domingo, 19 de outubro de 2014

sábado, 18 de outubro de 2014

a vida do meu contentamento...

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vees os braços que apertamos
     nunca mais são os mesmos 
 E por vezes...



Versos de David Mourão Ferreira, E por vezes
Desenho de Picasso, 1933

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

bom fim de semana ...

Aula de Pintura , de Rogério Ribeiro
Fiquem bem com o som e a imagem.
O cansaço da palavra escrita é imenso , e ela repete-se vezes sem conto nas vozes dos opinadores que vamos caindo na tentação de ainda ouvir.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

com a cabeça no ar...


Gosto mais de olhar o céu do que a terra.  É uma descoberta permanente.

Isto vai meus amigos, isto vai (?)

José Ary dos Santos

As minhas fotografias em Miranda do Douro

a história repete-se...


Já vi esta história nos anos 80 do séc. passado quando surgiu o problema do HIV.


André Carrilho estava atento a esta realidade quando criou o cartoon para o DN. “Parece-me que a atenção que se dá às epidemias nos media ocidentais não tem a ver com uma medida universal de sofrimento humano, mas com a maior ou menor possibilidade de nos atingirem. Os meios de comunicação social tendem a passar de alguma indiferença para a sobreexposição e pânico, sem nunca deixarem de tratar o assunto numa perspectiva que opõe 'eles' [África] a 'nós' [EUA e Europa]", disse ao PÚLICO. Foi com base nesta observação e na notícia de que dois missionários norte-americanos infectados na Libéria tinham recebido um medicamento experimental chamado ZMapp, composto por três anticorpos humanos contra o vírus, que André Carrilho criou o cartoon.Quanto à reacção que a imagem por si criada recebeu mais recentemente nas redes sociais, o cartoonista considera que resultou numa “coincidência de factores”. “O público, de repente, começou a prestar atenção e a perguntar-se o porquê de só agora estar a fazê-lo. O cartoon é sobre isso, e encontrou ressonância no que as pessoas sentiam

Excerto do Jornal Público

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

por mares nem sempre "navegados"...

SEDE EM QUE ARDEMOS...


Nada é começo na contabilidade das horas
Nem o rugido das esferas é vibração do cristal
Nem os passos são a devoção dos dias
Nem as ondas-cavas são destino de barcos...

Administramos silêncios.
E os dedos são compasso de um círculo
Que se ferra no pescoço dos náufragos
E asfixia o grito. E devora por dentro num fervor negro
Como bolor em pão ázimo
De porta em porta
Negado...

Somos leilão de condenados.
Sem o sabermos. Que nem o preço ao menos
Nos distingue na volúpia do deve – e do haver!
Nem o festim das coisas que esventram os olhos
Nem a náusea nos redime
Nesta voragem...

Libertos apenas talvez na palavra que teima
E no bruxuleante lume da candeia
A iluminar a gruta. E no granito
Fogo e água tímida a soletrar
A sede em que ardemos.


Manuel Veiga
Ilustração de Ana Biscaia





terça-feira, 14 de outubro de 2014

desenrasque-me, por favor....



Desenrascanço, a palavra que os ingleses queriam ter

Um site norte-americano fez uma lista das 10 palavras estrangeiras que
mais falta fazem à língua inglesa. A palavra portuguesa
"desenrascanço" é a que lidera.
"Bakku-shan" é a palavra usada pelos japoneses quando se querem
referir a uma rapariga bonita, vista de costas.
"Nunchi" é outra das palavras escolhidas. É coreana e é usada para falar de alguém que fala sempre do assunto errado, um género de desbocado ou inconveniente.
"Tingo" é uma expressão usada na Ilha da Páscoa, Chile, e significa pedir emprestado a um amigo até o deixar sem nada.
A lista das "10 palavras estrangeiras mais fixes que a língua inglesa devia ter" é liderada pela palavra portuguesa "desenrascanço". Esta é a expressão que, segundo os autores do site norte-americano, mais falta faz ao vocabulário inglês.
O "desenrascanco", segundo os norte-americanos
Depois de percorrer duas páginas com explicações das nove palavras estrangeiras mais fixes, chega-se ao número 1. A falta da cedilha não importa para se perceber que estamos a falar do "desenrascanço", tão típico da nossa cultura.
"Desenrascanco: a arte de encontrar a solução para um problema no último minuto, sem planeamento e sem meios", explica o site dando como exemplo a célebre personagem de uma série de televisão MacGyver.
"O que é interessante sobre o desenrascanco - a palavra portuguesa para estas soluções de último minuto - é o que ela revela sobre essa cultura". "Enquanto a maioria de nós [norte-americanos] crescemos sob o lema dos escuteiros 'sempre preparados', os portugueses fazem exactamente o contrário", prosseguem os autores.
"Conseguir uma improvisação de última hora que, não se sabe bem como, mas funciona, é o que eles [portugueses] consideram como uma das aptidões mais valiosas: até a ensinam na universidade e nas forças armadas. Eles acreditam que esta capacidade tem sido a chave da sua sobrevivência durante séculos".
"E não se ria: a uma dada altura eles conseguiram construir um império que se estendeu do Brasil às Filipinas" à custa do desenrascanço, sublinham os autores, terminando o texto:
"Que se lixe a preparação. Eles têm desenrascanco", termina o artigo.

