sexta-feira, 23 de junho de 2017

O "portuguesismo solar, carnal e pagão" * em noite de S. João

De Eduardo Viana , Bonecos de Barro, 1919

Excerto de poema a S. João

* Palavras de José Augusto-França a propósito de Almada e Eduardo Viana,  sobre o modernismo futurista na força que os anima.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

fim de semana a vosso jeito....

És tu quem está nos começos do mar
e as nossas palavras vão molhar-te os pés
Ruy Belo , Vestigia Dei

(o meu olhar)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Fernando Pessoa e "Os Santos Populares"



"Fernando Pessoa terá escrito, como ele próprio afirma, os três poemas dedicados aos Santos no dia 9 de Junho de 1935. Quer seja verdade quer não, o que conta para o seu entendimento é a vontade do poeta que assim tenha sido."
(Introdução de Yvette Kace Centeno)
"Ainda que escritos sobre o tema popular dos três santos lisboetas de Junho, estes poemas não são, . nem pretendi que fossem, populares"
(nota de introdução de Fernando Pessoa)


SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia -
Treze de Junho , quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esse cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!


Santo António,  és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Catholico, apostolico e romano.

....

.....

A cada um o seu "sermão" ....


Santo António e Fernando Pessoa , de Júlio Pomar

segunda-feira, 12 de junho de 2017

sábado, 10 de junho de 2017

Um dia que não podia passar em branco, querida Língua Materna

*
PORTUGUÊS

Se a língua ganha
a dimensão da escrita
e a escrita toma
a dimensão do mundo
*
Descer é preciso até ao fundo
na busca das raízes da saliva
que na boca vão misturar tudo
*
Mas há ainda a pressa do papel
que no tacto navega a brusca seda
Se a sede se disfarça sob a pele
descendo pela escrita essa vereda
*
E já se inventa
enlaça
ou se insinua
*
Se entrelaça a roca e o bordado
que as palavras tecendo
lado a lado
querem do país a alma nua
*
Aí podes parar
e retornar à boca
esse espaço de beijo e de cinzel
*
Onde a fala retoma a língua solta
trocando a ternura
pelo fel
*
Um lado após o outro
a dimensão está dita
O tempo a confundir qualquer abraço
entre o visto e o escrito
*
Espelho e aço
*
Nesta fundura boa
e mar profundo
*
Para depois sibir a pulso
o mundo

*

("Inquietude" - 2006)

Camões, de Júlio Pomar, 1986

Poema de Maria Teresa Horta , retirado do FB, neste dia 10, Dia de Camões e da Língua

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Vilão quer-se espremido com limão"

DA ICONOGRAFIA DO LIMÃO NAS ARTES | 11
(...em torno do topónimo Silveira dos Limões, Beira Baixa)
> Martin Jarrie (n.1953), s/t (citron), c.2004
(graças a Pedro António Santos Saraiva)
Retirado do FB

sábado, 3 de junho de 2017

bom domingo ...



"À laranja e ao fidalgo, o que quiser, ao limão e ao vilão, o que tiver"

(as minhas fotografias)

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Armando Silva de Carvalho , 1938-2017, - o poeta -

W.C.

Neste país onde ninguém sabe 
como obram as musas, 
já dizia o outro, 
fazer versos realmente versos, 
que sigam o espasmo do ânus provecto 
dessas criaturas fúteis, decantadas, 
ainda é e será muito difícil. 

Existe sempre um braço etéreo 
que puxa o autoclismo 
no momento exacto da defecação. 
Ouve-se um ruído, 
alguém pergunta ao outro o que se passa: 
«É o som das águas que bate na garganta.» 
Aliviados então os corações repousam 
na sala de visitas da casa devassada 
a que chamam d'alma. 

Armando Silva Carvalho, in 'Sentimento de um Acidental' 


Peça do Museu de Arte Nova de Aveiro, as minhas fotografias

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O significado de "chapada ou bofetada de luva branca " ...


