sexta-feira, 9 de novembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
Momentos...
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
Herberto Helder/Nick Fedaeff
in, Cultura Inquieta
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
As notícias do Jaime...(continuação) "A crise da União Europeia não é uma crise de endividamento"
Beck, Ulrich (2012 )A Europa alemã. Novas paisagens de
poder sob o signo da crise(Berlim: Suhrkamp Verlag)
Imagens Google
I. Como a crise do
euro dilacera a Europa – e como a liga [12-25]
5. A crise da União
Europeia não é uma crise de endividamento [23-25]
A crise financeira fez surgir uma rotura
entre os países do Norte e os países do Sul da UE, que vai sendo agravada [24]
através das crescentes multidões de fugitivos e dos custos resultantes do seu
acolhimento. Efectivamente, os que fogem de perseguições, guerra civil e caos
não sobrecarregam a Europa, na sua totalidade, mas sim, sobretudo, os
funcionários das fronteiras dos países já mais enfraquecidos, como a Grécia, a
Espanha, a Itália e Portugal. No regulamento fronteiriço da UE está em vigor a
seguinte norma: o país onde chegam os fugitivos é também aquele em que tem de
ser aberto e encerrado o processo de asilo. Embora recebam quantias
compensatórias da UE, os países europeus meridionais sentem-se vítimas de um
abuso e abandonados pelos outros. Só assim se compreende o motivo por que, nos
países fronteiriços da Europa, financeiramente mais débeis, ocorrem cenas de
descontentamento e xenofobia, cada vez com maior frequência, atingindo até
dimensões de violência pura contra os fugitivos.
Manifesta-se, aqui, o que está, hoje, em
causa. Não se trata apenas de evitar o colapso do euro, mas de muito mais
ainda: o colapso dos valores europeus – cosmopolitismo, liberdade e tolerância.
Quem conceber a crise europeia como uma crise essencialmente económica, corre o
risco de não poder ver aquilo que está, de facto, em causa: a questão de fundar
uma Europa que esteja em condições de encontrar respostas para as mudanças
fundamentais e os grandes desafios que se nos deparam, sem regredir para a
xenofobia e a violência. Em primeiro plano, na crise europeia, parece girar
tudo em torno de dívidas, de déficites orçamentais, de problemas financeiros. A
questão fundamental, porém, a mais profunda, é a seguinte: Até que ponto pode,
deve e tem que ser, ou vir a ser, solidária a Europa?
Quem identificar a Europa com o euro... já
está a renunciar à Europa. A Europa é uma aliança de antigas culturas universais
e de potências hegemónicas, buscando uma saída para a sua história bélica. Na
altivez dos Europeus do Norte para com os Europeus do Sul, alegadamente
indolentes e indisciplinados, patenteia-se uma amnésia histórica e uma
ignorância cultural que põem a nu uma grande brutalidade. Será mesmo necessário
relembrar que a Grécia não é só país devedor, mas também o berço da Europa, das
suas ideias e dos seus valores? Será que os Alemães já não sabem até que ponto
a História da Cultura Alemã e a sua História da Filosofia são devedoras da
Antiguidade helénica?
Já Friedrich Nietzsche contrapôs à
estreita autocompreensão nacional [25] dos Alemães uma autocompreensão
europeia. «Não», reconhece Nietzsche, no seu livro Die fröhliche Wissenschaft (A Gaia Ciência), «nós [os apátridas] não somos [...] «alemães» o
tempo suficiente para [...] podermos sentir alegria nas cordiais sarnas e
septisemias nacionais com que, agora, na Europa, cada povo se isola dos outros,
como se estivesse em quarentena». Este filósofo alemão critica, com veemência,
«uma política que torna ermo o espírito alemão, ao envaidecê-lo» e propõe, como
alternativa: «Somos, numa palavra – e há-de ser a nossa palavra de honra! –, bons Europeus, os herdeiros da Europa,
os herdeiros ricos, opulentos, mas também sobrecarregados de deveres, de
milénios de espírito europeu»! (21)
Sem os valores da liberdade e da democracia,
sem a sua origem cultural e sem a sua dignidade – a Europa nada será.
