domingo, 22 de outubro de 2017

sábado, 21 de outubro de 2017

Várias engenhocas que o não engenheiro deixou nas mão da rapariga...

POEMA

SE...


Se é possível conservar a juventude
respitando abraçado a um marco do correio;
Se a dentadura postiça se voltou contra a pobre senhora
e a mordeu deixando-a em estado grave;
Se ao descer do avião a Duquesa do Quente
pôs marfim a sorrir;
Se Baú-Cheio tem acções nas minas de esterco;
Se na América um jovem de cem anos
veio de longe ver o Presidente
a cavalo na mãe;
Se um bode recebe o próprio peso em aspirina
e a oferece aos hospitais do seu país;
Se o engenheiro sempre não era engenheiro
e a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços;
Se, reentrante, protuberante, perturbante,
Lola domina ainda os portugueses;
Se o Jorge (o «ponto do Jorge!) tentou beber naquela noite
o presunto de Chaves por uma palhinha
e o Eduardo não lhe ficou atrás
ao sair com a lagosta pela trela;
Se «ninguém me ama porque tenho mau hálito
e reviro os olhos como uma parva»;
Se a Mimi Travessuras já não vem a Lisboa
cantar com o Alberto...

... Acaso o nosso destino, tac!, vai mudar?


Alexandre O'Neill

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Olhares sem palavras....


Georgia O'Keefe, Taos Pueblo, New Mexico, 1960 for LOOK, fotografia de Tony Vaccaro

O hábito magazinesco  de legendar fotografias com frases «poétics» foi-se perdendo. Hoje, a fotografia fala por si própria e a fotografia também...
Alexandre O ' Neill

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Hoje....

Pintura naif d Ronaldo Mendes

Que tudo passe depressa para as trevas do esquecimento...  Mas um esquecimento planeado no sentido da renovação.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.

Miguel Torga, Pátria

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Que a música possa aliviar as dores desta vida ....

Zeus, senhor do Olimpo e das águas, nunca ouviu Mozart...
Caso sim, faria que começasse a chover a céu aberto.

domingo, 15 de outubro de 2017

Deixá-los falar, pensa ele (s).... Bom resto de domingo

Desenho de Afonso Cruz
Penso nos meninos do "coro" deste país ...
Uns vão à missa, outros nem tanto, e há os ateus, mas todos assobiam para o ar.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Pensando Seia e as suas vigésimas Jornadas Históricas~~~~~"O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO"


E, já se caminha com amor e humor,  carinho e sabedoria, há 20 anos.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pensando a nossa querida Republica ja longe de fantasmas. ..

VIRTUDE REPUBLICANA

Cícero (108 a.C. – 62 a.C), no seu Tratado da República, ensinou que um cidadão, para ser virtuoso, teria de cultivar “a justiça e a piedade, que deve ser grande para com os parentes e aderentes, maior ainda deve ser para com a pátria”, nível supremo que se exprimia como serviço (officium) e como preocupação (cultus) pela coisa pública, um género de pietas e de “caritas rei publicae” (Tito Lívio) que não podia ser confundido com a cupidez e com o propósito de se possuir, egoisticamente, o objeto amado. O que ajuda a explicar por que é que, para além da ideia territorial e circunscrita de “pátria” (a “terra dos pais”), a de “pátria comum” reivindicava, antes de tudo, uma justificação ético-cívica sobredeterminadora da Lei e do Direito. Daí que a virtude (virtus) republicana apontasse para um ideal que só estaria realizado quando, no indivíduo, se fundisse a teoria com a prática. Como lembrava o mesmo Cícero (e mais tarde, Maquiavel, com o seu conceito de virtù), não bastava ser “detentor da virtude”, como se “de uma técnica qualquer” se tratasse. É que ela “reside toda na aplicação”, ou melhor ainda, é a governação do Estado (civitas) e a execução, por ações, e não por palavras, “daqueles mesmos princípios que se murmuraram pelos cantos”. Destarte, um homem virtuoso por excelência nunca será o que se mantém “à margem de toda a atividade pública”, como se somente fosse um credor da sociedade, mas será aquele que, sentindo-se igualmente devedor, se mostra disponível para servir a pátria, tornando a cidadania sinónima de empenhamento nos negócios comuns.