As minhas fotografias


A expressão mais conhecida é «bofetada de luva branca» ou «bofetada de luva de pelica», que significa «resposta delicada, apropriada a uma ofensa» (Orlando Neves, Dicionário das Expressões Correntes, Lisboa, Ed. Notícias, 1999).
É uma expressão usada com bastante frequência como elogio a alguém que tem a arte de ser subtil (mas assertivo) na resposta a algo desagradável que sofreu, de que foi vítima. Trata-se, portanto, de uma expressão metafórica e, simultaneamente, irónica, em que se procura traduzir a ideia de uma situação em que sobressai a inteligência e a subtileza do atingido como forma de retribuir ou responder a uma agressão. Com este ato, a vítima ultrapassa o seu agressor, não respondendo da mesma maneira, não se exaltando, nem enervando. A sua superioridade é evidenciada pelo seu sangue-frio, pelo distanciamento a que se impôs para não descer ao nível do outro.

terça-feira, 30 de maio de 2017

"Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" Miguel Urbano

Ela (final) - "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento"

ELA 


     "Eu conhecera-a muitos anos antes, quando ela era uma adolescente. Mas ao reencontrá-la em Serpa naquela manhã vi uma desconhecida.
     Foi num dia de Junho e o calor abrasava as lajes da velha praça.
     Estávamos numa esplanada, tomando refrescos. No grupo, as conversas, cruzadas, incidiam sobre assuntos diferentes. Eu não as acompanhava. Estava concentrado nela.

   Os cabelos, aquecidos pelo sol alentejano, adquiriram um tom acobreado. Os olhos, enormes, irradiavam uma luminosidade húmida (...). Falava devagar, com um ritmo que lhe valorizava a voz que também me pareceu ser diferente de qualquer voz já escutada. E tudo o que dizia parecia-me profundo, inteligente.
    Reencontrei-a no dia seguinte, num almoço ruidoso na aldeia da sua família materna. E a minha atenção voltou a ser absorvida por ela.
     Lera livros meus e recordou deles personagens, interrogando-me sobre situações e comportamentos em que, como autor, não havia reflectido.
    Deu-me o e-mail para mantermos contacto permanente. Nas semanas seguintes recebi quase diariamente breves mensagens suas. Numa delas citava Proust, a propósito de personagens de grandes romances criadas pela imaginação mas que amamos como se fossem gente. Impressionou-me a sua capacidade para descer fundo no que em cada um de nós é quase incomunicável e registei também o seu domínio da palavra. Ana Catarina transmitia ideias e sentimentos com um estilo original [...].
      À inibição somava-se o temor do ridículo.
     Ela tinha 38 anos e eu ia completar 80. Uma jovem como Ana Catarina não podia sentir-se atraída por um velho como eu. Tomar uma grande afinidade intelectual e humana por um sentimento diferente seria uma atitude reveladora de que eu entrava em fase senil sem me dar conta disso [...]
    Passei a dormir menos. Sem insónias. Deitado, pensava nela durante horas. Um dia venci as muralhas da inibição e disse-lhe que a atracção complexa que exercia sobre mim era um sentimento muito próximo do amor, o que me assustava.
    Mas ela não se assustou. Respondeu que eu a fazia feliz e sugeriu que levantasse as barreiras ao   amor. [...]
     Em Agosto desse ano, 2005, viajei para o Brasil. Decidimos que no meu regresso iríamos passar um fim de semana alargado a Mérida (...). Redescobri ali a felicidade (...).
     Fechei numa gaveta do cérebro as elucubrações sobre o absurdo de romper todas as fronteiras que se interpunham entre mim e uma mulher jovem. Esqueci que tinha mais do dobro da sua idade [...]

     Hoje sei que Etna no Vendaval da Perestroika é um livro filho do amor. Não teria sido escrito se não houvesse encontrado a Caty numa manhã de Junho em Serpa. Quando eu envelhecia, pensando na contagem decrescente do tempo de vida útil, ela me sacudiu até às raízes, levando-me a redescobrir o amor em patamares que não imaginava existirem.
     Reencontrei pela sua mão a felicidade pessoal, meta perseguida pelo homem como fim supremo, esse estado de paz interior, de alegria pagã cultivado pelos epicuristas gregos e satanizado pela igreja de Jesus e muitas outras.
     Caty somente se desentende comigo quando o diálogo incide sobre a brevidade dessa felicidade. Porque na lógica da vida, ela continuará em breve sozinha o seu caminhar (...). A corrente da vida prosseguirá quando eu desaparecer. E de alguma maneira continuarei presente nos meus filhos e netos e em Caty".