Trabalho enviado por Jaime Ferreira da Silva , professor universitário jubilado, Bochum
terça-feira, 6 de novembro de 2012
Notícias do Jaime..."Como a crise do euro dilacera a Europa - e como a liga
Beck, Ulrich (2012)A Europa alemã. Novas paisagens de
poder sob o signo da crise
[12-25]
Ao
falarmos, aqui, de velhas regras e de instituições, estamos a referir-nos,
antes de mais, às regras e às instituições políticas no âmbito de cada
Estado-nação. A actual crise do euro mostra-nos, com insuperável clareza, que
elas já não se adequam aos problemas e às tarefas. Por isso as regras têm de
ser modificadas. No antigo mundo dos Estados nacionais seria impensável que os
contribuintes da Alemanha, da Finlândia ou dos Países Baixos assumissem a
responsabilidade por riscos orçamentais de outros países da Zona Euro ou pelas
dívidas de bancos espanhóis. Mas até mesmo as regras, de cujo cumprimento a
Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional
fazem depender a concessão de novos créditos, na sua qualidade de instituições
transnacionais, correm sempre atrás da crise que se vai agudizando de forma
dramática. E também a ideia de que a Alemanha e outros países credores
poderiam, através do pacto fiscal, controlar a política orçamental de outros
países da Zona Euro está ainda presa, no fim de contas, à antiga perspectiva
nacional. Igualmente aqui as regras deveriam ser, na verdade, modificadas de
tal maneira que, no futuro, se torne possível uma política económica e
financeira europeia comum. Se, porém, nos ativermos às regras antigas, como
reivindicam aqueles que, junto do Tribunal Constitucional de Karlsruhe,
processaram contra o “chapéu de chuva” de protecção permanente do euro MEE
(Mecanismo Europeu de Estabilidade) e o [22] pacto orçamental – por ele
atentar, segundo eles, contra a soberania orçamental do Bundestag (Parlamento Federal alemão), garantida
constitucionalmente –, depressa se constata que as regulamentações e os
procedimentos antigos são afinal demasiado pesados e morosos para poderem
responder aos desafios actuais.
(Berlim:
Suhrkamp Verlag)
IBeck, Ulrich (2012)
A Europa alemã. Novas paisagens de
poder sob o signo da crise
(Berlim:
Suhrkamp Verlag)
I. Como a crise do
euro dilacera a Europa – e como a liga [12-25]
4. Política interna
europeia: o conceito de política, cunhado com base no Estado nacional, é
anacrónico [21-23]
Há já vários anos, escrevi no meu livro Die Erfindung des Politischen (A Descoberta
do Político) o seguinte:
«O modelo da época
moderna ocidental [...] tem que ser novamente discutido e redesenhado. [...]
