terça-feira, 25 de abril de 2017

sábado, 22 de abril de 2017

Bom fim de semana e semana ainda melhor....

Fotografia tirada há 3 anos , no dia dos 40 anos  do 25 de Abril, numa tasca perto do Rossio. A mesa era o poiso.
Nunca deixei de gostar dela.
Tentem ser felizes.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

" Um Choro Feliz"


«LIBERDADE» (1 poema de Paul Éluard)


LIBERDADE

Nos meus cadernos de escola
Na minha carteira e nas árvores
Nos areais e na neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel cinza
Escrevo o teu nome

Sobre as imagens douradas
Nos estandartes guerreiros
Tal como na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Nas selvas e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco dos dias
Nas estações enlaçadas
Escrevo o teu nome

Nos meus farrapos de azul
No pântano sol alterado
No lago luar vivente
Escrevo o teu nome

Nos campos do horizonte
Sobre umas asas de pássaro
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar e nos barcos
Na serrania demente
Escrevo o teu nome

Na clara espuma das nuvens
Nos suores da tempestade
Na chuva insípida e espessa
Escrevo o teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos de muitas cores
Sobre a verdade da física
Escrevo o teu nome

Nas veredas bem despertas
Nos caminhos descerrados
Nas praças que se extravasam
Escrevo o teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Nas minhas casas unidas
Escrevo o teu nome

No fruto partido em dois
do meu espelho e do meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo o teu nome

No meu cão guloso e meigo
Nas suas orelhas erguidas
Na sua pata sem jeito
Escrevo o teu nome

Na soleira desta porta
Nos objectos familiares
Na língua de puro fogo
Escrevo o teu nome

Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome

Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome

Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome

Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome

E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear


Giestas brancas, as minhas fotos.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Olhares.... Boa semana

Still Life by a Window

Winifred Nicholson (1893–1981)

Não podendo falar para toda a terra
direi um segredo a um só ouvido

Lidia Neto Jorge

domingo, 9 de abril de 2017

Leituras que me deixam bem disposta. Breves, mas boas.

               
 Bela prosa que só hoje li,  de José P. Pereira. Até vou para o sol mais bem disposta.

"É por isso que, se eu fosse o nosso secretário de Estado que teve com ele uma altercação, tinha levado para a circunspecta reunião o seu iPad ou iPhone, e punha-o a tocar uma música, como se fosse o hino nacional dos países do Sul, embora ela tinha sido escrita bastante mais para o Centro-Norte da Europa. E diria, olha lá ó Presidente, sabes como se chama esta música? Repara em cada palavra, copos, mulheres e música. “Vinho, Mulheres e uma Canção” (Wein, Weib und Gesang) de Johann Strauss é uma muito conhecida e popular valsa cujo título deriva de um adágio muito comum em várias línguas e que diz mais ou menos isto “quem não gosta de vinho, de mulheres e de música permanece um imbecil a vida toda”.   

Crónica completa, aqui.              

sábado, 8 de abril de 2017

As palavras dos outros.... Bom fim de semana

Não sei o que vocês vêem

Mas eu vejo sempre
Franklin Roosevelt a levantar-se
da cadeira de rodas
E Winston Churchill a discursar
no Parlamento britânico
E Bertold Brecht a dizer
'nunca digas que é natural,
para que nada possa parecer imutável'

E Jack Kerouac a atravessar a América
E 'when a man loves a woman',
na voz de um preto nítido
e de um branco insurrecto
E 'obviamente demito-o'!
Não sei o que vocês vêem
de tão natural assim
no horror das bombas e das demissões
de ser decente
Mas eu tenho para mim
que é preciso uma outra gente
bailados de Bob Fosse
e canções de Ute Lemper
Perdemos tempo no delta do Mekong
quando tínhamos o Tejo tão perfeito
E até o Ebro em desembarque
e as saias das dinamarquesas quando dançam
Ficámos parados
onde avançam sempre realidades
Há dois mil anos que temos
as fadas, as musas e as deusas todas
Falta realizá-las
(Márcio Alves Candoso)

Agradeço ao Márcio Candoso o post deste dia. Retirado do FB.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

O mundo de Paula Rego está aí....

Paula Rego fotografada pelo seu filho, no seu ateliê em Londres.

