quinta-feira, 14 de maio de 2015

Porque nem todos os esforços chegam a bom porto

Segue, uma declaração de Monet já no fim de sua vida, porque sua existência será eterna, a respeito das “Ninféias”:
“Estas paisagens refletidas tornaram-se para mim uma obrigação, que ultrapassa as minhas forças que são as de um velhote. Mas mesmo assim, eu quero chegar ao ponto de reproduzir aquilo que sinto. E espero que estes esforços sejam coroados de êxito.”

terça-feira, 12 de maio de 2015

Esteban Vicente...


... criador de estados de alma tão diferentes e sombrios...

Vieste como um Barco Carregado de Vento

Vieste como um barco carregado de vento, abrindo 
feridas de espuma pelas ondas. Chegaste tão depressa 
que nem pude aguardar-te ou prevenir-me; e só ficaste 
o tempo de iludires a arquitectura fria do estaleiro 

onde hoje me sentei a perguntar como foi que partiste, 
se partiste, 
que dentro de mim se acanham as certezas e 
tu vais sempre ardendo, embora como um lume 
de cera, lento e brando, que já não derrama calor. 

Tenho os olhos azuis de tanto os ter lançado ao mar 
o dia inteiro, como os pescadores fazem com as redes; 
e não existe no mundo cegueira pior do que a minha: 
o fio do horizonte começou ainda agora a oscilar, 
exausto de me ver entre as mulheres que se passeiam 
no cais como se transportassem no corpo o vaivém 
dos barcos. Dizem-me os seus passos 

que vale a pena esperar, porque as ondas acabam 
sempre por quebrar-se junto das margens. Mas eu sei 
que o meu mar está cercado de litorais, que é tarde 
para quase tudo. Por isso, vou para casa 

e aguardo os sonhos, pontuais como a noite. 

Maria do Rosário Pedreira, in 'O Canto do Vento nos Ciprestes' 

a minha festa do cinema

Ontem e ainda hoje. 
Amanhã logo se verá...
Delícia bilhetes a 2.50 euros.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Palavras leva-as o vento




Vida, cantada e sonhada...

Olha,
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura o rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Seela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na suavida
Olha,
Será que é de louça,
Será que é de éter
Será que é loucura,
Será que é cenário a casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu,
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na suavida

Sim, me leva para sempre Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão,
Para sempre é semprepor um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha,
Será que é uma estrela,
Será que é mentira
Será que é comédia,
Será que é divina a vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se o arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida.

Edu Lobo e Chico Buarque

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ei-los que partem e alguns que chegam

Chegam ao litoral e o horizonte aberto parece uma dádiva. Sobreviveram a guerras, massacres, misérias, trazem uma fome total, de comida, de um lugar acolhedor, de um gesto que não traga mais desdém, hostilidade, perigo. Partiram do nada, numa fuga onde esgotaram todos os recursos que sobravam. Venderam-lhes a promessa de um futuro e embarcaram porque não tinham outra opção. Foram resgatados 5842 homens, mulheres, crianças no Mediterrâneo nos últimos dois dias...
Ana Sousa Dias no DN

5 de maio de 1996...

... foi a um domingo, dia da Mãe e o meu pai resolveu deixar-nos com a mesma calma com que sempre viveu.

e na única forma que tem de acompanhar-te
o meu coração bate

José Tolentino Mendonça

domingo, 3 de maio de 2015

3 de Maio ...

O que me apetece quase todos os dias, mas hoje em particular...
Mimo.


(um símbolo da maternidade... , contudo, aqui ao meu lado,  tenho uma colher de pau para enxotar os pombos que teimam em fazer ninho na minha varanda. )

sexta-feira, 1 de maio de 2015

1º de Maio ou o "Moving Day"

Em Portugal e em outros países, a data escolhida para o dia internacional dos trabalhadores foi, desde logo, associada aos ritos de Primavera. Não admira. A articulação entre a regeneração da natureza e os desejos de regeneração social teria estado na génese da festa cívica moderna. De facto, por mero acaso ou não, já anteriormente o primeiro dia de Maio tinha sido palco de acções populares. E Mona Ozouf demonstrou que a festa da árvore da liberdade, que irrompeu nos inícios da Revolução Francesa, entroncava numa das tradições das "maias" camponesas, embora, na sua nova expressão, o rito constituísse um gesto simbólico de insurreição e de surgimento de um tempo novo. Por sua vez, no Estado de Nova Iorque, o 1º de Maio coincidia com o Moving Day, dia da renovação de alugueres e de contratos de toda a espécie, o que contribuía para a existência de um clima de transformação na sociedade.
Algo de parecido acontecia em Portugal. No Alentejo, os inícios daquele mês era o período das alterações e renovações dos contratos de arrendamento ou da sua quebra; em Lisboa, o do tempo do pagamento das rendas (o outro era Novembro), e o das mudanças nos preços e de domicílio. Em suma, na Primavera, a natureza predisporia os espíritos para aderirem a atitudes de renascimento, rebeldia e optimismo.
Fernando Catroga, O Céu da Memória. Cemitério romântico e culto cívico dos mortos em Portugal (1756-1911), Minerva, Coimbra, 1999, p. 249.


O que Joana Bernardes colocou no mural de A TEXTOS E PRETEXTOS DE FERNANDO CATROGA, no FB.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Um outro olhar ao vivo e a cores...




Exposicão de Arte contemporânea na Coleção de Sindika Dokolo, Galeria Municipal do Porto, Palácio de Cristal.