[Não se trata só de] uma política que se limite a aplicar regras
(regelausführende Politik) mas também de uma política que as mude
(regelverändernde Politik), [...] não só de política de mero exercício de poder
(Machtpolitik) mas também de uma política criativa
(Gestaltungspolitik). Encontramo-nos
perante um número cada vez maior de perguntas, em situações que não podem ser
abrangidas pelas instituições, conceitos e concepções correntes, que igualmente
se mostram incapazes de lhes darem as respostas adequadas.» (15)
Ao
falarmos, aqui, de velhas regras e de instituições, estamos a referir-nos,
antes de mais, às regras e às instituições políticas no âmbito de cada
Estado-nação. A actual crise do euro mostra-nos, com insuperável clareza, que
elas já não se adequam aos problemas e às tarefas. Por isso as regras têm de
ser modificadas. No antigo mundo dos Estados nacionais seria impensável que os
contribuintes da Alemanha, da Finlândia ou dos Países Baixos assumissem a
responsabilidade por riscos orçamentais de outros países da Zona Euro ou pelas
dívidas de bancos espanhóis. Mas até mesmo as regras, de cujo cumprimento a
Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional
fazem depender a concessão de novos créditos, na sua qualidade de instituições
transnacionais, correm sempre atrás da crise que se vai agudizando de forma
dramática. E também a ideia de que a Alemanha e outros países credores
poderiam, através do pacto fiscal, controlar a política orçamental de outros
países da Zona Euro está ainda presa, no fim de contas, à antiga perspectiva
nacional. Igualmente aqui as regras deveriam ser, na verdade, modificadas de
tal maneira que, no futuro, se torne possível uma política económica e
financeira europeia comum. Se, porém, nos ativermos às regras antigas, como
reivindicam aqueles que, junto do Tribunal Constitucional de Karlsruhe,
processaram contra o “chapéu de chuva” de protecção permanente do euro MEE
(Mecanismo Europeu de Estabilidade) e o [22] pacto orçamental – por ele
atentar, segundo eles, contra a soberania orçamental do Bundestag (Parlamento Federal alemão), garantida
constitucionalmente –, depressa se constata que as regulamentações e os
procedimentos antigos são afinal demasiado pesados e morosos para poderem
responder aos desafios actuais.
Dizendo isto de outra maneira: há um tempo para a pequena política que se
contenta com a aplicação das regras, e há um tempo para a grande política da
criatividade. A fim de se encontrar resposta adequada para a crise do euro – ou
para os perigos da mudança climática e do capitalismo financeiro desregulamentado
– carece-se da grande política. A ideia de que, na era dos riscos globalizados,
seria possível agir segundo o lema «Nós vamos resolver isto sozinhos», acaba
por se revelar uma ilusão fatal.
Nestas condições, a simples distinção
entre política interna e política externa deixa de se poder manter, de uma vez
por todas. É precisamente na Europa da crise que observamos como as fronteiras
se vão esbatendo, de maneira crescente. Muitos autores reivindicam, desde há
anos, ou até mesmo décadas, uma «política interna europeia», uma política
democraticamente legitimada, que se ocupe, empenhadamente, no interesse da UE,
de áreas como a política social, educacional ou económica. Ora estamos a assistir,
agora, a como está a surgir algo, em face da crise, a que se poderia chamar
«política interna europeia», embora tenha pouco que ver com a reivindicação
esboçada mais acima. Nos Estados-membros, a Europa está a tornar-se um tema de
polítia interna: na Primavera de 2012, verificou-se isto aquando das eleições
presidenciais, em França, e das eleições parlamentares, na Grécia; Alexis
Tsipras, a nova estrela política grega, viajou, em Maio de 2012, até às
capitais da UE, esteve em Berlim e em Paris, a fim de impressionar os
eleitores, na Grécia, com as imagens da sua competência europeia. Na Alemanha,
Angela Merkel encena-se como a chanceler de ferro, que não permite aos povos
dos países meridionais continuarem com a sua falta de disciplina; as
declarações de David Cameron, o “Premier” britânico, acerca de política
europeia, têm como alvo despertar ressentimentos, por parte da população, e ser
aplaudido pelos banqueiros, no mercado financeiro de Londres.
«Política interna europeia» significa,
aqui, portanto que não há uma linha de orientação centrada no bem comum
europeu, mas sim em eleições nacionais [23], nos meios de comunicação de massa
e em interesses económicos.
Até mesmo a política europeia do
Presidente dos EUA Barack Obama, aliás, é, em grande parte, motivada pela
política interna. Ao ser-lhe feita a pergunta por que motivo a crise do euro
tinha importância para os EUA, respondeu Obama, em Maio de 2012: «A crise
europeia também nos afecta porque a Europa é o nosso maior parceiro comercial.