Ler AQUI , jornal Expresso Diário.


Os quadros de Paula, são mesmo para serem vistos numa casa própria. 

Eles ganharam esse espaço em Cascais, Casa das Histórias de Paula Rego.
Pelo que tenho acompanhado da sua pintura, sempre senti " loucura" , "depressão", "educação", "relações": Estórias, que não seriam sempre lendas, mas narrativas da sua própria vida.
Pelo que tenho lido nas conversas e entrevistas na última semana, sou levada a pensar, que para além da grande desenhadora que é , a sua pintura corresponderá a um, penso logo existo ou existo porque penso?
Pintar, tem sido a sua própria existência e essa existência foi sempre bem mais dura do que era sabido. Catarse e engajamento .
Gosto de ir ver os trabalhos de Paula. Anseio por sábado para ver o filme realizado pelo filho, no local certo . Casa das Histórias. 
Cá em casa, se eu pudesse ter uma obra de PR, teria que ser muito bem escolhida.... Não dá para todos os dias de contemplação.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"as manhãs de Abril são boas para dormir" (provérbio)


De Almada Negreiros
Lentamente vou-me chegando até vós.
Esquecidos, não estão os que por aqui vão passando. 
Só adormecidos....

segunda-feira, 27 de março de 2017

Leituras breves, olhares atentos...

"Vale de Alcantara", 1956, de João Hogan


Que fazemos, Lisboa, os dois aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
A. O´Neill E de Novo, Lisboa...

sábado, 25 de março de 2017

Não há sábado sem sol....

Na vidraça do meu quarto
Parece que alguém chorou
Com saudades de partir


De António Botto

(metereologia do Expresso de hoje)
Imagem do FB

sexta-feira, 24 de março de 2017

PARE- ESCUTE -OLHE....

Se não quiser olhar,  escute.

terça-feira, 21 de março de 2017

Para os amigos poetas e os que vivem com alguma poesia

Nem o abstracto nem o concreto
       São propriamente poesia.
                Poesia é outra coisa.


Vitorino Nemésio , Arte Poética

Série “Quatro Estações”,  a Primavera ,obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Da Primavera à Poesia...

"Arbustos na primavera" (1925). Paul Klee 

Amanhã é o Dia Mundial da Poesia. Não se devia fazer mais nada nem dizer mais nada nem pensar em mais nada senão em Poesia. A Poesia devia andar nas ruas, nos bairros, nos prédios, nas empresas, nos bancos, no parlamento, no Governo e na oposição. A Poesia não caça, não enche os bolsos, não serve para troca de favores nem para pagar a conta da mercearia. A Poesia é subversiva, mesmo quando parece compostinha. A Poesia descobre o futuro, muito antes de os viventes saberem onde anda o futuro. A poesia é para comer, como disse Natália Correia, dirigindo-se a todos os subalimentados do sonho.


Portugal tem muitos e muitos excelentes poetas. Passados, presentes e futuros. Conhecidos ou desconhecidos, mundanos ou incógnitos. Em Portugal fez-se, faz-se e vai continuar a fazer-se excelente poesia. Há editoras que só editam poesia. Não é tão corajoso, tão desafiante? Como se vive de sonhos? Como se mastigam os sonhos? A que sabem os sonhos?

Expresso Curto, hoje, Nicolau dos Santos, também poeta.

olhares...


domingo, 19 de março de 2017

"Paternidade" , resumo do fim de um dia....

"Paternidade", de Picasso
Dia de memórias. Muito boas.

"filho"


sábado, 18 de março de 2017

Memoria.... "Neste filme a preto e branco, pintado de cinzento para dar cor, podia observar-se o mundo português continental a partir de uma rua. O resto do mundo não existia, estávamos orgulhosamente sós


...
Eu não ponho flores neste cemitério.
Nesse Portugal toda a gente era pobre com exceção de uma ínfima parte da população, os ricos.

Belíssima crónica de Clara Ferreira Alves, no Expresso de hoje. 
Os nascidos depois do 25 de Abril ou poucos anos antes, não sabem esta História.

Fotografias de Alfredo Cunha

quarta-feira, 15 de março de 2017

olhando o planeta Vénus da minha janela...

