domingo, 24 de maio de 2009
O Zéfiro e a Chuva - poema
Hoje, em Aveiro
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Vida de gaivota... gaivotando...
A verdade é esta - poema
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Hoje , Marc Chagall
"A realidade alucinante das cores de Chagall faz da figura maternal uma espécie de personagem de papel que esvoaça no ar como um papagaio de papel. A Mãe apresenta-se como uma grande figura que acolhe todo o mundo, contudo só tráz uma pequena vida dentro dela"Maternidade, 1913
in, Le Corps, anatomie et symboles
terça-feira, 19 de maio de 2009
A ter em conta!
Com muita pena, não vou poder assistir ao espectáculo que vai acontecer dia 21 , no Centro Cultulral de Cascais, em que Georgiana Moraes, filha de Vinicius de Moraes, vem falar e cantar o pai.
Recordar Mário Benedetti, poema Vice-versa
Tenho medo de ver-tenecessidade de ver-te
esperança de ver-te
insipidezes de ver-te
tenho ganas de encontrar-te
preocupação de encontrar-te
certeza de encontrar-te
pobres dúvidas de encontrar-te
tenho urgência de ouvir-te
alegria de ouvir-te
boa sorte de ouvir-te
e temores de ouvir-te
ou seja
resumindo
estou danado
e radiante
talvez mais o primeiro
que o segundo
é também
vice-versa
[...Benedetti, grande poeta e romancista urguaio deixou o mundo domingo passado!
Ler mais sobre o mesmo no blogue Tempo das cerejas e no blogue de Saramago no lado direito, em baixo, deste blogue...
domingo, 17 de maio de 2009
Hoje, no Museu da Música Portuguesa, Verdades de Faria
No âmbito de uma pequena exposição, TOCADORES, HOMEM , TERRA, MÚSICA E CORDAS tem passado um ciclo de cinema documental muito interessante.
Hoje passou Turista aprendiz ,documentário realizado

"Suncare... ",para o corpo e para a alma...
Pode parecer ... um pouco "rodriguinho", mas àsvezes é bom relembrar a verdade e o seu contrário... e escolher.
Como diz a minha mãe, -"cuidados e caldos de galinha , não fazem mal a ninguém..."Bom domingo!
sábado, 16 de maio de 2009
O mundo estava no rosto amado

O mundo estava no rosto amado
e logo converteu-se em nada, em
mundo fora do alcance, mundo além
Por que não o bebi quando o encontrei
No rosto amado, um mundo à mão ali
Aroma em minha boca, eu só seu rei?
Ah, eu bebi. Com que sede eu bebi
mas eu também estava pleno de
mundo e, bebendo, eu mesmo transbordei
De Rainer Maria Rilke, in Vida e Canções
"Rilke possui uma obra original, marcada pelo tratamento da forma e pelas imagens inesperadas. Celebra a união transcendental do mundo e do homem, numa espécie de “espaço cósmico interior”. Sua poesia provocava a reflexão existencialista e instigava os leitores a se defrontarem com questões próprias do desencantamento da primeira metade do século XX. Sua obra influenciou muitos autores e intelectuais em diversas partes do mundo."
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Bom fim de semana...

Gosto de alguns "escritos na pedra" que saem diàriamente no P2.
Andava há tempo para escrever um e que me foi oferecido pelo meu filho , quando há dois anos, depois de um brutal acidente, fiquei hospitalizada, e ,a ser operada a um braço , Coisa com estória longa!
O António, com o seu sentido de humor, por me ver privada de um prazer, que é bem comer, levou-me o escrito do dia do P2.
"Não podemos pensar bem, amar bem, dormir bem, se não tivermos jantado ."
Virgínia Woolf
Hoje.
"As nossas paixões sempre se justificam, quer dizer, sugerem-nos opiniões que ajudam a justificá-las."
Nicolas de Malebranche, filósofo francês
quinta-feira, 14 de maio de 2009
"Como falamos a democracia"?

