditosos para ambas.
.

Isabel disse...

Parabéns à sua mãe! Uma linda senhora:)
A minha tem 88 :)

Benó disse...

Parabéns à mãe e à filha. Tenho filha mas já não tenho mãe.
Viva-a enquanto tem tempo.

Carmem Grinheiro disse...

Olá Ana,
venho pedir desculpa porque só agora vi sua mensagem na página do Google + . É raro ir verificar mensagens ali, dedico-me mais ao blogue
http://doladodosol.blogspot.pt/

De qualquer maneira, agradeço os votos para 2015, que são sempre um carinho, em qualquer altura.

Este poema de Drummond é imortal e sem tempo nem hora.
Mãe, na verdadeira concepção da palavra, é ser que não se explica, só quem vive sua condição.
um bjo amgo