quinta-feira, 8 de março de 2012

As palavras dos outros...


Ser Mulher também é
DAR
o seio
o ventre
a seiva
e a semente
DAR
a vida
a força
a ternura
o saber
e a verdade
ao fim do dia
esquecer o cansaço
na loucura de um abraço
e
SOBRAR...
sobrar mulher inteira em liberdade
(Dia Feliz)


As palavras dos outros. A minha gratidão, ERA UMA VEZ.
Não tenho palavras para este dia. Há-as em excesso, proferidas por rotina e por  protagonismo do dia.
Na vida , são precisos atos e obras, no ser e no viver.
Contudo , MULHERES, façam por ser felizes, pois de vós , de nós brota a vida.

Programa para hoje... desde que viva em Lisboa, ou...

Se o S. Jorge, falasse, tinha muitas estórias para contar....

quarta-feira, 7 de março de 2012

Conclusão do dia anterior...

"O mundo está em processo, e o processo ainda não transitou em julgado. Ninguém sabe o que está em questão na História do mundo e na História dos homens. A História lê-se do fim para o princípio e precisamente o fim ainda não chegou."
Anselmo Borges, 2008, in DN

Pois para concluir o post anterior, depois de um serão *****, com um naipe de convidados, "créme de la créme", com um Frei Bento Domingues sempre no seu melhor, metaforizando permanentemente a sua relação com Deus e com os Homens, ei-.me perante uma sala quase vazia...
Por onde andam os homens e mulheres desta terra? Por onde andam os alunos e professores das escolas figueirenses?

Certamaente pelo FK...
O tema não era fácil, mesmo "transcendente", mas é preciso pôr a pensar e a questionar o que não é o óbvio da vida em que estamos inseridos...


*fotografia antiga do Casino da Figueira, Salão de Inverno, agora com mesas e uma decoração "horribilis". Um sinal do tempo na decoração com muito mau gosto.

terça-feira, 6 de março de 2012

Perguntas ao tempo que passa...

"O espírito unifica os três modos do tempo numa certa simultaneidade: pela memória, temos o passado no presente; o presente actual temo-lo pela atenção; o futuro torna-se presente enquanto o esperamos."
A. Borges (citação) , padre e professor da Faculdade de Letras de Coimbra

Hoje, irei até ao Casino da Figueira  que se tornou um espaço de cultura ou a boa maneira de utilizar o dinheiro "sujo"...
«O CORPO, O TEMPO E DEUS» em debate com o Prof. Doutor Anselmo Borges em torno do seu livro «Corpo e Transcendência». Vai ser moderado por Carlos Magno e contará com a presença de Frei Bento Domingues, Daniel Serrão e José P. Pereira.
Estar pela santa terrinha passa já por algumas escolhas que tornam a estadia mais saudável  num local onde o tempo parece ter parado.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Um bom fim de semana...

As palavras dos outros... José Gomes Ferreira

José Gomes Ferreira foi dar um pequeno passeio antes de se deitar. E, escreveu.

Boas noites, árvore.

E toquei-lhe com as mãos.
- folhas de sol cansado
na Primavera arrefecida.

Boas noites, árvore.

Mas a árvore não respondeu
no seu atavio
de luar fosco.

Senti apenas o arrepio
do vento com as mãos de carne no meu rosto.

In, Poesia Completa. IV

Entre o verbo e o adjetivo... ser governado, podia ser bem mais simples. Os defeitos humanos no seu auge...



"Ser governado significa ser observado, inspecionado, espiado, dirigido, legislado, regulamentado, cercado, doutrinado, admoestado, controlado, avaliado, censurado, comandado; e por criaturas que para isso não tem o direito, nem a sabedoria, nem a virtude... Ser governado significa que todo o movimento, operação ou transação que realizamos é anotada, registada, catalogado em censos, taxada, selad...a, avaliada monetariamente, patenteada, licenciada, autorizada, recomendada ou desaconselhada, frustrada, reformada, endireitada, corrigida. Submeter-se ao governo significa consentir em ser tributado, treinado, redimido, explorado, monopolizado, extorquido, pressionado, mistificado, roubado; tudo isso em nome da utilidade pública e do bem comum. Então, ao primeiro sinal de resistência, à primeira palavra de protesto, somos reprimidos, multados, desprezados, humilhados, perseguidos, empurrados, espancados, garroteados, aprisionados, fuzilados, metralhados, julgados, sentenciados, deportados, sacrificados, vendidos, traídos e, para completar, ridicularizados, escarnecidos, ultrajados e desonrados. Isso é o governo, essa é a sua justiça e sua moralidade! ... Oh personalidade humana! Como te podes curvar a tamanha sujeição durante sessenta séculos?"
Pierre Joseph Proudhon

Surripiado a um amigo facebokiano.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Presentinho...

Um presentinho que a Fundação Nadir Afonso pôs hoje a público. Se ainda não conhecem os painéis da sua autoria, no túnel do paredão de Cascias que liga ao Parque Palmela, não deixem de o fazer. O parque em si também está uma delícia... Qualquer dia(s), lá para julho, teremos por lá o Estoril Jazz.

"Amados Gatos", gatos amados...

O SOFRIMENTO  e a solidão de Théophile Gautier, já no final da vida, foram amenizados pela gata Éponine, de pêlo negro e olhos verdes, que ele achava mesmo capaz de caçar, com os certeiros movimentos das patas, as ideias que, já desencantado e triste, depois se encarregava de passar ao papel.
Quando se encontrava mais sorumbático e deprimido, o autor de Capitaine Fracasse, grande amigo de Victor Hugo, como ele um apaixonado pelos gatos, passava horas a acariciar o pêlo macio da sua companheira de todas as horas, da qual não admitia que nem a morte o separasse.
Mas o amor por Éponine não apagou a lembrança sempre presente de Séraphita, a sua primeira gata, de pêlo amarelo e branco, que se tornava irresistível com a sua vaidade e com o se gosto por perfumes caros.
Como no amor pelas pessoas queridas, Théophile Gautier sabia que ninguém ocupa o lugar de ninguém, podendo sempre coabitar as recordações  mais duradouras.
O bem que as suas gatas lhe faziam passava pela sua presença junto dele enquanto escrevia, e pelo modo como o ajudavam, através do magnetismo de uma comunicação secreta,  a arrumar ideias e a passá-las  ao papel.
Um dia, disse:
- Não existem carinho e dedicação maiores que os das gatas. Ignoro o que seria de mim sem elas.
Tanto Séraphita como Éponine gostavam de o acompanhar nos passeios que dava pelo jardim para encontrar paz e alento para continuar a escrever.
Pensa-se em casos como o seu, e é-se forçado a concluir que ficam sempre inacabadas as estátuas que omitem os gatos amados por aqueles que a pedra o o bronze pretendem homenagear e perpetuar .

In, Amados Gatos, de José Jorge Letria