segunda-feira, 17 de março de 2014

Coisas do Zé...


e do Zé Penicheiro... 
1922-2014

O Zé...

José Penicheiro, pintor oficial da região centro, partiu aos 92 anos, ontem.
Tenho recordações  pictóricas e  de boa amizade apesar de já o não ver há anos.  de todas as gravuras que possuo , este pequeno desenho é especial. Ternurento e assinado com o seu simplesmente, Zé.
Mais sobre o artista, AQUI.

Será que ainda não saí das Caldas?

 Mas não estou em termas... Ai "balha-me Deus"... 


Eu creio tanto na influência dos maus jantares como no das más companhias na índole dos indivíduos, e adopto para mim esta sentença: «Diz-me o que comes, dir-te-ei as manhas que tens».


Ramalho Ortigão

Parque das Caldas da Rainha, escultura de Ramalho Ortigão

domingo, 16 de março de 2014

Leituras breves e soalheiras..., porque o dia é disso mesmo

 Amigo
Mal nos conhecemos 
Inaugurámos a palavra «amigo». 

«Amigo» é um sorriso 
De boca em boca, 
Um olhar bem limpo, 
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece, 
Um coração pronto a pulsar 
Na nossa mão! 

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!

«Amigo» é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'

Fotografias do Parque Termal das Caldas da Rainha : Bem degradadinho está, o edifício, claro.

Bom domingo....

Pintura de Eduardo Viana, "Nu", de 1925

Que os dias de primavera alegrem os nossos dias...
As pinceladas de Eduardo Viana provocaram em mim o desejo das cores dos dias que correm. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

As breves do dia de hoje

Um dia, a vitoria da coadopção acontecerá.
Os cínicos do costume, esquecem ou nunca tiveram uma avó a jeito e proverbial que lhes dissesse que parir é dor e criar é amor . Uma e outra forma têm que ser salvaguardadas.

Pintura Russa período romântico

quinta-feira, 13 de março de 2014

Reflexão do meu dia de hoje....




Horário do Fimmorre-se nada 
quando chega a vez 

é só um solavanco 
na estrada por onde já não vamos 

morre-se tudo 
quando não é o justo momento 

e não é nunca 
esse momento 

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Piéta de Michelangelo

terça-feira, 11 de março de 2014

Não tinha que ser assim...

hoje  estive tão triste
que ardi centenas de fósforos
pela tarde fora

José Tolentino de Mendonça

E, pela calada da noite um incêndio tomou conta das nossas cabeças e corações...
Tinhas a idade de Cristo, Pedro.

domingo, 9 de março de 2014

Olhares....

Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirara a roupa, ficar
nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Eugénio de Andrade, O Sorriso
Rabirruivo (Fêmea) 
Local: Cabo Espichel

Foto surripiada a Francisco Clamote

sábado, 8 de março de 2014

Bom fim de semana e mais logo volto às nossas Mulheres.... pois....


agora vou ver a temperatura do sol e comprar flores.

Os homens continuam a balançar entre o afecto e uma enorme brutalidade. Penso que as estatísticas ainda não correspondem à verdade sobre a sua natureza predadora no pior sentido da palavra, maltratam a carne e o espírito. Matam por maldade e loucura.
O meu pensamento é para essas mulheres sofredoras  que vai hoje. Os homens que me desculpem, os bons homens, claro... 

Tempo de voltar ao cartão ....
Como se pedia namoro antigamente. Um pouco de história.
Até logo.

quinta-feira, 6 de março de 2014

leituras breves...

" As dívidas serviram, diz-se, para excitar o génio de Dickens e Balzac: não encontrando em mim um génio a excitar, vingam-se da humildade do seu papel torturando-me"

Eça de Queirós

Público, 6/03/2014, ESCRITO NA PEDRA

segunda-feira, 3 de março de 2014

« A RAPARIGA FRANCESA», Hiroshima Meu Amor

RETRATO DA FRANCESA

Tem trinta e dois anos.
É mais sedutora do que bela.
Poder-se-ia chamar-lhe, de certa maneira «The Look» («O Olhar»). Nela, tudo «passa pelo olhar», desde a palavra ao movimento.
Este olhar está esquecido de si próprio. Esta mulher olha por
sua conta. O seu olhar não consagra o seu comportamento, ultrapassa-o sempre .

Sem dúvida que, no amor, todas as mulheres têm os olhos belos, mas, a esta em particular, o amor lança-a na desordem da alma (escolha voluntariamente stendhaliana do termo) um pouco antes do que ás outras. Porque ela está mais « apaixonada pelo próprio amor» do que as outras mulheres.
Sabe que se não morre de amor. Durante a sua vida teve uma esplêndida ocasião para morrer de amor. Ela não morreu em Nevers. Depois, e até hoje, em Hiroshima, onde encontra este japonês, arrasta consigo, dentro de si, a »melancolia» de quem viu adiada a única oportunidade de decidir o seu próprio destino.
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 Excerto de apêndice do livro escrito por Duras para Alain Resnais, HIROSHIMA MEU AMOR, QUETZAL EDITORES, 1987