[...] Se, em Paris ou Madrid, diminuir a procura dos nossos produtos, isso
poderia ter como consequência a redução das encomendas de fábricas em
Pittsburgh ou Milwaukee.» (17) A crise do euro põe portanto em perigo empresas
e bancos americanos e, deste modo, a reeleição de Obama. Lutando por um segundo
mandato, o presidente está inquieto por causa da Europa. Merkel, porém, que,
ela própria, em pensamento e acção também se guia pelo cálculo de poder da
política interna, mostra-se (até agora) renitente. «Ela tem menos receio de um
Barack Obama do que dos eleitores alemães», resume, lapidarmente, a revista Der Spiegel. (18)
O caso inverso, ou seja, que o superior
interesse europeu se sobreponha à política interna nacional é mais raro. Exemplo
disso foi dado pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, ao
defender aumentos salariais na Alemanha, para apoiar o euro. Desempenhou, então,
por assim dizer, as funções de ministro europeu de política de tarifas
salariais: «Está certo que os salários, actualmente, subam mais, aqui, do que
em todos os outros países da Zona Euro. O aumento salarial, no nosso País,
contribui também para atenuar os desequilíbrios no seio da Europa.» (19)
4. Política interna
europeia: o conceito de política, cunhado com base no Estado nacional, é
anacrónico [21-23]
Há já vários anos, escrevi no meu livro Die Erfindung des Politischen (A Descoberta
do Político) o seguinte:
«O modelo da época
moderna ocidental [...] tem que ser novamente discutido e redesenhado. [...]
[Não se trata só de] uma política que se limite a aplicar regras
(regelausführende Politik) mas também de uma política que as mude
(regelverändernde Politik), [...] não só de política de mero exercício de poder
(Machtpolitik) mas também de uma política criativa
(Gestaltungspolitik). Encontramo-nos
perante um número cada vez maior de perguntas, em situações que não podem ser
abrangidas pelas instituições, conceitos e concepções correntes, que igualmente
se mostram incapazes de lhes darem as respostas adequadas.» (15)
Ao
falarmos, aqui, de velhas regras e de instituições, estamos a referir-nos,
antes de mais, às regras e às instituições políticas no âmbito de cada
Estado-nação. A actual crise do euro mostra-nos, com insuperável clareza, que
elas já não se adequam aos problemas e às tarefas. Por isso as regras têm de
ser modificadas. No antigo mundo dos Estados nacionais seria impensável que os
contribuintes da Alemanha, da Finlândia ou dos Países Baixos assumissem a
responsabilidade por riscos orçamentais de outros países da Zona Euro ou pelas
dívidas de bancos espanhóis. Mas até mesmo as regras, de cujo cumprimento a
Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional
fazem depender a concessão de novos créditos, na sua qualidade de instituições
transnacionais, correm sempre atrás da crise que se vai agudizando de forma
dramática. E também a ideia de que a Alemanha e outros países credores
poderiam, através do pacto fiscal, controlar a política orçamental de outros
países da Zona Euro está ainda presa, no fim de contas, à antiga perspectiva
nacional. Igualmente aqui as regras deveriam ser, na verdade, modificadas de
tal maneira que, no futuro, se torne possível uma política económica e
financeira europeia comum. Se, porém, nos ativermos às regras antigas, como
reivindicam aqueles que, junto do Tribunal Constitucional de Karlsruhe,
processaram contra o “chapéu de chuva” de protecção permanente do euro MEE
(Mecanismo Europeu de Estabilidade) e o [22] pacto orçamental – por ele
atentar, segundo eles, contra a soberania orçamental do Bundestag (Parlamento Federal alemão), garantida
constitucionalmente –, depressa se constata que as regulamentações e os
procedimentos antigos são afinal demasiado pesados e morosos para poderem
responder aos desafios actuais.
Dizendo isto de outra maneira: há um tempo para a pequena política que se
contenta com a aplicação das regras, e há um tempo para a grande política da
criatividade. A fim de se encontrar resposta adequada para a crise do euro – ou
para os perigos da mudança climática e do capitalismo financeiro desregulamentado
– carece-se da grande política. A ideia de que, na era dos riscos globalizados,
seria possível agir segundo o lema «Nós vamos resolver isto sozinhos», acaba
por se revelar uma ilusão fatal.
