sábado, 31 de outubro de 2015

porque não gosto de bruxas....


As Fadas
...

Quem as ofende cautela! 
A mais risonha, a mais bela, 
Torna-se logo tão má, 
Tão cruel, tão vingativa! 
É inimiga agressiva, 
É serpente que ali está! 

E têm vinganças terríveis! 
Semeiam coisas horríveis, 
Que nascem logo no chão… 
Línguas de fogo, que estalam! 
Sapos com asas, que falam! 
Um anão preto! um dragão! 

Ou deitam sortes na gente… 
O nariz faz-se serpente, 
A dar pulos, a crescer… 

É-se morcego ou veado… 
E anda-se assim encantado, 
Enquanto a fada quiser! 

Por isso quem por estradas 
For, de noite, e vir as fadas 
Nos altos, mirando o céu, 
Deve com jeito falar-lhes, 
Muito cortês e tirar-lhes 
Até ao chão o chapéu. 

Porque a fortuna da gente 
Está às vezes somente 
Numa palavra que diz. 
Por uma palavra, engraça 
Uma fada com quem passa 
E torna-o logo feliz. 

... 

Sempre gostei muito deste poema de Antero de Quental  com o qual fiz algumas crianças felizes,  e eu própria,  quando o lia para mim mesma. Porque não gosto de bruxas nem de atos parecidos com "bruxarias", deixo-vos aqui na integra o poema,  AS FADAS

(imagem tirada do jornal Expresso de hoje)

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

"cache, cache..."


Adoro gatos escondidos com o rabo de fora...

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

formas de olhar..

    
Em tempo de muros há outras barreiras que nos dão alguma visibilidade do que nos parece invisível.
Espreitar, não é pecar. Pecar, é devassar o que se espreita. E, como o "coiso", fora de questão o arrependimento. Porque estão sempre certos e nunca se enganam.
Vida.

terça-feira, 27 de outubro de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

olhares...

Erwin Olaf, fotógrafo
Há metafisica bastante em não pensar em nada.

Alberto Caeiro, O Guardador de Rebanhos,V

terça-feira, 20 de outubro de 2015

"és uma fonte de inspiração"...

Fotografia de Erwin Olaf


És uma fonte de inspiração como rodilhas de cozinha
para um fotógrafo gasto pela película velha de uma azinheira
em combustão. Ah, se eu sei como buscas crédito
entre os fantoches de um palco carcomido e pouco iluminado
como mandam os bons costumes de uma decadência encenada.
Escreveres, lá isso escreves, como quem limpa o cu,
como se fosse uma ardósia de maus costumes (e tu achas isso
adorável!) e esperas que te aplaudam ao som de brindes
dos novos gins num strip-tease que a idade, as mamas
de plástico e os cabelos engraxados não perdoam. Ai, prosador
de piscinas vazias pelos calotes tu sabes que um verso
é tão doloroso como a falta de hábito de ter tesão. Lamento por ti!
Mas isto de andar pelo mundo quando o mundo já passou
por ti sem que te desses conta não é fácil. É bom ver-te
ao longe nas festas das abóboras endinheiradas a falares de penicos
como quem enche a boca de genialidades literárias
ou frequentares os salões dos prémios na esperança que te toque
um ramalhete de clitóris rapados e surja na ponta
dos teus dedos repletos de artroses o texto sublime
para a antologia das alfaces voadoras e brasonadas
que tantas noites de insónia te provocaram nessa dolorosa
cama de pregos. O teu charme irresistível
de principezinho na reforma perde-se no teu sexo em vírgula
murcha com o valor da pausa que já não controlas.
Escreveres assim já não é tão natural como a tua sede.
Ólarilolé!
Luís Filipe Sarmento, «Gabinete de Curiosidades», 2015 ( surripiado no FB, porque muito gostei.)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

sem título

ERWIN OLAF, fotógrafo

Meu coração é uma princesa morta.
Quem deixou?
Quem deixou entreaberta aquela porta
Onde passou?