Fernando Catroga, Ensaio Respublicano, 2011

domingo, 1 de outubro de 2017

Uma citação para o dia de hoje, 1º de outubro

"Se não encontrares o que esperas não encontrarás o inesperado ."
Heráclito
Andrew Wieth, pintura.(1917-2009)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bom fim de semana, quase em período de descanso e" reflexão"...

Há quem não tenha dúvidas. Só certezas. Nem que seja por estima e antiguidade na militância partidária. 
Há quem vote num lado a contragosto, só para que o outro , o ganhador, não fique em maioria....
Há os indecisos.... Os que votam em branco. E os que só vão à missa ou nem isso. 

Eu vou votar.


Norman Rockwell (1894-1978), pintura

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Tony Viccaro, fotógrafo de guerra e de imprensa

Belíssimo programa na RTP 2 . 
Este , o documentário que passou.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Portugal, tornou-se a "terra" dos encantos...

Norman Rockwell , Land of Enchantment


Eu abria um pouco os olhos e via a janela cheia de luar
E depois fechava os olhos outra vez, e em tudo isto era feliz



Álvaro de Campos, Ode Marítima

domingo, 24 de setembro de 2017

sábado, 23 de setembro de 2017

Em pleno equinócio....




David Hockney, no sei "iped", desenhou o Outono para nós.


Ninguém cheira melhor
                     nestes dias
do que a terra molhada: é outono.


                                    Eugénio de Andrade

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pensamento do dia . Autárquicas.


Twiggi, porque gosto e foi minha contemporânea, um pouco mais velha, mas cujas passadas segui nos cortes de cabelo.
Guardo há muito esta fotografia. Além de bonita, gosto da sua boca de espanto o que lhe acentua mais a expressão de olhar.

Uso-a como metáfora para a pena e alguma tristeza que sinto em relação a alguns concelhos cujas candidaturas me arrepiam e cujas diatribres são públicas outras mais camufladas....
Vivo no concelho de Cascais, tenho Oeiras aqui ao lado e gostaria de ir votar a Lisboa.

"sexygenário", hoje.

Parabéns.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Bom dia!"



O HOMEM DE ABRIL


Eis o homem de Abril.
Nasceu fraco e de pé.
Já fraco fez-se velho.
Fez-se velho a valer.

Sentou-se ao pé de um muro,
Atrás o sol nascia.
Uma rosa rompeu.
Era manhã. Bom dia!

De António Ramos Rosa, do livro Correspondência 1952-1978 entre Jorge de Sena e António Ramos Rosa

Pintura de Costa Pinheiro

terça-feira, 19 de setembro de 2017

"A praxe", nas palavras de João Quadros

A praxe não tem lugar na universidade. Por alguma razão não existe uma cadeira de luta de cães, uma oral em arrotos, ou uma Universidade Zezé Camarinha. A praxe nunca devia ter saído dos quartéis.

“O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado”; “não é um ser racional”; “não goza de qualquer direito”. As citações são retiradas de um “Manual de Sobrevivência do Caloiro” que está a ser distribuído, nos últimos dias, por alunos mais velhos aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Do blogue Estátua de Sal (continuar leitura)

Gostei muito. Verdades com humor.
Touro de Falaris, objecto de tortura entre 1500 e 1700


domingo, 17 de setembro de 2017

sábado, 16 de setembro de 2017

FIC. Cascais . Não fique em casa....apesar da ventania

Trabalho gráfico dMat Collishaw, 

Ontem foi noite de ouvir Rosa Montero e Lídia Jorge, no âmbito das conversa programadas pela FIC, na Casa das Histórias.
A energia de Rosa, contrastava com a leveza da voz de Lídia, ...
Comprei o 1º livro de Rosa Montero com uma dedicatória explosiva. Linda. "A Louca da Casa".
Enquanto esperava , abri aleatoriamente na página 103.
Mais um sinal...