Menez, 1988,

Conselho


Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça.
                                                     Eugénio de Andrade

terça-feira, 14 de março de 2017

Carta, precisa-se.... Mesmo sem ser em correio azul

Dariusz Mlącki
“Envelope” from the “Envelopes with the Sky” 

segunda-feira, 13 de março de 2017

quinta-feira, 9 de março de 2017

Muitos dos meus dias....

Felix Valloton

Ontem


 Vinha eu pela beira-mar e a pensar  "Mulher". 
E também havia malquereres .


 E pensei, mudam-se os tempos actualizam-se os desejos e as vontades. 
Desfolhar um malmequer e dizer :

-  bem-me -quer , bem- me- quero..

 E por aí fora, até à última pétala. 
Uma questão de auto estima. 
Eles não sabem nem sonham , que quando damos uns pulinhos , o mundo ri e avança, como "bola colorida nas mãos de uma criança ".


terça-feira, 7 de março de 2017

"La Gieringonza " vista de Italia pelo Internazionale ...

La Gieringonza, ontem na capa da revista italiana Internazionale: http://www.internazion
ale.it/  AQUI

( do mural de Rui Curado Silva , FB )

quarta-feira, 1 de março de 2017

Março, marçagão, manhãs de inverno tardes de verão

Woman being capped, Felix Vallotton, 1900
Em Março, tanto durmo como faço .

(provérbio)

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O pintor e poeta que foi cantado por José Afonso . António Quadros.

Pintor António Quadros (1933-1994 ) AQUI
Riscos, Rabiscos e Sarrabiscos, Homenagem a Eduardo Luís (o amigo Oliva) , 1992
Torcinário Depondo Troféus No Altar da Pátria, 1972

Velha Gaiteira com Chave, 1980
Conheci António Quadros quando muito adolescente . Ainda não tinha ouvido falar nem conhecia José Afonso. Localizemo-nos na Figueira da Foz.
Guardei a sua postura e forma de vestir pela diferença que fazia. Boina, cabelo grande, óculos de massa e camisa de fazenda aos quadrados como a dos pescadores.  
Quando conheci Zeca e soube das afinidades com o pintor e poeta, imaginei-os "clones"um do outro. 
Os feitios de ambos também não eram fáceis...
"Vida", dirá o meu amigo Oliva, a viver em Viseu e a quem António Quadros dedica o primeiro quadro que aqui vos deixo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Venham mais cinco ....



Como também gosto de recordar o Zeca. Era com este aspecto que muitas vezes o via para os lados da Trindade. 
Há 30 anos choveu copiosamente neste dia. Nunca esquecerei o quanto difícil foi .
O céu rebentou em lágrimas a chorar o seu/nosso cantor.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

muros com vista de mar....

Desta janela de ar e ansiedade
podemos ver compor-se a primavera
lentamente por cima das casas
Gastão Cruz

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Miséria, do latim MISER, “infeliz, desafortunado, desprezível”, de origem desconhecida.

La Vie, Picasso, (1903) Cleveland Museum of Art
Os miseráveis ficam sempre melhor dentro das páginas de um romance ou num retrato estético do sofrimento.

Há miseráveis a mais nas nossas ruas. Nas ruas de Londres, Paris, Madrid, Bruxelas... Lisboa.
....
a não perder e ler AQUI.

Artigo de Clara Ferreira Alves, Expresso de 18-02-2017

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Como um jogo de bem- me- quer , mal-me-quer.. São pedras, Senhor....




O senhor Pedro com quem entabulei conversa, sentada no muro perto do Cais das Colunas. 

Perguntei se havia alguma motivação ou movimento para estas esculturas com pedras, na medida em que no verão , em praias alentejanas,  tinha visto um trabalho imenso de pedras naturalmente coloridas.
De brilho nos olhos, ar maroto, pele tisnada pelas horas de sol à beira Tejo, respondeu-me que era uma homenagem à Mulher . E abriu os braços como que a abençoar o Ser que somos. Fingi acreditar ... Mas, também quem sou eu para desconfiar da escolha feita para sua musa? 
A vinda do Papa Francisco com as boas vindas já está montada. 
Perguntei se lhe podia fazer umas fotos , e ele pôs se a jeito. O senhor Pedro parece ser vaidoso e tem jeito para outras artes. Mas fica-lhe bem o ar "estiloso".
Adora estar rodeado de gente e de brincar e de surpreender com a história "dos equilibrios" .
Passem por lá e Pedro fica feliz. 
Eu, passarei sempre, pois a minha entrada pedonal em Lisboa começa sempre pela zona ribeirinha no Cais do Sodré.


