segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ainda Solnado. Uma leitura surpreendente!


Este fim de semana, bem longe da "Cidade Maravilhosa", veio-me parar à mão a revista Veja , de 19 de Agosto, aonde Millôr Fernandes, amigo do coração de Solnado, escreveu sobre o seu desaparecimento.
Tinha vontade de transcrever todo o texto, mas vou, com dificuldade selecionar...
Tambem fiquei satisfeita por saber que Raul està na memòria de muitos brasileiros.
..."lhe ensinaram que a vida è curta , por si mesmo percebeu que a vida è perto. E quando percebeu que a vida è transmisivel por via sexual sentiu logo sentimento de culpa por seus gozos. Mas com dois filhos nos dois continentes, condena a incontinência... "Generoso nato, nasceu mignon como solução para o problema demogràfico -
se todos fossem assim caberia mais gente no mundo..."Prudente quando entra em enrascada o primeiro que faz è perguntar onde fica a saida. Gosta de ser considerado impagàvel, mas nunca na bilheteira. Tem extrordinària expressão corporal, toda no espirito.... "Menino-prodigio, aproveitou essa dadiva e reservou uns dias de infânciapara os anos de hoje. Ri pouco, faz rir muito, fala envolto num crepom de malìcia e todo o seu humor è anfiguri. Dentro da sua alma vibram jograis, saltam andarilhos, vivem polichinelos, cantam bufões, se escondem saltimbancos, bobos , truões, entremezistas patuscos e pelotiqueiros, todos os palhaços do rei - de cuja sabedoria ele se apropriou para ser o rei dos palhaços"...
"Uma frase perdida: "A vida è sempre em volta". A pergunta metafìsica:"Que fazer do homem que não gasta o destino?". Uma dùvida de fè: "Se Deus existe, por que nunca veio ver um espectaculo meu?"Epitàfio proposto:":Agora jà è tarde".
E aì està o Raul feito e medido.
Do Solnado eu nem falo.
P.S.
Raul foi meu amigo a vida inteira.
A dele. Traidor, continuo na minha."

Gostei de ouvir o Quero-quero...



Ha prazeres de fim de semana que se podem traduzir pelo canto de uma(s) ave(s), porque o resto, è dificil de tanscrever... O quero-quero é uma ave do tamanho de uma perdiz e caracteriza-se pelo colorido geral cinza-claro, com manchas pretas na cabeça, peito e cauda. A barriga é branca e a asa tem penas verde-metálicas. Apresenta um penacho na região posterior da cabeça; o bico e as pernas são vermelhadas e tem um par de esporões no encontro das asas. O quero-quero é sempre o primeiro a dar o alarma quando algum intruso invade seus domínios. É uma ave briguenta que provoca rixa com qualquer outra espécie habitante da mesma campina. As capivaras tiram bom proveito da convivência com o quero-quero, pois, conforme a entonação, o grito dessa ave pode significar perigo. Então os grandes roedores procuram refúgio na água. O quero-quero, afasta os intrusos que se aproxima de seu ninho, fingindo-se ferido.


sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Bom fim de semana por aì...

- Qual a mentirinha de hoje, querido Pinòquio?...
Và là, não me deixe entediada...

"Gosto da verdade. Acredito que a humanidade precisa dela; mas precisa ainda mais da mentira que a lisonjeia, a consola, lhe dá esperanças infinitas. Sem a mentira, a humanidade pereceria de desespero e de tédio.

Anatole France, in 'A Vida em Flor'

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Esta noite sonhei com Vinicius...

Soneto da separação

De repente do riso fez-se pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a ultima chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imòvel fez-se o drama'

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez de amante
E de sòzinho o que se fez contente

Fez-se do amigo pròximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente

Vinicius, in Antologia Poètica
Õleo do pintor brasileiro, do Rio de Janeiro, Eduardo Arguelles, "Encantamento"

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vida de princesa...o final nem sempre è feliz.

Capuchinho Vermelho, viciada em junkie food O Principe sem energia para acordar a Bela Adormecida...

No final, haverà uma operação plàstica para esta bela princesa
das arabias... Cinderela, bêbeda e solitària...