Fernando Pessoa

sábado, 17 de outubro de 2015

mon Dieu...



Sob a chuva caminhar
é como partir lenha
para o próximo Inverno.

Rui Lage, Epílogo


Assim foi hoje que me senti envolta num tornado em plena rua, á 11h da manhã.
As ruas são um mar de lenha e ramos caídos, e a falta da minha árvore da vida, tive que me agarrar a um plátano para não ir pelos ares. Haja plátanos e outras espécies de árvores....

Bom fim de semana... ó Marias e Maneis

"viral", nas redes sociais. Deixei-me contagiar...
Bom fim de semana.

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O "bruá" é imenso, mas...


 Já Eugénio de Andrade glorificava o fascínio do silêncio em "Obscuro Domínio": 

"Quando a ternura/parece já do seu ofício fatigada,//e o sono, a mais incerta barca,/inda demora,//quando azuis irrompem/os teus olhos//e procuram/nos meus navegação segura,//é que eu te falo das palavras/desamparadas e desertas,//pelo silêncio fascinadas".

in, Expresso Díário

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

esta noite dou-te um verso , na próxima, logo se vê....

Marilyn e A. Miller , por Sam Shaw
"O que nos mata é asolidão povoada"

Jorge de Sena

terça-feira, 13 de outubro de 2015

"Acordai"..


Mural do MRPP

As 20 propostas de Costa, no Expresso Diário, online, ontem.
Hoje, sairam as 23 propostas de PPC.
Mas que esta adaptação do mural,   ao contexto atual,  está plena de humor, está.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

António Costa Pinheiro (1933-2015)




“Foi um dos maiores artistas da segunda metade do século XX. Não percebo até hoje ausência de uma grande exposição das suas obras numa grande instituição em Portugal”. Público de dia 11/10/2015)

Assim são destratados os nossos melhores. Mas, os investidores já olharão para os quadros de ACP de uma outra forma a partir de hoje. As entidades a quem de direito para elevar a obra de ACP entre nós, ao seu elevado expoente,  que se "lixem"...

Um destes dias aparece aí uma retrospectiva. Penso que a Gulbenkian lhe dedicou há poucos anos uma exposição ,mas no âmbito da temática Fernando Pessoa. 

sabem o que é o TTIP?

Cuidemo-nos. A petição andou por aí.

domingo, 11 de outubro de 2015

porque a vida tem que continuar... (leituras breves mas profundas)

Pintura de Vélazquez, "Menina olhando o espelho"
ESCRITO NA PEDRA “Quando se apanha um mentiroso, ele pode perguntar-nos — e o que é verdade? E o mais provável é termos de o deixar seguir”

 Vergílio Ferreira

Jornal Público de hoje.

Cinema em casa... O Inquieto

Filme completo.

sábado, 10 de outubro de 2015

Sampaio da Nóvoa, falou....

Desmascarar. A entrevista de Sampaio da Nóvoa à Ana Lourenço, esta noite, na SIC, constitui um momento raro na televisão. Um momento em que um farsante é desmascarado. Sampaio da Nóvoa pôs a nu a desonestidade de Marcelo Rebelo de Sousa, que se escondeu atrás da máscara de comentador para se promover como candidato presidencial. Que se escondeu atrás da máscara de conselheiro de Estado para se promover como comentador político. Que se escondeu atrás da máscara de professor e de intelectual independente para esconder a sua dependência partidária. Sampaio da Nóvoa desmascarou a desinteressada disponibilidade de Marcelo Rebelo de Sousa, provando que ele é apenas um jogador calculista, que ele é como uma aranha que foi tecendo pacientemente a sua teia de perversidades. Sampaio da Nóvoa, ao afirmar que Marcelo Rebelo de Sousa explorou até ao limite os palcos mediáticos, disfarçando de comentário as ideias que queria fazer passar de forma sub-reptícia, desmascarou a falta de escrúpulos do agora candidato presidencial. Sampaio da Nóvoa, com a serenidade da boa consciência, alertou-nos para as jogadas sujas que estão em preparação.