«Amar apaixonadamente sem ser correspondido é como ir num barco e enjoar: sentes-te morrer mas provoca o riso dos outros,», disse-me uma vez com esmagadora lucidez o escritor Alejandro Gàndara. " 

Como diz Rosa Montero , este "libro é mentiroso y jogueton"....

Destino, liberdade

"Verdade,amor, razão, merecimento
Qualquer alma farão segura e forte,
Porém, fortuna, caso, tempo e sorte
Têm do confuso mundo o regimento"

Luís de Camões




sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Olhar clínico ... São assim os grandes fotógrafos



"Quantos rostos se Vêem ali sem cor,
Que ao coração acode o sangue amigo!
Que, nos perigos grandes, o temor
E maior muitas vezes do que o perigo"

Camões

Fotografias de Artur Pastor, 1960

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Natália Correia, 94 anos e 2 dias .

"Tertúlia", Natália  Correia, Fernanda Botelho, Maria João Pires, de Nikias Skapinasakis, !974



"cremos que nesta Antologia se faz prova de um progressivo desanuviamento das repressões que compeliram o Instinto a desobturar-se nos esconsos do verbo fescenino, que se vai atenuando à medida   que o amor é assumido em todo o genuíno  pulsar da sua  essência global de espírito e de carne "

Natália Correia

Novembro de 1965

Excerto do prefácio , ANTOLOGIA DE POESIA PORTUGUESA ERÓTICA E SATÍRICA

Abram as luzes, p.f.

Momentos há na vida que a escuridão assola de uma forma violenta e muito triste os neurónios dos afectos . 
Saudades das saudades e da convicção que eu tinha que o Sol estava onde eu quisesse. 
Aconteceu, e eu não esperava.


(Trabalho de Mat Collishaw, série Ludo. Projecto artístico em que apresenta a reinterpretação de um candelabro barroco)

terça-feira, 12 de setembro de 2017

100 anos e um dia.... Violeta Parra




"Graças à la vida", por mais que o desejo fosse de enorme longevidade, existiu Violeta Parra, pintora, cantora e mulher de vanguarda , que não resistiu , quem sabe , às contrariedades da vida e dos amores...
Ontem faria 100 anos. Ontem fizeram 50 anos que decidiu deixar o mundo.

Ontem também gostaria de ter falado do Chile de Allende . De um amor de vida, Renato Pavel, refugiado chileno a viver entre nós, um braço de ajuda de Salvador Allende e que também tragicamente nos deixou em 1989/90 . Também pintava.
Das obras de Violeta , só procurei o nome do ultimo quadro."O Inocente".Apesar de ter mais de 50 anos vou adoptá-lo para lembrar o 11 de Setembro de 1973.
No CCB vão passar a filha e neta de VP. 
O ADN sempre a funcionar. 
Dia bom a quem passa.

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Pensamento para a semana . Que seja boa.













"Se tens um jardim e uma biblioteca tens tudo o que precisas."


                                        Marco Túlio Cícero 

















Vieira da Silva, Autoretrato

sábado, 9 de setembro de 2017

Sempre com vista de mar ...


Tempo de mudança.
Escolas e escolinhas abrem as portas. Criançada vai para outras lides .
 E ainda bem que o tempo vai mudar para as botas poderem calçar...
Mar à Vista muda a sua roupagem , mas sempre com vista de mar . 
Bom sábado.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Hoje dou-te um verso.... bom fim de semana

Gravura do séc. XVIII, água forte.



