sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Eu e o Carnaval




Não gosto do Carnaval desde que comecei a tomar consciência do ridículo!
Não foi um sentimento tardio. Mas respeito os gostos regionais e individuais por tal festividade, só que nunca me verão lá!
Como professora, foi sempre um verdadeiro suplício enfrentar esta época do ano, com a criançada a envolver-se nas peripécias das bombinhas, garrafas de mau cheiro, bisnagas, sacos de água, farinha… e não sei mais o quê!
Depois havia que puxar dos galões e da lei…” a mais de 300m da escola não eram permitidas brincadeiras de Carnaval…”, a consciência do corpo docente ficava mais aliviada, a partir da esquina a responsabilidade era dos pais…
Depois, vinha a sexta-feira, último dia antes da partida para uma curta interrupção! Desfile, o pequeno desfile, entre as ameias do” meu “lindo Castelo, o de S. Jorge, aonde beatificamente trabalhei durante alguns anos!
A beleza e o rigor com que aqueles “meus” inesquecíveis meninos me apareciam trajados, exacerbados na sua beleza natural, como antevendo as rivalidades na diferença, para as marchas populares, que logo se seguiriam,
faziam-me esquecer o meu mal de viver da época e fixar-me nos registos fotográficos para depois partilharem com os pais .
Pequeno apontamento…

1-Hoje, ao passar na Escola Básica 1, junto á minha casa, os meninos brincavam depois de um pequeno desfile aqui na rua principal, meios trajados, meios pintados ou naturalmente vestidos. Não os senti de olhar feliz… porque nesta altura de tantas diferenças, a diferença ainda se faz sentir mais! Mas talvez o faz de conta em que estavam envolvidos desvanecesse essas diferenças! Quero acreditar que sim…
2- Que terrível ser obrigado a desfilar com as crianças por “despacho”, quando isso não faz parte de um projecto acarinhado por toda a comunidade educativa!
Foi bom ter sido professora! Hoje, gosto muito de estar por casa….

Os amigos são para as ocasiões...de Pitecos


Verdade, verdadinha...


"Quando a tua mãe pergunta "queres um conselho?" é apenas uma formalidade. Não interessa se respondeste"sim" ou "não". Vais tê-lo na mesma!
De, Erma Bombek, humorista norte-americana
Pintura de Vieira da Silva, "Intérieur roumain",1930, guache sobre papel colado sobre cartão
Não deixem de ouvir uma musiquinha "du petit "Charles Aznavour! Faz bem à alma!

Fuga de informação...

Foto das aves que derrubaram o US Airways, pouco antes do "acidente"...Lá, como cá ,há fuga de informação....

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

A viagem do Dilly


Viagem Amadora - Timor - Amadora 1934
A "viagem aérea a Timor, Macau, Índia e regresso", protagonizada em 1934 por Humberto da Cruz (piloto) e António Gonçalves Lobato (mecânico), realizou-se num havião De Havilland D.H.85 Leopard Moth, com motor Gipsy Major de 130 cavalos, baptizado com o nome "Dilly".
A viagem teve início no dia 25 de Outubro de 1934, chegando a Timor a 7 de Novembro. O retorno teve lugar a 13 de Novembro, terminando em Lisboa no dia 21 de Dezembro. Durante a viagem de regresso foram realizadas escalas especiais, envolvendo recepções oficiais, em Macau e Goa,
No decurso da viagem foram feitas diversas pinturas na fuselagem do avião. Posteriormente à viagem o avião recebeu a matrícula civil CR-GAA


Humberto da Cruz era da Figueira da Foz!
Bem quero limpar a imagem da terra... que tão denegrida anda com as suas noites tertulianas.... apesar da gente boa que também lá vai!

Foi mão amiga , figueirense, que depois de passar na minha "lojinha"me enviou esta relíquia de poster!Obrigada, João!


O filme mais visto...


O filme mais visto no meu saudoso leitor de cassetes video... pelo candidato a piloto, o António, com laivos "exuperianos"... E o sonho tornou-se realidade!

Porque gosto de aviões e de alguns aviadores...


Sempre gostei desde criança de olhar o céu estival na Figueira da Foz, aonde frequentemente as pequenas avionetas sobrevoavam a praia nos passeios de fim de tarde. O meu entusiasmo era tanto que eu tinha como que alucinações e via pessoas "conhecidas" dentro daqueles monomotores e gritava-lhes pelos nomes! Pura ilusão de óptica e muita excitação! Também era muito pequena!

Mais tarde venho para Lisboa viver. Como gostava de ir até ao aeroporto, aonde havia uma varanda própria para ver descolagens e aterragens!!! Como me emocionava ver aquele "pássaro" metalizdo nas suas inúmeras performances!

Em 1978 nasce o meu filho António que de bem pequenino, sonha com aviões . Agarrado ao seu simulador ,horas a fio ,deve ter dado vária voltas ao mundo... até que um dia se torna piloto de verdade, e, aos vinte e quatro anos veste a camisola da TAP, como piloto, cumprindo um quase desígnio uterino, como já uma vez o ouvi dizer!


Ando de momento a ler um livro muito interessante ,A Verdadeira História do Pequeno Príncipe, apoiado em documentos inéditos de arquivos particulares de Consuelo de Saint-Exupéry e de várias testemunhas, que descreve a época em que essa obra -prima foi criada, revelando como, na sua origem, se entrelaçam o amor, a guerra, a magia da infância, a solidão e o desespero.Do amor de S. -Éxupéry e sua mulher, Consuelo, nasceu O Pequeno Príncipe!