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Não nos podemos queixar. Estamos no Inverno.

"Neve", Vincent  van Gogh

"Mas eis que , uma noite, grandes relâmpagos luzem sobre o vale, um trovão rola sobre as serras - e subitamente, com o estalido   de lanças entrechocando-se, caiu o granizo", escreveu Eça de Queirós. Neve na montanha.


(no Expresso de ontem)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

"Se bem me lembro...." , hoje é o dia de adeus aos seus" oitentas"...

   ... a caminho dos 90.
São os anos da minha Mãe, nascida na Figueira da Foz, há 89 anos.
Como atesta a elaborada pesquisa feita pela nossa prima dilecta, Isabel Helena, grafada em livro comemorativo, muita coisa aconteceu na região e no mundo, nos idos de 28 do século passado.


Para a Mãe/Avó/Bisavó Anita,  com parte da sua vida passada na Biblioteca Municipal da Figueira,  um espaço de eleição, de elites e eleitos pelo prazer da leitura,  aqui fica em jeito de festejo, uma crónica do  nosso querido Professor  Vitorino Nemésio , representativa da época e não muito diferente da de hoje.

"Vou no meu quarto ano de Figueira. Isto é um curso: no primeiro ano nem se conhecem condiscípulos, que são os outros banhistas. No segundo já há relações - não muitas, porque as disciplinas são absorventes e variadas: escolher banheiro, mercearia, farmácia para a pomada contra as queimaduras do sol e alguma tintura de iodo, conhecer as manhas da porta da casa alugada (uma ciência), etc. Até que, no terceiro, saudados logo à chegada pelo banheiro, pelo merceeiro, pelo rapaz do pão que nos dá o inútil bilhete de visita segurando o guiador da bicicleta, estamos quási formados (...)

Não me formei propriamente em Figueira da Foz (nome de Faculdade) mas em Palheiros, Universidade de Buarcos.(...) estudar o regime das nortadas, a psicologia das mulheres que vendem peixe e que nos saturam de sardinha, as laparotinhas que descem ao povoado com o cesto da fruta ou do feijão. 

(...) O Dr. Oceano é na verdade a pessoa mais importante da Figueira. Emquanto gizo êste artigo êle muge atrás de mim. O crescente da lua estampa-se no céu. Abaixo uma esteira de luz, para cá, na areia, ondas que se desdobram como grupos de quatro atiradores deitados, que na carreira de tiro, à voz de 'fogo!' disparam ao alvo certo. 

(...) No resto a Figueira é trivial e adorável como um híbrido de praia mundana e cidade de pequenos armadores. O turismo apregoa a parte confortável, recreativa e fresca do simpático produto, e tem para isso as razões especiais de todo o turismo moderno: boa esplanada, praia de aro imponente, casinos e cafés populosos, um delicioso ténnis instalado com muito gosto num forte abandonado das bombardas. Eu apego-me mais à Figueira de todo o ano, morta no Bairro Novo (...). 

Não sei se êste interesse pela Figueira de inverno me veio de um romance de João Gaspar Simões, Amores Infelizes, em que a alma burguesa da cidade diz uma parte importante daquilo que tem a dizer."

por Vitorino Nemésioin Diário de Lisboa - "A Banhos", 7 de Setembro de 1935.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

E porque o caminho se faz caminhando, calorosamente, fui lanchar à Versailles...


As minhas fotografias (exposição de rua, Av. Duque d' Avila )


MEDITAÇÃO NA PASTELARIA
Por favor, Madame, tire as patas,
Por favor, as patas do seu cão
De cima da mesa, que a gerência
Agradece.
Nunca se sabe quando começa a insolência!
Que tempo este, meu Deus, uma senhora
Está sempre em perigo e o perigo
Em cada rua, em cada olhar,
Em cada sorriso ou gesto
De boa-educação!
A inspecção irónica das pernas,
Eis o que os homens sabem oferecer-nos,
Inspecção demorada e ascendente,
Acompanhada de assobios
E de sorrisos que se abrem e se fecham
Procurando uma fresta, uma fraqueza
Qualquer da nossa parte...
Mas uma senhora é uma senhora.
Só vê a malícia quem a tem.
Uma senhora passa
E ladrar é o seu dever – se tanto for preciso!
Alexandre O´Neill

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Leituras breves mas profundas....