(adeus palavras, sonhos de beleza,
montanhas desoladas da infância
        donde tudo se via: a alegria
e a cegueira do que se não via:)

Manuel António Pina, Farewell Happy Fields

(excerto)

Olhares.... (desta , para o passarinho...)

De tudo me lembro, menos do fotógrafo .
Sei que por aí num canto de qualquer álbum tenho fotografia(s) tirada(s) em cima do cavalinho de pasta de papel.
Era assim nas praias de Portugal, neste caso Figueira da Foz, mas hoje em dia eles continuam a surgir de forma revivalista.
Também  era bonita a cidade no principio e meados do séc. XX . A nossa Biarritz  portuguesa que o mau gosto que assolou a cidade fez questão de destruir. 
Há vestigios.

(foto surripiada a Fernando Curado , via FB, um divulgador da Figueira da Foz antiga)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Entre férias e pós férias. Leituras matinais.

Lugar às férias…
Nem é preciso rever a filmografia de Jacques Tati para nos divertirmos com o paradoxo das férias de Verão. É ver tantos portugueses direitos às zonas mais congestionadas do Algarve, frequentando praias cheias, engarrafamentos, discotecas iguais às de Lisboa ou do Porto e acotovelando-se com as mesmas pessoas que encontram no resto do ano.

Por alguma razão os monarcas lusos eram senhores do reino de Portugal e dos Algarves. Para quem queira uns dias diferentes, o Parque Nacional da Peneda Gerês tem muito para oferecer. Não há praia mas há cascatas, trilhos de montanha, piscinas naturais e uma paisagem que, apesar de tudo, não diverge muito da descrita por Miguel Torga nos anos 20.


Não temos todos que ter os mesmos gostos mas, para quem se sinta tentado pelo Gerês, sugiro a Casa dos Bernardos, a meio caminho entre Santa Maria do Bouro e Terras do Bouro, onde mais facilmente ouviremos os chocalhos do gado que um telemóvel a tocar, até porque a cobertura de rede não é famosa.

… e à leitura

Falar de paisagens não desfiguradas pelas perversões do turismo de massas dá vontade de reler o “Guia de Portugal”, essa monumental obra em oito volumes, produzida entre 1924 e 1969, primeiro sob a direcção deRaul Proença e depois de Sant’anna Dionísio.


Em 1995 no Expresso editámos o nosso próprio Guia de Portugal de que alguns leitores ainda se recordarão. Não tinha a escala da obra em boa hora editada pela Fundação Gulbenkian (e agora também existente na versão ebook) que teve entre os seus colaboradores figuras da dimensão de Orlando Ribeiro, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro e tantos outros.


Mas o Guia Expresso de Portugal foi, apesar de tudo, marcante e acrescentou à descrição de sítios e monumentos sugestões práticas de percursos rurais ou urbanos, a pé ou de viatura e mil e uma sugestões em matéria de gastronomia, alojamentos, artesanato, feiras e romarias, etc. Nasceu de uma conversa entre o então director do Expresso José António Saraiva e eu próprio. O resto da história sabem-na os leitores mais fiéis.


Durante estas três semanas de férias reli pela enésima vez um dos meus livros favoritos, escrito por um outro Raul, neste caso Raul Brandão: “Os Pescadores”.


Não me canso da descrição da velha Foz do Douro, da ida dos poveiros para a faina ou dos pescadores algarvios que não tinham medo de nada, menos das bruxas. E eram as suas mulheres que, alta noite, os levavam ao barco, esconjurando à força de archotes medos ancestrais capazes de bloquear homens que não receavam ventos do Levante e ondas de cinco metros. Um livro existente em múltiplas edições de bolso e a preços simpáticos.



Excerto de crónica de Rui Cardoso, editor , no Expresso Curto de hoje.



quarta-feira, 23 de agosto de 2017

São pernas, senhores....*

As pernas são as nossas "rodas", isto é, os instrumentos que nos transportam à volta ao mundo. Consequentemente, o simbolismo que lhe está associado é a velocidade.