Nestas condições, a simples distinção
entre política interna e política externa deixa de se poder manter, de uma vez
por todas. É precisamente na Europa da crise que observamos como as fronteiras
se vão esbatendo, de maneira crescente. Muitos autores reivindicam, desde há
anos, ou até mesmo décadas, uma «política interna europeia», uma política
democraticamente legitimada, que se ocupe, empenhadamente, no interesse da UE,
de áreas como a política social, educacional ou económica. Ora estamos a assistir,
agora, a como está a surgir algo, em face da crise, a que se poderia chamar
«política interna europeia», embora tenha pouco que ver com a reivindicação
esboçada mais acima. Nos Estados-membros, a Europa está a tornar-se um tema de
polítia interna: na Primavera de 2012, verificou-se isto aquando das eleições
presidenciais, em França, e das eleições parlamentares, na Grécia; Alexis
Tsipras, a nova estrela política grega, viajou, em Maio de 2012, até às
capitais da UE, esteve em Berlim e em Paris, a fim de impressionar os
eleitores, na Grécia, com as imagens da sua competência europeia. Na Alemanha,
Angela Merkel encena-se como a chanceler de ferro, que não permite aos povos
dos países meridionais continuarem com a sua falta de disciplina; as
declarações de David Cameron, o “Premier” britânico, acerca de política
europeia, têm como alvo despertar ressentimentos, por parte da população, e ser
aplaudido pelos banqueiros, no mercado financeiro de Londres.
«Política interna europeia» significa,
aqui, portanto que não há uma linha de orientação centrada no bem comum
europeu, mas sim em eleições nacionais [23], nos meios de comunicação de massa
e em interesses económicos.
Até mesmo a política europeia do
Presidente dos EUA Barack Obama, aliás, é, em grande parte, motivada pela
política interna. Ao ser-lhe feita a pergunta por que motivo a crise do euro
tinha importância para os EUA, respondeu Obama, em Maio de 2012: «A crise
europeia também nos afecta porque a Europa é o nosso maior parceiro comercial.
[...] Se, em Paris ou Madrid, diminuir a procura dos nossos produtos, isso
poderia ter como consequência a redução das encomendas de fábricas em
Pittsburgh ou Milwaukee.» (17) A crise do euro põe portanto em perigo empresas
e bancos americanos e, deste modo, a reeleição de Obama. Lutando por um segundo
mandato, o presidente está inquieto por causa da Europa. Merkel, porém, que,
ela própria, em pensamento e acção também se guia pelo cálculo de poder da
política interna, mostra-se (até agora) renitente. «Ela tem menos receio de um
Barack Obama do que dos eleitores alemães», resume, lapidarmente, a revista Der Spiegel. (18)
O caso inverso, ou seja, que o superior
interesse europeu se sobreponha à política interna nacional é mais raro. Exemplo
disso foi dado pelo ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schäuble, ao
defender aumentos salariais na Alemanha, para apoiar o euro. Desempenhou, então,
por assim dizer, as funções de ministro europeu de política de tarifas
salariais: «Está certo que os salários, actualmente, subam mais, aqui, do que
em todos os outros países da Zona Euro. O aumento salarial, no nosso País,
contribui também para atenuar os desequilíbrios no seio da Europa.» (19)
Enviado pelo Prof. Universitário Jubilado, Jaime Ferreira da Silva, , Bochum, Alemanha
Pintura do expressionista alemão Die Brucke, 1911
Enviado pelo Prof. Universitário Jubilado, Jaime Ferreira da Silva, , Bochum, Alemanha
Pintura do expressionista alemão Die Brucke, 1911
Leituras breves... e tocantes
Tantos somos o que navegamos neste barco da incerteza... que Luís Osório nos pôs hoje à disposição no FB.