Como falamos a democracia?
Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulárioapropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países.
Mia Couto *
Na bela cidade de Durban, falávamos eu e outros escritores africanos da surpresa do modo como, no Zimbabwe, tantos ainda apoiam RobertMugabe. Havia, no grupo, escritores de vários países de África.Aproveitámos o que melhor há nas conferências literárias: os intervalos. A nossa perplexidade não se limitava ao caso zimbabweano.Como é que povos inteiros, em outras nações, se acomodaram perantedirigentes corruptos e venais. De onde nasce tanta resignação?Uma das razões dessa aceitação reside na forma como as línguas serelacionam com conceitos políticos da modernidade. Por exemplo, umzimbabweano rural designa os seus líderes nacionais como entidadesdivinizadas, fora das contingências da História e longe da vontade dos súbditos. O mesmo se passa em quase todas as línguas bantus.A questão pode ser assim formulada: como pensar a democracia numa língua em que não existe a palavra «democracia»? Num idioma em que«Presidente» se diz «Deus»? Nas línguas do Sul de Moçambique, o termo para designar o chefe de Estado é «hossi». Essa mesma palavra designa também as entidades divinas na forma dos espíritos dos antepassados,traduzindo uma sociedade em que não há separação da esfera religiosa.Parece uma questão de ordem linguística. Não é. Trata-se do modo como se organizam as percepções e as representações que uma sociedadeconstrói sobre si mesma. A sacralização do poder não pode casar com r egimes em que se supõe que os líderes são escolhidos por livre votação. Numa sociedade em que os súbditos se convertem em cidadãos.Esse assunto escapa muitas vezes a quem se especializou em organizar seminários sobre cidadania e modernidade em África. A problemáticapolítica é vista, quase sempre, na sua dimensão institucional,exterior à intimidade dos cidadãos. Quando o participante do seminário explicar à sua comunidade o conteúdo dos debates usará a sua língua materna. E sempre que se referir ao Presidente ele fará uso do termo«deus». Como pedir uma atitude de mudança nestas circunstâncias?O que se pode fazer? Será que os falantes destas línguas estão condenados à imobilidade por causa desta inércia linguística? Na realidade, existem tensões entre a lógica interna de algumas destas línguas e a dinâmica social. Estas tensões não são novas e sempre foram resolvidas a favor da adaptação criativa e da criação de futuro.Já no passado, as culturas africanas (e todas as outras em todos os continentes) tiveram que se moldar e se reajustar perante aquilo que surgia como novidade. Eu mesmo testemunhei o modo veloz como aslínguas moçambicanas se municiaram de instrumentos novos, roubando e apropriando-se de termos não próprios.Com o uso generalizado esses termos acabaram indigenizando-se. Semdrama linguístico, sem apoio de academias nem de acordos ortográficosos falantes dessas línguas «pediram» de empréstimo palavras de outros idiomas. Moçambique é, nesse domínio, um caldeirão dessas mestiçagens.Os nacionalistas africanos não ficaram à espera que um vocabulário apropriado nascesse nas línguas maternas dos seus países. Elescomeçaram a luta e essa mesma dinâmica contaminou (mesmo com uso determos e discursos inteiros em português) as restantes línguas locais.Tudo isto nos traz a convicção do seguinte: a capacidade de questionar o presente necessita de língua portadora de futuro. A necessidade de sermos do nosso tempo e do nosso mundo exige línguas abertas ao cosmopolitismo. África – tantas vezes pensada como morando no passado– já está vivendo no futuro no que respeita à condição linguística:quase todos africanos são multilingues.Essa disponibilidade é uma marca de modernidade vital. O destino da nossa espécie é que cada pessoa seja a humanidade toda inteira
Crónica de Mia Couto, escritor moçambicano, publicada na edição deAbril da revista África 21