*(que já viveram melhores dias.... ou nunca ouviram falar no síndrome das pernas inquietas?)

Pintura de Giacomo Balla, 1912

sábado, 12 de agosto de 2017

bom fim de semana e boas férias

A meus filhos 
desejo a curva do horizonte.

António Osório

Tenho os olhos azuis de tanto os ter
lançado ao mar

Maria do rosário Pedreira



quarta-feira, 9 de agosto de 2017

"sem História e sem memória não pode haver futuro" (uma forma de regressar pouco a pouco)


Desenhar para Nunca mais Esqecer
(programa que passou na RTP2, 6 de Agosto e a não perder)

"O que aconteceu com as crianças que se deitaram no berço errado? Perguntou o artista austríaco Manfred Bockelmann. Nascido em 194, ele embarcou numa missão: desenhando os seus rostos ele quer retirar do esquecimento as inúmeras crianças que que foram assassinadas na Alemanha nazi.
E veio-me à memória a ainda não acabada de ler entrevista de de Arundahati Roy, indiana, ao Expresso desta semana. Querm poderá vir a desenhar os rostos das crianças maltratadas e assassinadas na Índia?
Quantos anos terão que passar? 
Haverá fotografias?

Nem o programa na TV nem a entrevista de Roy, podem ser desperdiçadas. 

terça-feira, 18 de julho de 2017

Pausa, que não de férias, mas também ... Se gostam de Corto Maltese, surpreendam-se

Ler texto todo AQUI

Pausa neste Mar .... Até que a vontade me volte .
Boas férias a quem passa e um enorme abraço . tão grande como Corto....
Parece que Mitterrand, perguntado sobre que personagens o impressionavam ou o seduziam, apontava para Corto Maltese. Matreirice, seria uma imitação mais elegante, mas escassamente menos narcísica, de um De Gaulle que afirmava que só temia a concorrência da popularidade de Tintin. Cada um vinha do seu tempo e, se ambos sobreviveram com um “perfume de lenda”, como escreve Umberto Eco sobre Corto, o facto é que foi Hugo Pratt quem marcou a imaginação que trespassa as fronteiras do espaço e da imaginação. Por isso, Corto Maltese é o herói moderno que sobrevive à sua contemporaneidade.
Talvez as pistas sobre este marinheiro maltês, filho de uma cigana de Sevilha e de outro marinheiro perdido, que nasceria em 1887 e cresceria no bairro judeu de Córdoba, ou seja, sem pátria, assistindo depois às guerras inaugurais do novo século, estejam por aí espalhadas: Italo Calvino participara na preparação de um guião de um filme, “Tikoyo e o tubarão” (1962, Folao Quilici), sobre uma criança que fala com o seu amigo tubarão, e horizontes oníricos desse tipo foram sendo explorados por muitos autores (veja-se a “Balada” ou “Mu”); e, evidentemente, a literatura de viagens aventurosas, de Rimbaud a Jack London, povoara a juventude de Hugo Pratt. Pratt, aliás, cresceu na Etiópia, viveu em Buenos Aires e Veneza, e sobretudo, percorreu as fábulas em que se mistura com Corto, a que dá forma no dia 10 de julho de 1967, com “A Balada do Mar Salgado” – fez agora cinquenta anos.

domingo, 16 de julho de 2017

Entre a arte e a solidariedade, bom domingo

Fotografia de Ana Baião
Fotogaleria para ser vista AQUI   e texto de importância para amantes de fotografia e o prazer de ser solidário.

(Público de hoje)

quinta-feira, 13 de julho de 2017

segunda-feira, 10 de julho de 2017

leituras breves e boa semana

O amor
ofereceu-me o teu rosto absoluto,
projectou os teus olhos no meu céu
e segreda-me agora uma palavra:
o teu nome

Fernando Pinto do Amaral, Segredo

(fotografia de fotografa célebre , mas esqueci o nome)

sábado, 8 de julho de 2017

Ainda O'Neill . Bom fim de semana

Pintura de Júlio Pomar (ano?)


