Hoje, Chico, é a vez de eu te parabenizar na minha casa virtual, como tu o fizeste no livro que acaba de ganhar dois prémios, o " Leite Derramado", na tua casa real, no Alto Leblon, tendo como paisagem aquele louco atlântico sul, à esquerda o Cristo Redentor e agora à direita a nova favela do Vidigal e que tanto desmoraliza e enferniza a nova e velha burguesia desta zona de eleição.
E... como dizia d) Assumpção a Eulália," não vale a pena chorar sobre o leite derramado...."
Filme saudável para mentes deprimidas e amantes de cinema francês e da excelente Isabelle Huppert que não nos tem habituado ao longo da sua carreira a filmes/comédia. Para mim foi uma excelente viagem no tempo, Ostende, o tal mar do Norte que tantas vezes me quebrou a nostalgia do meu querido Atlântico. Tempos bruxelenses...
Mas "Copacabana", segundo o seu realizador, Marc Fitoussi, sempre desejou faze um filme sobre uma personagem única. Babou aparece em quase todas as cenas do filme, o que lhe deu uma maior liberddade na descrição da personagem, não somente nos seus infortúnios, que por vezes são incriveis, mas também nos momentos vazios que ilustram a ociosa melancolia em que ela ocasionalmente escorrega. Uma comédia sobre quesões sociais através do retrato de uma mulher acostumada a viver à margem e que repentinamente se vê confrontada com um ambiente "normal" que lhe é completamente estranho.
Uma experiencia que deveria tranformá-la numa cidadã normal demonstra que ela é, de facto irremediavelmente alérgica ao caminho convencional sendo, irresistivelmente, tentada a caminhar à margem.
Adoro as "Babous"com que me vou cruzando no caminho desta vida percorrida... Filme a não perder quando aparecer por aí....
"Estes são tempos em que a poesia está a desaparecer. Alguns lamentam tal perda e outros alegam, "A poesia merece morrer". Independentemente disso, as pessoas continuam a ler e a escrever poesia. O que significa então escrever poesia quando as perspectivas de futuro parecem sombrias?", comenta o realizador sul coreano Lee Chang-Dong
Mija vive com o seu neto, numa pequena cidade dos subúrbios localizdos ao longo do rio Han. Ela é uma mulher vaidosa, que gosta de usar chapéus e roupas que estão na moda, mas tem também uma personalidade imprevisível e uma mente inquisitiva. O acaso leva-a a frequentr um curso de poesia e pela primeira vez é desafiada a escrever um poema. A sua busca por inspiração poética começa com a observação do quotidiano, que ela nunca tinha notado de uma forma intencional com o fim de nele descobrir o belo. Mas de repente, é confrontada com a realidade nua e crua, muito além da sua imaginação, ela apercebe-se que a vida não é tão bela como supunha... Entretanto surge o Alzheimer...
Lou Reed " é uma figurinha", não tão desprendido e arrogante como alguma imprensa tem noticiado, só o peso dos holofotes lhe estavam a causar uma enorme incomodidade no dia da inauguração da sua exposição de fotografia... Razão para enorme enfastiamento...Apresentava-se com a sua máquina fotográfica digital, a tal de lente alemã, que nos impressionou com as fotografias a preto e branco de paisagens e motivos arquitetónicos. " São fotografias com uma qualidade atemporal, mas simultaneamente muito modernas", diz Lou.
Mas ontem" senhor"... que delícia eles nos proporcionou, seguida de debate, com o documentário Red Shirley, aonde Lou , sentado com a sua prima Shirley, na véspera do seu centésimo aniversário, relata a sua extraordinária vida desde que abandonou a Polónia em 1938, com 19 anos, com apenas duas malas de viagem e alguns dólares no bolso, escapando ilegalmente para Nova Iorque. Aqui trabalhou como ccostureira e acabou por se tornar líder de um movimento de trabalhadores, obtendo assim a alcunha de " Red Shirley".Shirley, ainda vive. Tem 102 anos.
Como os" velhos e passados" amores , Rui Veloso faz parte da minha estória...Jamais esquecerei os primeiros concertos no Coliseu . Um deles memorável. Tive por companhia o tímido Carlos Paredes e foi tudo muito bom... Saúde Rui, e muitos anos de vida.
Um retrato surpreendente de um ano tumultuoso na vida do actor aclamado internacionalmente, Joaquin Phoenix. Com um notável acesso à vida do actor galardoado, I`m Still Here segue-o a partir do momento em que anuncia que vai renunciar a uma carreira cinematográfica de sucesso no outono de 2008 e, e parte para se reinventar como músico de hip-hop. Por vezes divertido, por vezes chocante mas sempre fascinante, o filme é o retrato de um artista numa encruzilhada.
Segundo o realizador, Casey Afflek,ao tentar mudar a sua vida, para seguir a carreira da música, Joaquin comete erros e o mundo é implacável. As coisas correm mal. Ele não consegue recuperar. Afunda-se mais e mais.
Gostei do filme sem me deixar alguma perturbação sobre os mecanismos da mente humana e da fama...
Bela fotografia. A música é de Joaquin Phoenix... logo, há que apurar o ouvido.
E é com este pensar, que vos deixo para mais um fim de semana, que desejo bom, pois para mim a festa está a começar...
«A sociabilidade é uma das inclinações mais perigosas e perversas, pois põe-nos em contacto com seres cuja maioria é moralmente ruim e intelectualmente obtusa ou invertida. O insociável é alguém que não precisa deles»