quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Pensando a nossa querida Republica ja longe de fantasmas. ..

VIRTUDE REPUBLICANA

Cícero (108 a.C. – 62 a.C), no seu Tratado da República, ensinou que um cidadão, para ser virtuoso, teria de cultivar “a justiça e a piedade, que deve ser grande para com os parentes e aderentes, maior ainda deve ser para com a pátria”, nível supremo que se exprimia como serviço (officium) e como preocupação (cultus) pela coisa pública, um género de pietas e de “caritas rei publicae” (Tito Lívio) que não podia ser confundido com a cupidez e com o propósito de se possuir, egoisticamente, o objeto amado. O que ajuda a explicar por que é que, para além da ideia territorial e circunscrita de “pátria” (a “terra dos pais”), a de “pátria comum” reivindicava, antes de tudo, uma justificação ético-cívica sobredeterminadora da Lei e do Direito. Daí que a virtude (virtus) republicana apontasse para um ideal que só estaria realizado quando, no indivíduo, se fundisse a teoria com a prática. Como lembrava o mesmo Cícero (e mais tarde, Maquiavel, com o seu conceito de virtù), não bastava ser “detentor da virtude”, como se “de uma técnica qualquer” se tratasse. É que ela “reside toda na aplicação”, ou melhor ainda, é a governação do Estado (civitas) e a execução, por ações, e não por palavras, “daqueles mesmos princípios que se murmuraram pelos cantos”. Destarte, um homem virtuoso por excelência nunca será o que se mantém “à margem de toda a atividade pública”, como se somente fosse um credor da sociedade, mas será aquele que, sentindo-se igualmente devedor, se mostra disponível para servir a pátria, tornando a cidadania sinónima de empenhamento nos negócios comuns.

Fernando Catroga, Ensaio Respublicano, 2011

domingo, 1 de outubro de 2017

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Bom fim de semana, quase em período de descanso e" reflexão"...

Há quem não tenha dúvidas. Só certezas. Nem que seja por estima e antiguidade na militância partidária. 
Há quem vote num lado a contragosto, só para que o outro , o ganhador, não fique em maioria....
Há os indecisos.... Os que votam em branco. E os que só vão à missa ou nem isso. 

Eu vou votar.


Norman Rockwell (1894-1978), pintura

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Tony Viccaro, fotógrafo de guerra e de imprensa

Belíssimo programa na RTP 2 . 
Este , o documentário que passou.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Portugal, tornou-se a "terra" dos encantos...

Norman Rockwell , Land of Enchantment


Eu abria um pouco os olhos e via a janela cheia de luar
E depois fechava os olhos outra vez, e em tudo isto era feliz



Álvaro de Campos, Ode Marítima

sábado, 23 de setembro de 2017

Em pleno equinócio....




David Hockney, no sei "iped", desenhou o Outono para nós.


Ninguém cheira melhor
                     nestes dias
do que a terra molhada: é outono.


                                    Eugénio de Andrade

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pensamento do dia . Autárquicas.


Twiggi, porque gosto e foi minha contemporânea, um pouco mais velha, mas cujas passadas segui nos cortes de cabelo.
Guardo há muito esta fotografia. Além de bonita, gosto da sua boca de espanto o que lhe acentua mais a expressão de olhar.

Uso-a como metáfora para a pena e alguma tristeza que sinto em relação a alguns concelhos cujas candidaturas me arrepiam e cujas diatribres são públicas outras mais camufladas....
Vivo no concelho de Cascais, tenho Oeiras aqui ao lado e gostaria de ir votar a Lisboa.

"sexygenário", hoje.

Parabéns.

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

"Bom dia!"



O HOMEM DE ABRIL


Eis o homem de Abril.
Nasceu fraco e de pé.
Já fraco fez-se velho.
Fez-se velho a valer.

Sentou-se ao pé de um muro,
Atrás o sol nascia.
Uma rosa rompeu.
Era manhã. Bom dia!

De António Ramos Rosa, do livro Correspondência 1952-1978 entre Jorge de Sena e António Ramos Rosa

Pintura de Costa Pinheiro

terça-feira, 19 de setembro de 2017

"A praxe", nas palavras de João Quadros

A praxe não tem lugar na universidade. Por alguma razão não existe uma cadeira de luta de cães, uma oral em arrotos, ou uma Universidade Zezé Camarinha. A praxe nunca devia ter saído dos quartéis.

“O caloiro é incondicionalmente servil, obediente e resignado”; “não é um ser racional”; “não goza de qualquer direito”. As citações são retiradas de um “Manual de Sobrevivência do Caloiro” que está a ser distribuído, nos últimos dias, por alunos mais velhos aos novos estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).

Do blogue Estátua de Sal (continuar leitura)

Gostei muito. Verdades com humor.
Touro de Falaris, objecto de tortura entre 1500 e 1700