De Carlos Matos Gomes no FB. Somos apoiantes de Sampaio da Nóvoa. CMG, não podia ter feito melhor... Uma verdade" inconveniente".

Fotografia de Luiz Carvalho

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

da necessidade...

Do pintor modernista japonês, Leonard Tsuguharu Foujita, "No Café", 1949


“Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito” Machado de Assis (1839-1908), 

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

a 7 de outubro... (efeméride)


Vem-me sempre à memória que no séc. passado , até 1970 ou 71, as aulas começavam a 7 de outubro depois de umas longas férias que tinha início a 9 de junho.

E, uma boa maneira de revisitar os desenhos de Almada Negreiros dos anos vinte.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

5 de outubro, 105 anos. Ainda há "pouco" foi o centenário...

“… grande parte da atracção que a aspiração republicana exerceu sobre certas camadas da população urbana resultou do facto de ela veicular esperanças históricas características das “sociedades prometeicas” modernas. Com efeito, com o seu culto do trabalho, com o apelo a uma “moral de energia” e com a crença gnóstica nos efeitos perfectíveis da ciência, a ideologia republicana idealizava o verdadeiro cidadão como um herói épico e solar, e que, tal como Sísifo redivivo no fim da sua expiação, podia cantar: «Ergo nas mãos o sol.» Pode assim dizer-se que Prometeu – esse herói mítico também cantado por João de Barros – era o arquétipo exemplar do humanismo republicano ao convidar á revolta contra a escravidão em nome de uma liberdade de espírito que iluminava a futura e definitiva libertação humana. Logo, a educação só seria verdadeiramente emancipadora desde que ensinasse ao homem «o poder do homem, o seu esforço extraordinário e tenaz através dos séculos, e todas aquelas qualidades do idealismo, de bondade, de altruísmo, de solidariedade que têm melhorado – lentamente, sem dúvida, mas seguramente – as condições de vida sobre a terra»

Do livro Republicanismo , de Fernando Catroga

Achei tão bonito este cartaz de anúncio a uma futura intervenção de FC , em Fortaleza, Brasil, que não resisti a deixá-lo aqui , nesta data que não pode deixar de ser lembrada, A Implantação da República , a 5 de outubro de 1910.

Cartaz surripiado da página de FB , a TEXTOS E PRETEXTOS DE FERNANDO CATROGA


vida para além da "morte"....


ESCRITO
NA PEDRA
“Se vivermos durante muito tempo, descobrimos que todas as vitórias, um dia, se transformamem derrotas”
Simone de Beauvoir (1908-1986), escritora e filósofa

No jornal Público de hoje

domingo, 4 de outubro de 2015

sim / não .leituras breves mas profundas

ESCRITO NA PEDRA “Sim e não são as palavras mais fáceis de serem pronunciadas e também as que exigem maior reflexão” Charles Maurice de Talleyrand-Périgord (1754-1838), político e diplomata francês . 

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

vou entrar em relaxação... com os suspeitos do costume (?)

 Este é o meu testamento de Poeta, Mário Cesariny, 1994
Foi suspeito de vagabundagem, perseguido porque era homossexual , coisa que o regime escondia debaixo do tapete da hipocrisia. "Tinha apresentações na polícia como as putas". Surrealista, seguidor de André Breton. escreveu poesia e esculpiu e pintou. Pintou a manta, teve muitos e bons amigos, zangou-se com alguns, teve saudades por vezes. Magríssimo, sempre com um cigarrinho, tinha grandes projetos e língua afiada. Queria traduzir a maravilhosa saga de Gilgamesh e dizia-o sob o olhar embevecido e composto de Henriette, a irmã, com quem vivia. Acordava sempre lá para o meio-dia mas de repente passou a levantar-se às oito da manhã, fresquinho, limpinho, a partir de 25 de abril de 1974. Como resistir ao poema "Pastelaria"?
"Afinal o que importa não é haver gente com fome porque assim como assim há muita gente com fome"

Texto de Ana Sousa Dias, Revista EGOISTA, junho, 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015