         Serpa e Vila Nova de Gaia, Setembro de 2008

Miguel Urbano Rodrigues - Parte IV, pag, 211 a 216 In "Meditação Descontínua sobre o Envelhecimento" - Ed.Calendário


Do blogue Quanto Tempo o Tempo Tem

quinta-feira, 25 de maio de 2017

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Inauguração da Exposição "Paula Rego, Gravuras e Litografias" Público · Evento criado por CPS - Centro Português de Serigrafia



por aqui, há mar e mar e areia sem fim....


O que eu andei para aqui chegar , ó mar.
E , mesmo assim não te alcancei.
Talvez um destes dias , com a força do vento,  ele me empurre para te ver e procura a improvável  estrela do mar...

(as minhas fotografias na praia da Figueira da Foz)

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Sinais de vida...

CARTA A UMA AVÓ

Avó
o céu está muito azul
como o meu olhar

e o sol muito amarelo
como o meu cabelo

e eu estou a ver uma cerejeira
com um ninho de passarinhos
e uma gaivota
com umas grandes asas abertas

a tua casa
avó
é uma cerejeira
com um ninho de passarinhos.

AF (surripiado a Ana de Freitas ) FB
Fotografia de Luisa, mordomias, Gi Ribeiro

sábado, 13 de maio de 2017

Bom fim de semana...

Francis Bacon, estudo segundo Velasquez, para o retrato do Papa Inocêncio X (1953)
Ah, Inocêncio , Inocêncio, que de inocente não tinhas nada...
Eu gosto mesmo é de Sir Francis Bacon

sexta-feira, 12 de maio de 2017

"copo e vela dez tostões"... a treze de Maio na Cova da Iria.... (desabafos)