"Um copo de vinho na companhia de um bom filme ou livro. Estar sozinho, viver sozinho, implica encontrar territórios de partilha connosco próprios. Há noites em que a falta de mais é dolorosa, mas acompanhados recordamos as noites de nós para nós. Viver na plenitude é estar permanentemente em falta: dos outros ou de nós. E depois há os medos. De o coração nos trair quando ninguém nos pode acudir, essas coisas. Pelo sim, pelo não nunca me dispo antes de ir para a cama, não se vá dar o caso de ser chamado "
Pintura de Edward Hopper, "Autmn"
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Leitura breves...
Pintura de António Viana, anos 80
" Depois de termos subido uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir."
Nelson Mandela
" Depois de termos subido uma grande montanha, só descobrimos que existem ainda mais grandes montanhas para subir."
Nelson Mandela
domingo, 4 de novembro de 2012
sábado, 3 de novembro de 2012
Notícias do Jaime.. Como a crise do euro dilacera a Europa – e como a liga.
De novo as notícias do Jaime e a continuação da sua tradução do livro de Ulrich Beck ,A Europa alemã. Novas paisagens de poder sob o signo da crise, das paginas 18 a 20.
Deixo aqui o link do post anterior.
Partilhemos pois a forma lúcida de Beck ver a Europa "sob o signo da crise"...
I. Como a crise do euro dilacera a Europa – e como
a liga [12-25]
3. A cegueira da Economia
[18-20]
Em face da impossibilidade de se saber, ao
certo, e da dificuldade de destrinçar as coisas que as modernas sociedades de
risco produzem, por assim dizer, automaticamente – e para nos oferecerem
orientação, nesta selva gnoseológica, estão disponíveis, hoje, multidões de
especialistas, ou expertos, como agora se diz. E é verdade que os economistas,
ao pronunciarem-se sobre a crise,
contribuem para tornar o mundo mais compreensível. No entanto os que «entendem
o capital» (12) estão a reduzir, agora, de uma maneira estranha, a complexidade
dos mercados financeiros globais: personalizam e emocionalizam o que acontece
nos mercados, introduzindo conceitos sobre o estado de saúde – tirados de
manuais de diagnósticos terapêuticos – na linguagem da bolsa, cunhada segundo
parâmetros racionais. É por isso que lemos expressões como: nos mercados «os
nervos estão à flor da pele», não se deixam «enganar», são «tímidos», estão
«nervosos» e têm propensão para «reacções de pânico».
Também se poderia dizer: a perspectiva
económica, em termos sociais e políticos, é cega e causa a cegueira, os
conselhos das Ciências Económicas, que dominam a discussão, assentam num
«analfabetismo» político-social (Wolfgang Münchau). (13) Esta cegueira deriva,
possivelmente, do facto de os economistas contemplarem o mundo sempre através
de uns modelos quaisquer – e, se os modelos não se ajustarem à realidade, surge
um problema. Wolfgang Münchau, no Financial
Times, pôs o dedo na ferida:
«Os macro-economistas, em
geral, não dispõem de um modelo adequado para a União Monetária Europeia.
Confundem-na com um chamado «loose fixed-exchange-rate system» [ou seja, uma
união monetária em que as cotações estão fixadas de acordo com determinados
[19] parâmetros directores; UB], ou com um país com uma moeda única, portanto
com sistemas para os quais dispõem de modelos. A uma união monetária, porém,
não se podem aplicar estes modelos, por ela não ser nem um Estado, nem um acordo
flexível combinado entre Estados, no qual os Estados-membro continuem a exercer
a sua plena soberania. [...] É certo que continua a haver [nos respectivos
acordos; UB] algum espaço de manobra para a adesão de Estados que, como a
Dinamarca ou a Grã-Bretanha, decidiram não entrar já para o euro. Não há,
porém, o mínimo espaço de manobra para a saída de um ou de mais países.» (14)
É, precisamente, com base neste último
ponto que se pode mostrar, com muita clareza, como os especialistas de Ciências
Económicas estão a induzir em erro, com as suas propostas, tanto a área pública
como a política. Muitos manifestam-se como se a saída da Grécia do euro fosse a
solução. Depois – como está implícito, ou explícito, nesta mensagem – os
Alemães deixariam de ter de «se sacrificar», em termos financeiros, por causa
dos Gregos. Estas asserções, porém, têm pernas curtas e estão até mesmo
erradas, pelo menos por quatro motivos:
Primeiro:
A saída de um Estado-membro do euro não está regulamentada. Poderia, quando
muito, ocorrer apenas a pedido do país em causa. Os Gregos, porém, na sua
maioria, querem continuar a fazer parte da união monetária.
