hoje estive tão triste que ardi centenas de fósforos pela tarde fora José Tolentino de Mendonça E, pela calada da noite um incêndio tomou conta das nossas cabeças e corações... Tinhas a idade de Cristo, Pedro.
Creio que foi o sorriso, o sorriso foi quem abriu a porta. Era um sorriso com muita luz lá dentro, apetecia entrar nele, tirara a roupa, ficar nu dentro daquele sorriso. Correr, navegar, morrer naquele sorriso. Eugénio de Andrade, O Sorriso Rabirruivo (Fêmea) Local: Cabo Espichel
agora vou ver a temperatura do sol e comprar flores. Os homens continuam a balançar entre o afecto e uma enorme brutalidade. Penso que as estatísticas ainda não correspondem à verdade sobre a sua natureza predadora no pior sentido da palavra, maltratam a carne e o espírito. Matam por maldade e loucura. O meu pensamento é para essas mulheres sofredoras que vai hoje. Os homens que me desculpem, os bons homens, claro... Tempo de voltar ao cartão .... Como se pedia namoro antigamente. Um pouco de história. Até logo.
" As dívidas serviram, diz-se, para excitar o génio de Dickens e Balzac: não encontrando em mim um génio a excitar, vingam-se da humildade do seu papel torturando-me" Eça de Queirós Público, 6/03/2014, ESCRITO NA PEDRA
RETRATO DA FRANCESA Tem trinta e dois anos. É mais sedutora do que bela. Poder-se-ia chamar-lhe, de certa maneira «The Look» («O Olhar»). Nela, tudo «passa pelo olhar», desde a palavra ao movimento. Este olhar está esquecido de si próprio. Esta mulher olha por
sua conta. O seu olhar não consagra o seu comportamento, ultrapassa-o sempre .
Sem dúvida que, no amor, todas as mulheres têm os olhos belos, mas, a esta em particular, o amor lança-a na desordem da alma (escolha voluntariamente stendhaliana do termo) um pouco antes do que ás outras. Porque ela está mais « apaixonada pelo próprio amor» do que as outras mulheres. Sabe que se não morre de amor. Durante a sua vida teve uma esplêndida ocasião para morrer de amor. Ela não morreu em Nevers. Depois, e até hoje, em Hiroshima, onde encontra este japonês, arrasta consigo, dentro de si, a »melancolia» de quem viu adiada a única oportunidade de decidir o seu próprio destino. .... .... Excerto de apêndice do livro escrito por Duras para Alain Resnais, HIROSHIMA MEU AMOR, QUETZAL EDITORES, 1987
"Coimbra, 28 de Fevereiro de 1969 - Violento tremor de terra, que segui calmamente deitado, à espera que me caísse o tecto da casa em cima. Talvez porque a agressão era impessoal, gratuita, irresponsável, apoderou-se de mim um sentimento de razão total, de inocência total, de indiferença total pelo que pudesse acontecer. Ficou apenas a curiosidade a observar o fenómeno. Ou então foi a certeza de que, se as coisas chegassem às do cabo, a hecatombe seria geral. Tão verdadeiro é em nós o apelo da manada, que até a morte em comum deixa de nos aterrar". Miguel Torga, Diário XI, 37-38 (surripiado à amiga Zélia via FB)
Entretanto uma outra amiga deixou-me a edição do querido e saudoso DL. Na Figueira da Foz, este tremor de terra sentiu-se de uma forma brutal.
Não tenho palavras para descrever as emoções e as marcas que que as interpretações de Paco de Lucia deixaram na minha vida. Talvez ou quase de certeza que não só na minha...
Há dias para tudo ou quase tudo. Uns mais do que outros... Hoje foi dia de feira aqui para os meus lados. Apostei nas flores e nos chocolates. Aos últimos, já os comi . Para as tulipas , olho-as com volúpia, são vermelhas. As frésias, repousam noutro canto da casa, próximas da luz do dia e do sol que tarda em chegar, para poder cada um desvirginaros botõezinhos que meio envergonhados parecem ter medo de florir. Entretanto oiço... Pinturas de Terry Wise