 Nas redes sociais brinca-se muito com Fátima . Até entrámos de novo na fase do F/f/f …. E eu apetece-me gritar f….  se,  para tantos humoristas, filósofos e jornalista, professores e escritores  e outros escribas, acrescentando aos leitores, comentadores, onde também me incluo. Mas, desta, sobre o tema,  só leio. Daí a vontade também de escrever.
Respeito as pessoas de fé, e corroborando as palavras de Frei Bento, ai de mim criticar ou pôr em causa o que leva as pessoas a fazer determinado tipo de promessas. A exploração das mesmas, é outra história.
Fui católica por tradição, e aos 15 anos saí para uma vida laica, ateia com o crescimento  e com enorme “inveja” dos homens/mulheres de fé, cujo mistério não me tocou.
Procurei sempre as explicações da vida na razão e nos humanos.  Estes últimos , também tão imperfeitos, e a caminho da” imortalidade” graças  à ciência e à tecnologia , são uma enorme fonte de decepção. E se acontecer, serão Homens?
 Mas há gente boa, muito boa, felizmente.   
Como dizia um publicista brasileiro “as únicas pessoas sem fé são que que têm saúde”.
E veio-me à memória José Afonso, o nosso Zeca, que nos fins de sua vida se agarrou a Santa Teresa d`’ Ávila e a Santo Agostinho.
A vida, desde que me lembro dela em concreto, não me deixou passar muitas coisa ao lado, no que se relaciona com Fátima.  Sou de uma cidade, Figueira da Foz, onde fins dos anos 60 /70, nesta data,  saíamos á rua depois de jantar para ver as centenas de autocarros com peregrinos, que no regresso ao norte, pernoitavam na cidade.
E o que sentíamos como um “folclore” ? A ocupação da cidade por autocarros e peregrinos, as botijas de gás que acendiam os fogões de dois bicos para cozinhar, todos os artefactos de cozinha, cobertores para dormir no chão e na relva do nossos jardins públicos,  e as senhoras que alugavam quartos para os que,  com mais possibilidade,  podiam dormir no conforto de uma cama limpa mais banho. Uma forma de subsistência, num país de fracos recursos e próprio de uma cidade que já vivia da época balnear.
Fui a última vez a Fátima tinha eu 18/9 anos. 
Já tinha ido mais vezes em excursões do liceu e a casamento. Era hábito , quem podia, casar em Fátima .
 Faz precisamente amanhã  47 anos que o  1º dia de trabalho sazonal como guia turística, na empresa AVIC, foi a Fátima. Os clientes eram ingleses, classe média, média baixa, “from” Manchester e Liverpool.  Foi precisamente a Fátima.
Quadro mais surrealista, não poderia ter acontecido na minha vida. Ainda não sabia o que era o surrealismo, ouvia falar dele, nem conhecia H. Bosch . Seria o Marrocos de que se falava nos anos 60? Talvez. Mas o comportamento e a sujidade foram aterradores.  A pobreza, a do país. A fé, a das desgraças que acontecem a cada um ou que se não desejassem que acontecesse.
A ida a Fátima, era roteiro de sábado depois de almoço.  Numa outra viagem , aonde decidi que os clientes teriam 2h para conhecer e “sentir”, foi a última que saí do autocarro.
Deparei -me com rapariguinhas jovens, grávidas, internadas em instituições religiosas de freiras/madrastas, que as faziam andar de joelhos á volta da capelinha das aparições, a penitenciarem-se do pecado …  Fiquei horrorizada.
Daí para a frente evitei ir a Fátima fazendo-me substituir por um guia espanhol, muito católico e que estimava muito a minha mãe como reputada funcionária da Biblioteca Municipal.
Sou da geração das Mães que lhes roubaram os filhos para a guerra colonial. Regressar ou não, era sempre uma dúvida . Regressar são, era outra dúvida . Daí as promessas, as caminhadas a pé a cumprir as suas promessas.  Um horror no sofrimento permitido pela igreja .
Era miúda quando o Papa Paulo VI veio a Portugal. Também aterrou  em Monte Real e passou pela Figueira.  Foi uma loucura.
Porquê criticar o ênfase dado pela  CS  desta vinda do Papa Francisco a Portugal ? Há tantos outros canais alternativos e algumas estações de rádio com boa música. ..
 Quantos “Franciscos” encontraram na vossa vida como este ? Eu, só encontrei “francisquinhos”, e,  esses meninos , e meus alunos.
Fui ver o filme/documentário Fátima de João Canijo. Gostei bastante . E ainda ontem comentei á mesa. É uma peregrinação que  quem assiste,  faz durante 2 h e tal, mas onde o país real e as idiossincrasias do ser humano estão lá quase todas .
No fim,  já em sentimento “beato”, beijam-se e abraçam-se e perdoam-se.
Fez-me lembrar outras situações de grandes encontros comunitários /partidários, onde cá fora se “apunhalam”, e lá dentro, em festa,  são todos companheiros e camaradas.  É a fé ….
É um filme   hiper realista 
Para finalizar este desabafo que tinha comigo há dias, o poeta Tolentino, numa das suas crónicas desta semana no Expresso, ao definir etimologicamente a palavra “Papa”, pai, falou da nossa enorme” orfandade de pai”. E na verdade estamos órfãos de boas referencias.  Por isso Francisco se tornou um fã de várias religiões, e de pessoas improváveis.

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( quando era miúda, ia  com a minha avó , no mês de Maio, à procissão das velas que se fazia na aldeia. Adorava aquela mística da vela acesa dentro de um copo de papel , e ouvir vendedores gritarem, “copo e vela dez tostões”… )

E… para todos os que fazem anos hoje e amanhã, “parabéns a você”… É que os há e eu conheço.