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Gago Coutinho morreu há 50 anos, icone do aventureirismo dos portuguses!




A 30 de Março de 1922 saiu de Lisboa o hidroavião mono-motor Fairey F III-D "Lusitânia", levando a bordo os comandantes da marinha, Sacadura Cabral, piloto e Gago Coutinho, navegador que iriam efectuar pela primeira vez a travessia aérea do Atlântico Sul.
O hidroavião utilizado tinha sido concebido propositadamente para a viagem, contando Sacadura Cabral com o bom desempenho do motor Rolls-Royce. Por outro lado, Gago Coutinho tinha outro trunfo, a adaptação de um horizonte artificial a um sextante de marinha para medir a altura dos astros, invenção até então inédita e que revolucionaria os métodos de navegação aérea, onde não havia qualquer apoio à navegação.
Apesar do rigoroso planeamento da viagem e da eficácia do sextante de Gago Coutinho, a viagem teve extremas dificuldades e foram necessários três aviões para que em 17 de Junho piloto e navegador amarassem com êxito no Rio de Janeiro.

A primeira etapa de Lisboa a Las Palmas (Canárias) foi feita sem incidentes no mesmo dia da partida, embora desde logo se notasse que o avião tinha um excessivo consumo de gasolina que viria a ser fatal no desenrolar da viagem. Rumaram depois, no dia 5 de Abril para São Vicente em Cabo Verde, voando 850 milhas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Mário Botas, uma memória quase viva!







Hoje , ao passar na capelinha do Antreus, vi o desenho de uma menina de nome Beatriz de que gostei muito!
Veio o seu traço acordar-me para uma ideia que andava semi adormecida, o de relembrar um pintor de que sempre gostei muito e que não viveu muitos anos , Mário Botas!
Comecei por procurar o livro que ele ilustrou para um conto de Raul Brandão, “ O Senhor Custódio”.”
O Custódio era um negociante da nossa praça (Porto), que foi amigo do meu pai e que só conheci na velhice. Tipo baixo, trigueiro, de barba de passa-piolho,rico um dia, pobre no outro, e que parecia indiferente à vida do dinheiro.Com isto é extremamente bondoso. A nota característica da sua vida seria esta: não era a fortuna que ele procurava no negócio – era a agitação.”
…”A bem dizer cuido que o Custódio foi um grande poeta.” (livro editado pela Quetzal Editores e Fundação Casa Museu Mário Botas)-
Estória deliciosa e de ilustração a condizer com o estilo de Mário Botas. Um quadro vivo!

Mário Botas nasceu em 1952 e morreu aos 31 anos de idade!
Bem cedo soube que iria morrer , de leucemia, não fosse a sua formação académica em medicina, especialidade em psiquiatria…
Optou então pela escrita e pela pintura, mas foi nesta que decidiu expor-se na totalidade.
“Até afinar a própria voz, inconfundível, e poder chegar a esta conclusão literalmente final, percorreu , à velocidade com que viveu, muitas e múltiplas experiências.
Os seus desenhos são de inspiração surrealista, mas de um surrealismo subversivo, enquanto submissão contra censuras várias – política, policial, clerical, familiar – que sufocavam Portugal. “
Conheci Mário Botas e a sua pintura ,em 77, a quando das suas primeiras exposições, nos salões de Arte da Sociedade de Belas Artes. Já na altura especava de fronte das suas pinturas, quando o mote era o pequeno formato!
Também o olhava de longe, homem alto, magro, óculos redondinhos, impenetrável, como que acarretando o peso da morte que não tardaria!
Quase sempre o acompanhava o seu cão, penso que da família dos galgos, ou cão de água, não sei bem, só sei que se assemelhavam, confundiam e pareciam fugir das suas próprias sombras.
Mário Botas e a sua pintura sempre foram para mim uma emoção , porque emociona sempre saber o que nos vai fugir…
Aos 25 anos , quando lhe é diagnosticada uma leucemia, 23 de Dezembro e dia de aniv
ersário, escreve no álbum “Afrodisíacos”:
“ .
Geralmente este dia tem para mim sido de alegria – de receber presentes ou de os esperar receber. Hoje é para mim dia propício – se mais não fora por estar aqui – a meditações. Mas hoje já não há presentes para mim.
Estou a viver. Estou a viver de alucinações. As coisas são tão imperfeitas! E que terrível é o que de ti resta sob a terra.!
Estou como o ciclope quando lhe varam o olho: não sei de onde provém o meu mal! Virá ele de não haver mal nem bem neste mundo? Para que servem mesmo assim as distinções?O mal é tão terível como o bem! Só uma coisa os olha de cima: a indiferença..."

Bom, depois desta pequena viagem de afectos pela paisagem pictórica de Mário Botas, só sei que irei cumprir uma coisa que me falta. Um destes dias de primavera anunciada ,rumarei até à Nazaré para visitar a sua Casa Museu, fundada pelo seu pai!
Será também uma ideia para vós?
UMA EXPOSIÇÃO MEMORÁVEL: "Despertando uma nova consciência colectiva poderemos fazer da próxima década e meia um período tão portentoso como os anos que correram entre 1859 e 1873 (tão produtivos para Darwin e para a Ciência). É este o objectivo que nos anima.'"
Palavras de João Caraça, in Diário de Notícias de 17/02/08

Corrram a ver quanto antes! Sem palavras...






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Pianissimo... e O Pedro e o Lobo