.....
O Português é, com certeza, um dos povos que ainda mais se preocupa com figura que faz perante os outros, sobretudo perante os estrangeiros. Sendo acolhedor, lhano, gentil, o medo do ridiculo domina-o a tal ponto que o leva a hipérboles; essas, sim, perfeitamente ridículas. As perfomances  sexuais do português  - do portuguesito, como muitas vezes se diz, no fundo para aumentar a repercussão das proezas - são constantemente exaltadas  acabam por impregnar de ranço as conversas. no seu foro intimo, o que as mulheres portuguesas se devem rir! É que elas, frustradas ou não, são as mães dos seus próprios homens e olham-nos misericordiosamente... 

....

Da crónica, PARA NASCER, POUCA TERRA; PARA MORRER, TODA A TERRA


quinta-feira, 6 de julho de 2017

PARA NASCER, POUCA TERRA; PARA MORRER, TODA A TERRA (continuação)

   O anedotário relativo ao recente passado politico português é fértil  em exemplos nos quais a culpa e o medo, mesmo quando objecto de irrisão, desempenham o principal papel. Pense-se na conhecida história do professor de de literatura portuguesa que chega a casa, depois de um dia de trabalho e, muito irritado, desabafa com a mulher : - « - Calcula tu que hoje perguntei a um rapazito de doze anos quem tinha feito Os Lusíadas . Sabes o que aconteceu? O aluno desatou a tremer, a choramingar e acabou por dizer que não tinha ele... É incrível, não achas?.  Resposta da mulher: «- Ó querido, Talvez não tenha sido, coitado...»
  Bem sabemos que de qualquer regime totalitário se pode contar uma história semelhante a esta, só que em Portugal a rejeição da culpa toma, como automático reflexo, a prevalência, quase empurrando para segundo plano a ignorância cultural crassa que na mesma história se manifesta. Isto é: o simples perguntar « Quem fez ?»... é encarado como imputação de responsabilidades e imediatamente repelido.
A culpa vem-nos  de longe . É,  com certeza muito anterior à Contra-Reforma e à instauração da Santa Inquisição. Pois não será verdade que a fundação da nacionalidade portuguesa por mais que os historiadores alinhem motivos extrapessoais, extrafamiliares, estará sempre ligado, no consenso popular, ao castigo de uma culpa e, mais, à punição de uma mãe pelo seu próprio filho? Com efeito, toda a gente parece não ignorar que D. Teresa, a mãe de Afonso Henriques, que viria a ser o primeiro rei de Portugal, alegrava a sua viuvez com o conde galego Perez de Trava. Na batalha de S. Mamede (nas cercanias de Guimarães) D. Afonso vence a mãe, o Perez de Trava, os partidários deles e, de um só golpe, castiga culpada e, praticamente, põe Portugal em condições de nascer...
   Esta é a versão em que todos gostam de acreditar. É uma história em que as pessoas se podem projectar. tem culpa, tem rebelião do filho contra a mãe, tem castigo dos culpados e acaba por fazer nascer uma criança que viria a ser robusta : Portugal.