Fotografia do filme "Fátima", Rita Blanco e a outra menina que me desculpe, não fixei o nome.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Os amigos de Baptista Bastos falam mais alto ... (1934-2017)

POEMA PARA OS MEUS AMIGOS
Virar a cabeça
não é resguardar
*
(amigos)
*
nem ver as pessoas
é vistoriar
*
Sedenta é aquela
que olha uma montra
no fundo dos olhos
reparem
está morta
*
os outros passeiam
com ar de enganados
*
Verdade é aquele
com a fome
no fato
*
Virar a cabeça
não é reparar
*
(amigos)
*
nem ver as pessoas
é vistoriar
*
O chão tem os
anos
e a área dos meses
*
e a morte é um fruto
com raiva nos dentes
*
Reparem
no choro que nos deram
no berço
*
verdade é a Hístória
com arado
e semente
*
Virar a cabeça
não é confrontar
*
(amigos)
*
nem ver as pessoas
é vistoriar
*
Tem o povo as mãos
pregadas na terra
*
Se um dia as recolhe
são armas de guerra
*
que o pão
 é feitio que o corpo
ai toma
*
e verdade é no peito
uma bala sem lógica
*
Virar a cabeça
não é perguntar
*
(amigos)
*
nem ver as pessoas
è vistoriar
*
Dobrada lava a mulher
o chão
de toda uma casa
*
que os braços
não lavram milho
com as espingar quebradas
*
questão de vício
ou vencer
*
questão de força
*
Reparem
*
há um clima
de raiva
com armas que não disparam
*
Virar a cabeça
não é transformar
*
(amigos)
*
nem ver as pessoas
é vistoriar
*
("Cronista não á Recado" - 1967)

Fotografia de Alfredo Cunha 
Poema de Teresa Horta  ( poema dedicado aos amigos e um dos preferidos de BB ), em FB

domingo, 7 de maio de 2017

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Leituras breves mas profundas

"É dele ( Nuno Brederode dos Santos) uma frase de que me apropriei: não te esqueças que a indignação é um espasmo de inteligência."

 
Egon Schiele, "auto-retrato"

Palavras de Luís Osório no FB.
Eu. também admirava o que lia de Nuno Brederode. Já lá vai bastante tempo.

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dia Mundial da Liberdade de Expressão

"Reflita por um minuto neste começo do dia na importância que tem uma imprensa forte, livre e de qualidade para que os nossos dias (os meus e os seus) corram melhor. Veja e ouça António Guterres falando sobre o assunto, repare nesta notável coleção de cartoons e anote o que está a ser preparado no mundo. Não perca o que o investigador dinamarquês Flemming Rose escreve sobre como a (nossa) Europa corre o risco de precipitar no abismo o sistema que garante a liberdade de expressão (sabia que na Turquia há mais jornalistas presos que em qualquer outro país do mundo – um terço do total – incluindo China, Coreia do Norte e Cuba?). As notícias são sombriasEduard Snowden, o homem que denunciou a espionagem da NSA e agora vive na Rússia, vai ser entrevistado hoje aqui. E, por favor, não se esqueça que só em 2016 morreram 57 jornalistas no exercício da sua profissão. Porque o jornalismo importa."






segunda-feira, 1 de maio de 2017

1º de Maio de 1974

Ler aqui biografia, a ícónica Drª Cristina Torres

Uma memória a preto e branco. 
Tinha 23 anos e deveria ser a única pessoa que andava a comemorar o dia 1º de Maio por Belém, mão na mão, por que pegaram nela. Tristeza espetada no rosto. Enquanto uns gritavam , eu, silenciava por ali. Havia sol.
O artista achava que havia mil formas de festejar este dia, ele escolheu a beira rio em liberdade e processo criativo .  Processo que se não podia misturar com as massas. Nóias que nunca dão bom resultado. E assim foi.

domingo, 30 de abril de 2017

Uma forma adocicada de ir aparecendo ... By, by, April

(Come chocolates, pequena; 
Come chocolates! 
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. 
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria. 
Come, pequena suja, come! 
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! 
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho, 
Deito tudo para o chão, como deitei a vida fora .


Álvaro de Campos, em Tabacaria

terça-feira, 25 de abril de 2017

sábado, 22 de abril de 2017

Bom fim de semana e semana ainda melhor....