VER AQUI

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Há dias iguais às noites...

Georges Braque
A linda Jean Seber , a melancólica voz de Greco...  Na senda da beleza dos dias...
"bonjour tritesse".

Meu coração é uma princesa morta.
Quem deixou?
Quem deixou entreaberta aquela porta
Onde passou?

Fernando Pessoa

domingo, 12 de outubro de 2014

os dias de chuva são assim...


Georges Braque por Doisneau

Pintura de Georges Braque, Auto-retrato

O que nos mata é solidão povoada


Jorge de Sena

E eu não sei?

sábado, 11 de outubro de 2014

fim de semana possível, mas que seja bom...



Fragonard, Jean-Honoré
Bacchante endormie 
(1750)
De que se ocupa a noite quando adormecemos?

Fernando Guimarães, ( As paredes esperam a luz(...))

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

rosas para Malala, prémio Nobel da Paz


O apresentador e humorista perguntou-lhe como tinha reagido ao saber que os talibãs a queriam morta. Malala respondeu: "Comecei a pensar nisso e costumava pensar que um talibã viria e que simplesmente me mataria. Mas depois disse, 'se ele vier, o que farás, Malala?', depois respondia-me a mim própria 'Malala, tira um sapato e atira-lho'. Mas depois dizia 'se eu lhe atirar um sapato, não haverá nenhuma diferença entre mim e os talibãs. Não devemos tratar os outros com crueldade e aspereza, temos de combatê-los mas através da paz e através do diálogo e da educação' E depois disse que lhe diria da importância da educação e que 'até desejo educação para os teus filhos'. E dir-lhe-ia ' Isto é o que eu te quero dizer, agora faz o que quiseres'".

Excerto da entrevista dada a Jon Stwart

Uma viagem através da cerâmica...


 Exposição temporária no Museu Soares dos Reis, organizada pela Liga Protectora da Fauna e Flora do Parque Natural do Gerês e das suas raízes culturais.
Uma forma que tive de viajar no tempo por uma das mais lindas regiões do país quando se podia fazer campismo selvagem...


 "Há sitios no mundo que são como certas existências humanas: tudo se conjuga para que nada falte à sua grandeza e perfeição.Este Gerês é um deles." 
Miguel Torga


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Sem título...


Anne qui se mélange au drap pale et délaisse
Des cheveux endormis sur ses yeux mal ouverts
Mire ses bras lointains tournés avec mollesse
Sur la peau sans couleur du ventre découvert.

Elle vide, elle enfle d'ombre sa gorge lente,
Et comme un souvenir pressant ses propres chairs,
Une bouche brisée et pleine d'eau brûlante
Roule le goût immense et le reflet des mers.

Enfin désemparée et libre d'être fraîche,
La dormeuse déserte aux touffes de couleur
Flotte sur son lit blême, et d'une lèvre sèche,
Tête dans la ténebre un souffle amer de fleur.

Et sur le linge où l'aube insensible se plisse,
Tombe, d'un bras de glace effleuré de carmin,
Toute une main défaite et perdant le délice
A travers ses doigts nus dénoués de l'humain.

Au hasard! A jamais, dans le sommeil sans hommes
Pur des tristes éclairs de leurs embrassements,
Elle laisse rouler les grappes et les pommes
Puissantes, qui pendaient aux treilles d'ossements,

Qui riaient, dans leur ambre appelant les vendanges,
Et dont le nombre d'or de riches mouvements
Invoquait la vigueur et les gestes étranges
Que pour tuer l'amour inventent les amants...

Paul Valéry in Anne, 1900.


Retrato de David Hocney, "Artist and Model"