.....
(continua)

Do livro, JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU, da editora ASSÍRIO&ALVIM
Recolha de crónicas

terça-feira, 4 de julho de 2017

PARA NASCER, POUCA TERRA; PARA MORRER, TODA A TERRA ( Alexandre O´Neill ) (1)

Em Portugal, nunca deixamos cair um objecto: ele é que nos escapa das mãos. E, claro, a culpa não é nossa. Aliás, neste país vale tudo no jogo das relações entre as pessoas , menos ter culpa. Ou, melhor dizendo, da culpabilização fazemos nós uma arma. De um modo geral, podemos afirmar que , dentre as várias maneiras de  dividir a sociedade, uma delas é em culpados e não culpados. De quê, não se sabe bem. Pode nascer-se culpado sem que forçosamente se acredite no pecado original; è admissível que se morra sem culpa, apenas porque sim.
«A culpa não foi minha!», dirá a empregada doméstica ou a criança olhando para os cacos do prato que lhe escapou das mãos. E, provavelmente, tanto a criança como a empregada doméstica terão razão... É que tudo traz consigo uma espécie de fatalidade: o «destino» de um objecto pode extinguir-se nas nossas mãos porque assim estava determinado, predeterminado. O respeito que se tem por um criminoso «de morte», quando o crime dele é passional e não crapuloso, enraiza na mesma crença obscura. 
A gestação do medo, através desse complicado caminho de culpa e não culpa, começa no leite que se mama. Os telhados portugueses não têm só antenas de TV. Têm, ainda têm, sob formas tradicionais ou formas de banda desenhada, os papões que vêm inquietar o sono dos meninos:


Chó!Chó! Papão
sai de cima do telhado,
deixa o menino dormir
seu soninho descansado

E a verdade é que este papão - o culpabilizador por excelencia - se corporizou durante cinquenta anos, para o comum dos portugueses, na polícia que a todo o momento podia irromper por uma casa e levar este ou aquele para lhe espremer  culpas ou, depois, apresentar-lhe desculpas ....

....
(continua)

Crónica do livro, JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU, ALEXANDRE  Ó NEILL (compilação póstuma)

sábado, 1 de julho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

"OS BOIS QUE DIGAM OS SEUS NOMES ",


De Alexandre O' Neill, livro , JÁ CÁ NÃO ESTÁ QUEM FALOU

Barro , os bois, de Rosa Ramalho

domingo, 25 de junho de 2017

Hoje, dou-te um verso, amanhã, logo se vê ....

O gato do João Viana
-Quanto a ti, meu amor, podes vir às quintas-feiras,
       Se quiseres ser gentil, perguntar como estou.
Agora no meu quarto é que tu não entras, mesmo com as melhores maneiras :
Nada a fazer, minha rica . O menino dorme. Tudo o mais acabou.

Mário de Sá-Carneiro, Caranguejola

sexta-feira, 23 de junho de 2017

O "portuguesismo solar, carnal e pagão" * em noite de S. João

De Eduardo Viana , Bonecos de Barro, 1919

Excerto de poema a S. João

* Palavras de José Augusto-França a propósito de Almada e Eduardo Viana,  sobre o modernismo futurista na força que os anima.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

fim de semana a vosso jeito....

És tu quem está nos começos do mar
e as nossas palavras vão molhar-te os pés
Ruy Belo , Vestigia Dei

(o meu olhar)

terça-feira, 13 de junho de 2017

Fernando Pessoa e "Os Santos Populares"



"Fernando Pessoa terá escrito, como ele próprio afirma, os três poemas dedicados aos Santos no dia 9 de Junho de 1935. Quer seja verdade quer não, o que conta para o seu entendimento é a vontade do poeta que assim tenha sido."
(Introdução de Yvette Kace Centeno)
"Ainda que escritos sobre o tema popular dos três santos lisboetas de Junho, estes poemas não são, . nem pretendi que fossem, populares"
(nota de introdução de Fernando Pessoa)


SANTO ANTÓNIO

Nasci exactamente no teu dia -
Treze de Junho , quente de alegria,
Citadino, bucólico e humano,
Onde até esse cravos de papel
Que têm uma bandeira em pé quebrado
Sabem rir...
Santo dia profano
Cuja luz sabe a mel
Sobre o chão de bom vinho derramado!


Santo António,  és portanto
O meu santo,
Se bem que nunca me pegasses
Teu franciscano sentir,
Catholico, apostolico e romano.

....

.....