Fotografia tirada há 3 anos , no dia dos 40 anos  do 25 de Abril, numa tasca perto do Rossio. A mesa era o poiso.
Nunca deixei de gostar dela.
Tentem ser felizes.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

" Um Choro Feliz"


«LIBERDADE» (1 poema de Paul Éluard)


LIBERDADE

Nos meus cadernos de escola
Na minha carteira e nas árvores
Nos areais e na neve
Escrevo o teu nome

Em todas as páginas lidas
Em todas as páginas brancas
Pedra sangue papel cinza
Escrevo o teu nome

Sobre as imagens douradas
Nos estandartes guerreiros
Tal como na coroa dos reis
Escrevo o teu nome

Nas selvas e no deserto
Nos ninhos e nas giestas
No eco da minha infância
Escrevo o teu nome

Nas maravilhas das noites
No pão branco dos dias
Nas estações enlaçadas
Escrevo o teu nome

Nos meus farrapos de azul
No pântano sol alterado
No lago luar vivente
Escrevo o teu nome

Nos campos do horizonte
Sobre umas asas de pássaro
Sobre o moinho das sombras
Escrevo o teu nome

Em cada sopro de aurora
Na água do mar e nos barcos
Na serrania demente
Escrevo o teu nome

Na clara espuma das nuvens
Nos suores da tempestade
Na chuva insípida e espessa
Escrevo o teu nome

Nas formas resplandecentes
Nos sinos de muitas cores
Sobre a verdade da física
Escrevo o teu nome

Nas veredas bem despertas
Nos caminhos descerrados
Nas praças que se extravasam
Escrevo o teu nome

Na lâmpada que se acende
Na lâmpada que se apaga
Nas minhas casas unidas
Escrevo o teu nome

No fruto partido em dois
do meu espelho e do meu quarto
Na cama concha vazia
Escrevo o teu nome

No meu cão guloso e meigo
Nas suas orelhas erguidas
Na sua pata sem jeito
Escrevo o teu nome

Na soleira desta porta
Nos objectos familiares
Na língua de puro fogo
Escrevo o teu nome

Em toda a carne que tive
Na fronte dos meus amigos
Em cada mão que se estende
Escrevo o teu nome

Na vidraça das surpresas
Nos lábios que estão atentos
Muito acima do silêncio
Escrevo o teu nome

Nos meus refúgios desfeitos
Nos meus faróis aluídos
Nas paredes do meu tédio
Escrevo o teu nome

Na ausência sem desejo
Na solidão despojada
Na escadaria da morte
Escrevo o teu nome

Sobre a saúde refeita
Sobre o perigo dissipado
Sobre a esperança esquecida
Escrevo o teu nome

E pelo poder da palavra
Recomeço a minha vida
Nasci para te conhecer
Nasci para te nomear


Giestas brancas, as minhas fotos.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Olhares.... Boa semana

Still Life by a Window

Winifred Nicholson (1893–1981)

Não podendo falar para toda a terra
direi um segredo a um só ouvido

Lidia Neto Jorge

domingo, 9 de abril de 2017

Leituras que me deixam bem disposta. Breves, mas boas.

               
 Bela prosa que só hoje li,  de José P. Pereira. Até vou para o sol mais bem disposta.

"É por isso que, se eu fosse o nosso secretário de Estado que teve com ele uma altercação, tinha levado para a circunspecta reunião o seu iPad ou iPhone, e punha-o a tocar uma música, como se fosse o hino nacional dos países do Sul, embora ela tinha sido escrita bastante mais para o Centro-Norte da Europa. E diria, olha lá ó Presidente, sabes como se chama esta música? Repara em cada palavra, copos, mulheres e música. “Vinho, Mulheres e uma Canção” (Wein, Weib und Gesang) de Johann Strauss é uma muito conhecida e popular valsa cujo título deriva de um adágio muito comum em várias línguas e que diz mais ou menos isto “quem não gosta de vinho, de mulheres e de música permanece um imbecil a vida toda”.   

