quinta-feira, 4 de março de 2010

Memórias ...



Cá por casa "tarantinamos" pela segunda noite.
Intervalo....
Não vi " Kill Bill "no circuito comercial. Tarantino no seu mais duro, belo e exuberante. Música que não nos deixa indiferentes ... que puxa por outras memórias.
"Coração Selvegem", de David Linch, 1990, cuja música me fez passar pela primeira casa de discos, quando elas abundavam no Chiado, para comprar a banda sonora do filme, cuja interpretação de Chris Isaac , "Wicked Game", marcou o coração de muitos de nós...
Momentos de ouro.


quarta-feira, 3 de março de 2010

Mas que dor....

De Munch, O Grito


Não , não, o pequeno Daniel não tinha idade para se atirar ao rio sem um grande pré -aviso..
No olhar atento, na não indiferença , estão as cordas de salvação das nossas crianças , neste rio que é a vida , onde correm águas , ora calmas ora turbulentas...


"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não poso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

Excerto do poema de Álvaro de Campos, Tabacaria

Cartoon, Elias o sem abrigo


De R.reimão e Aníbal F. , in Jornal de Notícias de hoje.

terça-feira, 2 de março de 2010

Botero dá para tudo.... até para falar dos "nossos queridos " homens latinos...

De Botero, O casal

Estou na fila do supermercado.
Na prateleira junto à caixa há revistas cor de rosa para esquecer a espera…
À minha frente um casal sexagenário.
Não vou expor aqui a classificação que poderia escolher para os enquadrar socialmente.
Mas , desde já , falo do homem de bigode fino, boné de “reformado”, blusão de cabedal, ar muito sério… só até o “ telelé “ter tocado… Quem seria???? Sempre uma incógnita hoje em dia…
Sorriso… que, ainda mais intimamente , me fez sentir solidária com a sua submissa mulher…
Resumo….
Na fila do supermercado, um homem (leia-se, macho) folheia uma revista cor de rosa…
Poisou-a.
A sua mulher, tenta imitá-lo.
Bruscamente, tira-lhe a revista e colocou-a no lugar…. e, tentou repreende-la.
Nho-nho- nho- nho…. Tra-lá-lá…. E mais uhms…. que não ouvi.
Mas o olhar daquela mulher, Senhor….

Os seus ombros deslocados contorciam-se num gesto de submissão e vergonha...
Foi arrepiante.
Há muito” disto”… mas também há muito que não via…
Talvez por andar sempre pela borda do mar…

(pode parecer uma exposição temporária de Botero, mas gosto mesmo do homem... e ele tem material de sobra para ajudar a exprimir os nossos sentimentos e emoções...)


The Look of Love - música para nós

Diana Krall, the Look of Love

Ainda sobre "a arte de amar"...(continuação)






Será que os corpos se entenderam ?
As almas procuram escutar-se... nem que seja pela música ou pelo silêncio...

segunda-feira, 1 de março de 2010

Para começar o Março, um recado...

De Botero, Banheira para dois


Arte de amar


Se queres sentir a felicidade de amar,
Esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo,
porque os corpos se entendem, mas as almas não.


Autor: Manuel Bandeira

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Magoando, a Terra vai-se acomodando, mas...

E, porque não também esta "CANÇÃO " de Fernando Pessoa? Data de 1914.

Saber? Que sei eu?

Pensar é descrer.

- Leve e azul é o céu -

Tudo é tão difícil

De compreender!...

A ciência , uma fada

Num conto de louco...

- A luz é lavada -

Como o que nós vemos

É nítido e pouco!

Que sei eu que abrande

Meu anseio fundo?

Ó céu real e grande,

Não saber o modo

De pensar o mundo!

:))

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Alerta vermelho...
















Está assim o mar na minha vila.
Os meus olhos salgam de tanto olhar a espuma que se confunde com a neve...
Só que , de tanto bater nas rochas, "estas claras "que em castelo se parecem, perdem a sua brancura para de canela fingirem estar polvilhadas...
É assim quando a força do vento te faz bater.
Foi assim que te vi hoje , querido mar , "desgrenhado"...

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

"o homem de génio desconhecido" é o mais belo de todos os destinos...

As observações de cada dia , de dias que me deixam algumas angústias, levam -me a estar com Pessoa , e , com um bocadinho de uma sua "CRÓNICA"

«Às vezes, quando penso nos homens célebres, sinto por eles toda a tristeza da celebridade.
A celebridade é um plebeismo. Por isso deve ferir uma alma delicada. É um plebeismo porque estar em evidência, ser olhado por todos inflige a uma criatura delicada uma sensação de parentesco exterior com as criaturas que armam escândalo nas ruas, que gesticulam e falam alto nas praças. O homem que se torna célebre fica sem vida íntima: tornam-se de vidro as paredes da sua vida doméstica; é sempre como se fosse excessivo o seu traje; e aquelas suas mínimas acções - ridiculamente humanas às vezes - que ele quereria invisíveis, coa-as a lente da celebridade para espectaculosas pequenezes, com cuja evidência a sua alma se estraga ou se enfastia. É preciso ser muito grosseiro para se poder ser célebre à vontade. ...»
Excerto de "Crónica" de Fernando Pessoa, 1915, de uma selecção organizada por David Mourão-Ferreira, in «O ROSTO E AS MÁSCARAS"

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Apetece-vos coisas sérias????


Está frio. A mente também anda um pouco "congelada"...
Vou sorrindo e o mesmo espero de vós com a pintura de Ronaldo Mendes. Leva-me sempre à infância perdida, à infância dos filhos e aos meus meninos educandos que acompanhei ao longo de 30 anos...
E, veio-me à memória esta canção menineira que tanta vez dramatizámos...:))
Vamos cantar!