Com a sèrie "Princesas Decaìdas"a fotografa Dina Goldstein , transporta para os dias de hoje
as heroìnas dos contos de fadas popularizados por Walt Disney.
Como se pode ver , o resultado nào è nada animador...
E viveram felizes para sempre??? Isso è que era bom!
Informação da revista Bravo, de agosto de 2009



terça-feira, 18 de agosto de 2009

A vida è mesmo assim... não vale a pena chorar sobre o leite derramado...

Estou a chegar ao fim do ultimo livro do Chico , e que, para meu gàudio està" abençoado "
por ele...
...."Com o tempo aprendi que o ciume è um sentimento para proclamar de peito aberto, no instante mesmo da sua origem. Porque ao nascer, ele è realmente um sentimento cortês, deve ser logo oferecido à mulher como uma rosa. Senão, no instante seguinte ele se fecha em repolho, e dentro dele todo o mal fermenta. O ciume è então a espècie mais introvertida das invejas, e mordendo-se todo, põe nos outros a culpa da sua feiura.
Sabendo-se desprezìvel, apresenta-se com nomes supostos, e como exemplo cito a minha avò, que conhecia seu ciùme como reumatismo. Contam que ela gania de dor nas juntas, na fazenda na raiz da serra, cada vez que meu avô ia procurar as negras..."
(in paginas 77\78 de leite derramado, de Chico Buarque)
Desculpem problemas ortogràficos, sobretudo na acentuação, mas fora de casa não me entendo com este teclado que me è estranho...)

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Do outro lado do atlantico, um muito obrigada...

A "momentos"fico envergonhadamente reconhecida
pelo premio atribuido "Comprometidos y Mas 2009". Nao sei se mereco tanto, mas è sinal que agrada
de forma a expôr Mar à Vista desta forma.
È sinal que a minha mensagem passa , è partilhada e assimilada no bom sentido do prazer que è divagar a vida , no seu sentido mais lato, na blogosfera, assimilacao nem sempre partilhada por alguns visitantes...
Parabens pelas suas outras escolhas. Ombrear com elas, è duplo prazer.
Nao esperava escrever da "cidade maravilhosa", por onde estou...
(peco desculpa pelas omissoes ortograficas, mas estou num computador de teclado que me è estranho..)

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Despedida a Sul...

E tudo o que de bom o sul tem, ficou para trás...
À hora da partida não houve vontade de olhar para um passado recente, bom, muito bom!
Veio-me à memória Sophia.

"Quando eu morrer voltarei para buscar os instantes que não vivi junto ao mar"

Uma melodia de sempre e para sempre




Hoje o serão da TV2, foi de excelência.
Biografia muito completa de "uma prima dona", acompanhada do seu belo canto! Maria Callas.
Grande destaque para o seu guarda roupa que sempre me fascinou.
Fotos tiradas quando da exposição "Callas", no Museu da Electricidade, em 2oo8

sábado, 8 de agosto de 2009

Solnado, tal como " o palhaço António, deixáva-nos um sorriso aos pés da escada"

Jamais o esqueceremos !1929 -2009


"Morremos a lutar para nascer. Nunca fomos, nunca somos. Estamos sempre na contingência de vir a ser, separados, desligados sempre. Sempre do lado de fora. (...) Um dia destes, falando com pintor meu conhecido acerca das figuras que Seurat nos deixou, afirmei-lhe que elas se encontravam enraizadas ali mesmo onde ele lhes deu vida - na eternidade. Como me sinto grato por ter vivido com estas figuras de Seurat - na « Grande Jatte», no «Médrano» e fosse onde fosse, em espírito! Não há absolutamente nada de ilusório à volta destas suas criações, cuja realidade é imperecível. Vivem na luz do sol, na harmonia da forma e do ritmo que é melodia pura. E também, de facto, com os palhaços de Rouault, os anjos de Chagall, a escada e a lua de Miró, e todo o seu «zoo» ambulante. Assim também com Max Jacob, que nunca deixou de ser um palhaço - mesmo depois de ter encontrado Deus. Pelo verbo, pela imagem, pelo acto, todas estas abençoadas almas que me fizeram companhia testemunharam e eterna realidade da sua visão. Será nosso, um dia, o seu mundo quotidiano. De facto já é nosso - simplesmente, estamos demasiado empobrecidos para lhe reivindicar a propriedade"


Henry Miller, in Um Sorriso aos pés da Escada :