Crónica completa, aqui.              

sábado, 8 de abril de 2017

As palavras dos outros.... Bom fim de semana

Não sei o que vocês vêem

Mas eu vejo sempre
Franklin Roosevelt a levantar-se
da cadeira de rodas
E Winston Churchill a discursar
no Parlamento britânico
E Bertold Brecht a dizer
'nunca digas que é natural,
para que nada possa parecer imutável'

E Jack Kerouac a atravessar a América
E 'when a man loves a woman',
na voz de um preto nítido
e de um branco insurrecto
E 'obviamente demito-o'!
Não sei o que vocês vêem
de tão natural assim
no horror das bombas e das demissões
de ser decente
Mas eu tenho para mim
que é preciso uma outra gente
bailados de Bob Fosse
e canções de Ute Lemper
Perdemos tempo no delta do Mekong
quando tínhamos o Tejo tão perfeito
E até o Ebro em desembarque
e as saias das dinamarquesas quando dançam
Ficámos parados
onde avançam sempre realidades
Há dois mil anos que temos
as fadas, as musas e as deusas todas
Falta realizá-las
(Márcio Alves Candoso)

Agradeço ao Márcio Candoso o post deste dia. Retirado do FB.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

O mundo de Paula Rego está aí....

Paula Rego fotografada pelo seu filho, no seu ateliê em Londres.

Ler AQUI , jornal Expresso Diário.


Os quadros de Paula, são mesmo para serem vistos numa casa própria. 

Eles ganharam esse espaço em Cascais, Casa das Histórias de Paula Rego.
Pelo que tenho acompanhado da sua pintura, sempre senti " loucura" , "depressão", "educação", "relações": Estórias, que não seriam sempre lendas, mas narrativas da sua própria vida.
Pelo que tenho lido nas conversas e entrevistas na última semana, sou levada a pensar, que para além da grande desenhadora que é , a sua pintura corresponderá a um, penso logo existo ou existo porque penso?
Pintar, tem sido a sua própria existência e essa existência foi sempre bem mais dura do que era sabido. Catarse e engajamento .
Gosto de ir ver os trabalhos de Paula. Anseio por sábado para ver o filme realizado pelo filho, no local certo . Casa das Histórias. 
Cá em casa, se eu pudesse ter uma obra de PR, teria que ser muito bem escolhida.... Não dá para todos os dias de contemplação.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

"as manhãs de Abril são boas para dormir" (provérbio)


De Almada Negreiros
Lentamente vou-me chegando até vós.
Esquecidos, não estão os que por aqui vão passando. 
Só adormecidos....

segunda-feira, 27 de março de 2017

Leituras breves, olhares atentos...

"Vale de Alcantara", 1956, de João Hogan


Que fazemos, Lisboa, os dois aqui,
na terra onde nasceste e eu nasci?
A. O´Neill E de Novo, Lisboa...

sábado, 25 de março de 2017

Não há sábado sem sol....

Na vidraça do meu quarto
Parece que alguém chorou
Com saudades de partir


De António Botto

(metereologia do Expresso de hoje)
Imagem do FB

sexta-feira, 24 de março de 2017

PARE- ESCUTE -OLHE....

Se não quiser olhar,  escute.

terça-feira, 21 de março de 2017

Para os amigos poetas e os que vivem com alguma poesia

Nem o abstracto nem o concreto
       São propriamente poesia.
                Poesia é outra coisa.


Vitorino Nemésio , Arte Poética

Série “Quatro Estações”,  a Primavera ,obra do famoso pintor italiano Giuseppe Arcimboldo.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Da Primavera à Poesia...

"Arbustos na primavera" (1925). Paul Klee 

Amanhã é o Dia Mundial da Poesia. Não se devia fazer mais nada nem dizer mais nada nem pensar em mais nada senão em Poesia. A Poesia devia andar nas ruas, nos bairros, nos prédios, nas empresas, nos bancos, no parlamento, no Governo e na oposição. A Poesia não caça, não enche os bolsos, não serve para troca de favores nem para pagar a conta da mercearia. A Poesia é subversiva, mesmo quando parece compostinha. A Poesia descobre o futuro, muito antes de os viventes saberem onde anda o futuro. A poesia é para comer, como disse Natália Correia, dirigindo-se a todos os subalimentados do sonho.


Portugal tem muitos e muitos excelentes poetas. Passados, presentes e futuros. Conhecidos ou desconhecidos, mundanos ou incógnitos. Em Portugal fez-se, faz-se e vai continuar a fazer-se excelente poesia. Há editoras que só editam poesia. Não é tão corajoso, tão desafiante? Como se vive de sonhos? Como se mastigam os sonhos? A que sabem os sonhos?

Expresso Curto, hoje, Nicolau dos Santos, também poeta.