Trabalho de Vieira da Silva


ESCRITO NA PEDRA
Os livros têm os mesmos inimigos que o homem: o fogo,
a humidade, os bichos, o tempo e o próprio conteúdo
Paul Valéry (1871-1945), 

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Ainda Almada Negreiros e bom fim de semana...

O que me apeteceu partilhar hoje,  das leituras matinais, Expresso Curto, por Nicolau dos Santos.
... mas também porque ontem ao fim da tarde foi inaugurada uma das maiores retrospetivas da sua obra na Fundação Gulbenkian (que hoje abre ao público) não pude deixar de me lembrar da forma como José de Almada Negreiros, “Poeta d’Orpheu, futurista e tudo”, termina o seu “Ultimatum futurista às gerações portuguesas do séc. XX”: “O povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos. Coragem, Portugueses: só vos faltam as qualidades”.
E noutro texto, “Manha e falso prestígio, os dois males de que sofre a vida portuguesa”, Almada zurze sem dó nem piedade: “Entretanto, a nossa querida terra está cheia de manhosos, de manhosos e de manhosos, e de mais manhosos. E numa terra de manhosos não se pode chegar senão a uma terra de falsos prestígios. É o que há mais agora por aí em Portugal: os falsos prestígios”. O texto foi publicado no Diário de Notícias em 3 de Novembro de 1933. E sim, não vou escrever o óbvio.
Almada era assim. Abrasivo, implacável, polemista (o muito glosado Manifesto Anti-Dantas é talvez o melhor exemplo), cujo talento extravasou para múltiplas atividades. Há 24 anos que não havia uma mostra antológica da sua obra visual. São mais de 400 peças, que percorrem os 50 anos de trabalho da figura de proa do modernismo português. Pelo olhar das netas, Rita e Catarina de Almada Negreiros, o Expresso visitou “José de Almada Negreiros: Uma maneira de ser moderno”, e propõe uma viagem pela Lisboa do artista.
O(s) mundo(s) de Almada são o tema de capa da revista E deste sábado. Mas não pode deixar de ir à Gulbenkian.
E se quiser conhecer melhor o seu pensamento, então é indispensável que leia “Almada Os Painéis A Geometria E tudo”, um conjunto de entrevistas que o jornalista António Valdemar fez a Almada, com epicentro nos Painéis de São Vicente de Fora, “um dos temas fundamentais, polémicos e mais absorventes da cultura portuguesa”.
Já agora também não pode deixar de ir visitar a exposição de um grande amigo de Almada e um artista genial, infelizmente desaparecido aos 30 anos: Amadeo de Souza Cardozo. Está no Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado e invoca a exposição individual que Amadeo realizou de 4 a 18 de dezembro de 1916 na Liga Naval Portuguesa. Almada, aliás, não faz a coisa por menos: “Amadeo de Souza Cardozo é a primeira descoberta de Portugal na Europa no século XX. O limite da descoberta é infinito porque o sentido da descoberta muda de substância e cresce em interesse – por isso que a descoberta do caminho marítimo prá Índia é menos importante que a exposição de Amadeo de Souza Cardozo na Liga Naval de Lisboa”.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

25 anos depois , Almada Negreiros, para nossa alegria....

José de Almada Negreiros (1893-1970)
Sem título, sem data, grafite e guache sobre cartão, 53,5 x 36 cm. Coleção particular 

José de Almada Negreiros: uma maneira de ser moderno

Esta exposição antológica mostra a obra de um artista que catalisa a vanguarda nos anos 1910 e atravessa todo o século XX.

Isto de ser moderno é como ser elegante: não é uma maneira de vestir mas sim uma maneira de ser. Ser moderno não é fazer a caligrafia moderna, é ser o legítimo descobridor da novidade.
José de Almada Negreiros, conferência O Desenho, Madrid 1927

(tirado do site do Museu Gulbenkian)