quarta-feira, 5 de novembro de 2014

orçamento em pugilato...

Governos Apostados em Errar  
Entre nós tem-se visto governos que parecem absurdamente apostados em errar, errar de propósito, errar sempre, errar em tudo, errar por frio sistema. Há períodos em que um erro mais ou um erro menos realmente pouco conta. No momento histórico a que chegámos, porém, cada erro, por mais pequeno, é um novo golpe de camartelo friamente atirado ao edifício das instituições; mas ao mesmo tempo tal é a inquietação que todos temos do futuro e do desconhecido que cada acerto, cada bom acerto é uma estaca mais, sólida e duradoura, para esteiar as instituições. Toda a dúvida está em saber se ainda há ou se já não há, em Portugal, um governo capaz de sinceramente se compenetrar desta grande, desta irrecusável verdade. 

Eça de Queirós, in 'Últimas Páginas'

os novos fugitivos são licenciados....


..."malgrée"madame Merkel...
"Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre."Fonte - Uma Campanha AlegreTema - Emigração

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

a poesia anda na rua, mas nem sempre segura...




... nem sempre pelas melhores razões.

Para matar a fome, pagar as contas correntes  essenciais à vida.
Cruzei-me com Leonora Rosado, no sábado,  no Chiado. Uma abordagem simpática em forma de folha A4, vinda de uma cara bonita.
Vendia livros de poemas seus e ilustrados por ela. Livros todos manuais em papel reciclado. Cada um daria o que pudesse...
Fiquei aflita. Eu de "plafonamento" rasteiro, disse-lhe que era professora aposentada...

-Ah! Não precisa de dizer mais nada... , disse ela.Puxou de uma folha com um poema feito na noite anterior, assinou e ofereceu-mo. 

Nada pude fazer em troca. Mas, sei que logo que possa, irei de novo ao Chiado ou às redes sociais, procurar Leonora, e retribuir o gesto solidário . Leonora, soube logo que andávamos pela verdura, "descalças" ou de solas de sapatos bem gastas.


domingo, 2 de novembro de 2014

Mas, em dia de culto....

           ..                                                     Bearden, Romare, Madre y chico


.... do vazio deixado pelos que partiram, e paralelamente a esse vazio, está a vida, a maternidade mais do que desejada.

Nascemos, vivemos e morremos... É a nossa natureza. Mas tudo deveria ter o seu devido tempo.
Aconteceu, ontem, que a nossa Bianca nasceu. Espero e desejo que ajude a preencher o vazio precoce
que o Pedro deixou entre os que o amavam.

sábado, 1 de novembro de 2014

aos meus amores...


Se pudesse percorrer o lugar onde um dia vos deixei, gostaria de encontrar as vossas frias pedras cobertas de azevinho onde por esta altura as bolinhas vermelhas me fizessem lembrar que vem aí o Natal , que deveria ser sentido de outra maneira.
Nunca mais nada foi igual, mas a vida continua.

O culto dos mortos...

"O culto dos mortos como uma poética da ausência"

... a progressão da campa individual, do jazigo, do 
epitáfio, da estátua e, por fim, da fotografia (relembre-se que a descoberta 
da fotografia — essa nova ilusão da paragem oval e sépia do tempo — é 
contemporânea da revolução cemiterial romântica) deve ser vista como 
uma consequência iconográfica dos novos imaginários, quer estes apontem 
para fins escatológicos, quer se cinjam à memória dos vivos. E, para que a 
simbólica do cemitério (a localização) lhes correspondesse, a materialização 
dos signos exigiu a fixação do cadáver (isto é, um monumento), de modo a 
ser nítida e inequívoca a evocação (a imagem, o símbolo, o epitáfio narrativos) 
e a identificação do ausente (a epigrafia onomástica)(47). Recorde-se que 
a antroponímia é uma forma de controlo social da alteridade do sujeito. 
Não surpreende, assim, que todo o dever de memória tenha de passar pela 
invocação (ou restituição) dos nomes próprios: a nomeação faz sair do 
esquecimento o evocado, renovando-lhe o rosto e a identidade...

Em http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF20/f_catroga_20.pdf (clicar) , de Fernando Catroga

Túmulos de La Fontaine e Moliére, cemitério de Père Lachaise

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Citius a caminho do sítio...


... ou uma caixinha de Pandora?  Porque esta que aqui vos deixo, que de  é de Pedro Pascoinho, um pintor figueirense de que muito gosto, de Pandora não tem nada.
Se a verdade vier ao de cima, a loira Paula, virará ainda mais loira, se possível,  e o sorriso que já exibe de algum contentamento, levá-la à a pensar " uma mão lava a outra e as duas lavam a cara"....
E, injustiçados continuarão os que nele estão envolvidos, os "bons" e os "maus". Afinal não estaremos todos ?
Que a verdade venha ao de cima , como a água quando cai no azeite. Nem sempre acontece. É preciso tirar o quebranto, rezar ao divino espírito santo, uma, duas três... vinte vezes, e aí os maus fluídos desapareçam , para que o caminho se faça caminhando sem dores de cabeça...

a necessidade do pão...

Vision of St Augustine, Sandro Botticelli 

«Para se exercerem as virtudes do espírito é necessário um mínimo de conforto material»

(Santo Agostinho)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

olhares ...

Pintura de  Pedro Pascoinho, 2013
"Tu não és velho! Carregas,  sim, mais anos! E depois? Cumpre a vida até ao fim!"

domingo, 26 de outubro de 2014

Um dos museus mais lindos "da cidade branca", o da Marioneta






Bali, ou a «Ilha dos Deuses», é um mundo de tradições milenares, onde hinduísmo, budismo e antigas crenças dos povos indígenas se misturaram ao longo dos séculos, criando uma forma de vida ímpar, uma cultura única, original e viva.

Com a exposição «Quando os Deuses visitam Bali», o Museu da Marioneta apresenta ao público objectos do quotidiano e dos rituais de Bali: jóias, esculturas, tecidos e máscaras Topeng. Topeng é um teatro dançado, musicado e com máscaras, que relata episódios históricos e míticos de Bali. Ao mesmo tempo sério e cómico, sagrado e profano, no teatro Topeng os aspectos satíricos não alteram a sua dimensão ritualista.

A maioria das peças em exposição pertence à colecção Francisco Capelo; estarão ainda expostas algumas peças emprestadas pelo Museu Nacional de Etnologia.

Concepção museológica do artista plástico, António Viana. 
Inaugurou na quinta feira passada.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

com mais hora menos hora, bom fim de semana

Campo de trigo, de V. Van Gogh, 1888
Cortaram trigos. Agora
a minha solidão vê-se melhor

S. M. Breyner, Soror Mariana, Beja

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

O ministro, o elogio, as desculpas e "o tempo que não tem restituição"...

Uma das cousas de que se devem acusar e fazer grande escrúpulo os ministros é dos pecados do tempo, porque fizeram no mês que vem o que devia fazer no passado; porque fizeram amanhã o que havia de fazer hoje; porque fizeram depois  o que se havia de fazer agora; porque fizeram logo o que haviam de fazer já. Tão delicados como isso hão-de ser as consciências dos que governam em matérias de momento. O ministro que não faz grande escrúpulo de momentos não anda em bom estado; a fazenda , pode-se restituir, a fama, ainda que mal, também se restitui; o tempo não tem restituição alguma.

Padre António Vieira, in Sermão da Primeira Dominga do Advento


segunda-feira, 20 de outubro de 2014