A Língua portuguesa é responsável pelas mais perfeitas canções. Soa a imperialista? Então deixo-vos um exercício simples: traduzam as letras dos BEATLES. ... A canção inglesa ou americana pretende que o amor tenha uma lógica e se desenrole como um "western", com índios maus e caubóis valentes. A brasileira não.
(continuação da leitura de excertos de um artigo de Inês Pedrosa, revista !BRAVO, 2011)
(continuação)
.... Ora ficámos no "amor fino" de Padre António Vieira, ou o amor a fundo perdido...
Não há outro; ao amor que espera retorno podemos chamar investimento, vaidade, medo ou comodismo. Podemos até decidir ser felizes através dele. Mas o amor digno desse nome não cuida de enredos ou desenlaces; é, como escreveu Ovídio, uma arte, com o que isso significa de coragem e entrega. A arte exige o dom da metamorfose e um alto grau do domínio perante a dor. O artista, como o amante, tem de ser capaz de sair da sua própria pele para se colocar dentro da pele do outro. Esvaziando-se na entrega, ganha também imunidade à dor - há sempre um lado seu que contempla, de fora, como um Deus, a obra que dentro de s iestá gerando. Tudo isso existe, em sublime condensação, no casamento entre a música e letra - e assim o Brasil deu de 10 a 0 em toda a história da filosofia. de Ovídio e Platão a Kant e Nietzsche. "Se você tem uma história incrível é melhor fazer
uma canção está provado que só é possível filosofar em alemão". A receita é de Caetano, em" Língua", a melhor canção alguma vez escrita . Estava tentada a acrescentar "em língua portuguesa", mas a tese que aqui se expõe é a de que a língua portuguesa é responsável pela criação das mais perfeitas cancões. Excerto de artigo de Ines Pedrosa na revista !BRAVO, DEZEMBRO DE 2011
Há semanas parece que Caetano Veloso esteve por cá. Fins de Abril. Espectáculos ao vivo que mãos exterminadoras e implacáveis me impediram de ir. Não estou só nestes actos de prazer . Somos muitos.... Contudo o prazer de leituras de revistas de estimação, esta também já "moribunda" no outro lado do Atlântico, ! BRAVO, fez-me relembrar esta crónica de Inês Gonçalves, Na !BRAVO de dezembro de 2011. (excerto)
Devo às canções do Brasil a minha fé no amor. Não é coisa pouca nem leve; acredito no amor como os outros acreditam na Virgem de Fátima : à revelia dos tropeços da História. Não há lágrima que eu não transforme em prisma de uma nova visão do mundo, nem ruínas de ilusão sob as quais não encontre o sinal de uma alegria maior. As canções brasileiras, em particular as de Caetano Veloso e Chico Buarque, deram-me um doutorado naquilo a que o Padre António Vieira chamou "amor fino" - o amor a fundo perdido. (CONTINUA)
Não aprecio futebol... , Mas gosto da história dos clubes da minha terra. Sempre fui de alma e coração ginasista (GCF) mas sorrio com as vitórias da Naval e gosto de dar a conhecer a sua história. (AQUI) e( AQUI) Era tradição acordar bem cedo, mandavam as mães, não fosse o Maio entrar por um "sítio" menos próprio... E, pelas ruas, começavam as bandas musicais e o famoso Rancho das Cantarinhas de Buarcos, a cantar e a dançar e os foguetes a rebentar. Como dormir?
"mas quando se juntam à roda da mesa na vaga euforia que a hora consente, já quase acreditam que podem voltar à pequena praça, à luz entrevista de um quarto de hotel, onde a noite é nova e toda a beleza se há-de cumprir."
-"Oráculos de Cabeceira" - Rui Pires de Cabral (via fb, Sr. Teste)
Félix Vallotton, The Lake in the Bois de Boulogne, 1921 Tu: a primavera luminosa da minha expectativa a mais certa certeza de que gosto de ti, como gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste. De Nuno Júdice
quando eu morrer murmura esta canção que escrevo para ti. quando eu morrer fica junto de mim, não queiras ver as aves pardas do anoitecer a revoar na minha solidão. quando eu morrer segura a minha mão, põe os olhos nos meus se puder ser, se inda neles a luz esmorecer, e diz do nosso amor como se não tivesse de acabar, sempre a doer, sempre a doer de tanta perfeição que ao deixar de bater-me o coração fique por nós o teu inda a bater, quando eu morrer segura a minha mão. Vasco Graça Moura * Do que eu não gostava, ele saberia porquê... (imagem cujo autor perdi ) Poema retirado do mural de Manuel Monteiro via FB
Em certo sentido, toda a “revolução” começa a envelhecer no dia do seu próprio nascimento; daí, também, que o a sua simultânea dimensão épica, utópica e trágica, faceta bem sintetizada na lição que mostra – pelo menos desde a Revolução Francesa – que todas elas, mesmo quando vitoriosas, tarde ou cedo acabam por devorar os seus próprios filhos.
(Extraído de Fernando Catroga, Os passos do homem como restolho do tempo. Memória e fim do fim da história, Coimbra, Almedina, 2009,