segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
Ainda o corpo - as tuas, as nossas e as vossas mãos!
Uma mão pode acariciar, ameaçar, agarrar, bater, criar, mesmo matar!Com a mão, o homem exprime e manipula o mundo ou pelo contrário pode contruir um à sua própria imagem...
(As mãos de Deus, de Rodin)
O cerimonial das mãos
Mãe, onde foi que deixaste a outra metade,
a que anunciava o sol na turvação das noites,
a que iluminava a sombra no cerimonial das mãos?
Em que côncavo de rochas buscava abrigo
essa outra metade que eu via projectada
para fora de mimcomo um sonho evadindo-se
do círculo de medos em que a fúria se jogava?
Eu era gémeo de todos os assombros
e os meus segredos era com essa outra metade
que os partilhava à revelia das bocas
que em surdina me traçavam o destino.
Quanto de mim se perdia nessa metade
que me furtava o riso e me deixava a culpa,
que me feria o ventre e me fustigava a pele?
Quanto de mim me flagelava
sem que eu lhe conhecesse morada ou nome?
Mãe, eu pedia uma trégua ao vento
e um punhal à chuva e com ambos queria
separar de mima metade incandescente
que à beira dos meus gestos
ganhava altura de nuvem e fulgor de estrela.
Mãe, eu vejo-me outro nesta cama
que guarda os instrumentos liquefeitos da insónia
e sei que não sou eu quem lá está,
que não sou eu que lá quero estar.
José Jorge Letria, in "A Tentação da Felicidade
sábado, 27 de junho de 2009
Bom fim de semana....
Iluminuras sobre as estações do ano- Yuri Norstein - Seasons
Muito bonito e vocês merecem... para "OUVER"até ao fim...
Muito bonito e vocês merecem... para "OUVER"até ao fim...
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Haverá sempre barquinhos.... e homens!
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Fim a alguma côr...
Este retrato da afegã Sharbat Gula, correu mundo .... A intensidade das cores deu-lhe a alma que colou ao nosso olhar, "vibrantes, ricas e intensas".
Retratos como este , não haverá mais! A técnica que lhe dava esse suporte, KODACHROME , foi banida devido à massificação do digital....
Esperança que as novas tecnologias nos mantenham o prazer da imagem e da côr e este foi o pretexto de rever os olhos de Gula... Lindos, não são?
Ah!!!!!!!!
Perguntas...
Nesta época estival que se aproxima... muitas perguntas poderíamos começar a formular....Criar mesmo um livrinho de perguntas, tentar já pôr algumas respostas, pois elas já vão aparecendo por aí, sob a forma de promessas...
Mas a poética é tema mais elevado, pelo menos neste cantinho, mais ao menos no Mar à Vista plantado...
XLIX
Quando vejo o mar de novo,
o mar viu-me ou não me viu?
Porque é que as ondas me perguntam
o mesmo que eu lhes pergunto?
E porque batem nas rochas
com tanto entusiasmo vão ?
Não se cansam de repetir
à areia a sua declaração?
Livro das perguntas de Pablo Neruda
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Dia de S. João...

Ontem a véspera, hoje o dia... dia que é mais nuns sítios do que noutros....
Eu já parti há muito mas os outros estão por lá...
A procissão do mar, linda e sentida... que a vida no mar é feita de fé!
Festejei as gentes do norte! Mas não estarei a ser injusta com as do centro? É que na minha terra natal, Figueira, também se festeja o S. João e é feriado municipal.
Liguei há pouco para a minha mãe, que me dizia estar a cidade linda , toda engalanada pelos barcos e barquinhos e em acto de procissão de mar!
Ainda bem, pois por vezes sinto uma pontinha de desdém pelas festas de hoje, e não pode ser!
Eu já parti há muito mas os outros estão por lá...Mas não posso deixar de sentir a nostalgia do S. João da minha infãncia , pleno de magia, alegria e que durava muitos dias...
Pela manhã alvorada, Zés Pereiras e Gigantones minhotos e muito fogo de artifício...
As ruas todas enfeitadas com arcos e balões. Dezenas de tendas de barristas, que acampavam pelo menos duas semanas... e o mexericar em tudo como se os olhos estivessem nas mãos... E lá estava o Senhor Domingues, mais tarde de nome artístico, MISTÉRIO, o pai dos bonecos de "venta" larga... Rosa Ramalho, descoberta para outros dons pelo artista António Quadros, e em boa hora! Ana Baraça e outro tantos que se deram a conhecer e outros que teriam ficado no anonimato....
A procissão do mar, linda e sentida... que a vida no mar é feita de fé!Depois os carroceis, o algodão doce e as várias visitas à sempre eterna DONA LÚCIA, que vendia as melhores farturas do mundo!
E o banho santo! Em que as mulheres e homens do campo , meio vestidos, á mistura com os "figueirinhas," mergulhavam de madrugada, naquele mar de prata, para afugentar
os maus olhados e pedir prosperidade..
os maus olhados e pedir prosperidade..Era assim o S. Joâo da minha meninice.
Para o ano não posso faltar... para assim me reconciliar! E depois, então falaremos....
terça-feira, 23 de junho de 2009
Noite de S. Joâo...
S. João no Deserto, de Mestre da Lourinhã, SÉC.xvMuita folia e reinação, é o que desejo aos amigos que brincam com o S. João!
E viva o norte...
SÃO JOÃO
Mas é assim que és
E, é assim que serás,
Até que pisem esta terra os pés
Do ultimo fado que o destino traz.
Eu a julgar-te até católico,
E, tu saes-me maçon.
Bem, aí é que há espaço para tudo,
Para o bem temporal do mundo vario.
Que o teu sorriso doure quanto estudo
E o teu Cordeiro
Me faça sempre justo e verdadeiro,
Pronto a fazer falar o coração
Alto e bom som
Contra todas as fórmulas do mal,
Contra tudo o que torna o homem precário.
Se és maçon,
Sou mais do que maçon – eu sou templário.
Esqueço-te santo
Deslembro o teu indefinido encanto.
Meu Irmão, dou-te o abraço fraternal.
(Excerto de poema, que é enorme.... de Fernando Pessoa, Os Santos Populares, edições Salamandra)
Espero as vossas palavras...
segunda-feira, 22 de junho de 2009
ESCREVIVENDO - exposição

Escritor, professor, jornalista, ensaísta e crítico literário Urbano Tavares Rodrigues (Lisboa, 1923) apresenta uma obra de grande diversidade de género (ficção, crítica, ensaio, crónica) e temática (amor, morte, consciência, liberdade, individualidade, esperança) desenvolvendo-a em torno dos sentimentos e ideias, criando personagens de grande realismo psicológico, onde as questões eróticas, socio-económicas e ético-políticas se expressam como inquietação, crítica ou mesmo denúncia a um certo quotidiano da sociedade portuguesa, numa aproximação ao universo cultural neo-realista.Rosto da oposição à ditadura, de generosa e continuada resistência em prol da liberdade e da dignidade, soube através dos seus gestos, encarar a literatura não apenas como ferramenta de comunicação, mas também como arma de intervenção, assumindo a palavra como essência de vida – o seu Escreviver.
Exposição bibliográfica de UTR, que irá até 28/02/2010, no Museu do Neo-realismo
(in Artecapital)
As idades do homem (2)
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