Segundo:
Um retorno dos Gregos ao dracma provocaria um corte da dívida que iria afectar
bancos e empresas, em todo o mundo – antes de mais as instituições financeiras
alemãs, francesas e americanas que, anteriormente, tinham investido nas dívidas
estatais gregas que eram, nessa altura, um negócio «favorável». Isto quer então
dizer, na verdade, que uma saída dos Gregos da Zona Euro poderia desencadear,
de novo, o perigo duma crise como a que foi provocada pela bancarrota do Banco
Lehman Brothers.
Terceiro:
Mesmo que os Gregos, no caso de saírem do euro, não viessem a receber quaisquer transferências do “chapéu de chuva” de protecção europeu, continuariam a ter
direito, como país da União Europeia em dificuldades, a receber ajuda (o que,
de resto, é o motivo por que os Britânicos são, de forma tão veemente, a favor
de “eurobonds” [20] e da permanência da Grécia na Zona Euro – já que, de outro
modo, também teriam de contribuir para essa ajuda). Como ninguém pode estar
interessado em que a Grécia se afunde no caos e na anarquia – ou até que se
torne, de novo, uma ditadura militar – os restantes membros da UE seriam
obrigados a apoiar o Estado grego com somas que, ainda hoje, são inimagináveis
e estão também por contabilizar. Os custos sociais que o retrocesso para o
nacionalismo, talvez até mesmo também para a xenofobia, a violência e a
ditadura iriam causar aos próprios Gregos, mas igualmente aos restantes
Europeus e à comunidade mundial – é assunto que a perspectiva meramente
economicista não pode, nem quer tomar em consideração. Por este motivo também
ninguém está, realmente, em condições de poder «calcular» o que nos iria sair
mais caro: se a permanência ou a saída da Grécia do euro.
Quarto:
Portanto faria muito mais sentido discutir se os Gregos não deveriam sair não
só do euro mas também da UE. Um tal passo, porém, iria ter, antes de mais,
consequências fatais para a própria Grécia, por ir ficar arredada do acesso a
recursos de sobrevivência vitais (por exemplo, os fundos de fomento agrário da
UE). Um tal passo, porém, teria igualmente consequências graves para os
restantes Estados da UE, se tomarmos em conta que a Grécia (a par de países
como a Espanha, a Itália, Portugal, etc.) protege a fronteira externa da União.
O que uma saída do euro por parte da
Grécia, ou de outros Estados endividados, iria, realmente, custar, não se torna
portanto visível a partir dos modelos abstractos dos economistas: quem tiver
feito poupanças perde grande parte do seu património, o Estado corre o risco de
ficar arruinado, as camadas médias da sociedade de ficarem empobrecidas, os
pobres ficam ameaçados pela exclusão social – e todos os Europeus ficam com um
problema caro e de longa duração, em termos económicos, sociais e políticos.
Tradução de Jaime Ferreira da Silva, professor universitário jubilado, Bochum
Fotografia de Ulrich Beck
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Entre o aqui e o agora...
Pintura de Edward Hopper, Square Rock, 1914, exposto na Gulbenkian, exposição AS IDADES DO MAR
Hoje, um amigo meu , disse-me que segundo Marx, a vergonha é um sentimento revolucionário...
Não sei se me envergonhe ou fique triste...
quinta-feira, 1 de novembro de 2012
Lisboa recriada antes do terramoto .Super interessante...
Lisboa, Terreiro do Paço, 1640, segundo o pintor holandês, Dirk Stoop
Recriação do Terreiro do Paço antes do Terramoto se 1 de Novembro de 1755.
Muito interessante. VER AQUI
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