sábado, 16 de junho de 2018

O riso e os seus riscos...


Adicionar legenda
O QUE É RISO?


  " Hobbes afirma que este movimento brusco dos pulmões e dos músculos da face é o efeito da «visão imprevista e bastante clara da nossa superioridade perante outro homem» (Da Natureza Humana). Este contraste, vantajoso para nós, faz com que desfrutemos da nossa própria superioridade. Se a infelicidade de outro homem é tão grande ao ponto de nos levar a pensar que também podemos ser infelizes, então deixa de haver fruição da nossa superioridade e há, pelo contrário, uma visão da infelicidade e o riso cessa.
   O cómico deve ser  exposto com clareza (entendo por cómico tudo  que provoca riso: um gesto, uma palavra, uma expressão). A imagem da nossa superioridade sobre outrem deve pela mais ínfima reflexão ser nítida e rápida. Mas essa superioridade sobre outrem deve ser nítida e rápida. Mas essa superioridade é algo tão fútil e facilmente destrutível pela mais ínfima reflexão que se impõe que a visão nos seja apresentada de uma forma imprevista,
   Eis os únicos limites do riso: a compaixão e a indignação.
   Num estado de indignação, pensamos em interesses mais directos e importantes, pensamos em nós numa situação de perigo."
   
Excerto.  DO RISO: UM ENSAIO FILOSOFICO SOBRE UM TEMA DIFICIL

(

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo António... e um blogue com 10 anos

Desenho do programa das Festas de Lisboa, 1934. Almada Negreiros - (França, José Augusto (1974), Almada o Português sem Mestre. Lisboa: Estúdios Cor).  
Milagre das Bilhas - Uma jovem ia à fonte com a bilha no regaço, buscar água.  Ao chegar, partiu a bilha e ficou a chorar. Santo António apareceu e perguntou-lhe a razão do seu pranto. Cheio de compaixão, Santo António consertou a bilha.


E...


Tronos de Santo António, 1º prémio, 1952. Calçada do Jogo da Péla, freg. Santa Justa -Arquivo Municipal de Lisboa (foto de António Castelo Branco)
Peças de aspecto popular, os tronos, eram executadas por crianças dos bairros antigos de Lisboa, firmados na devoção ao santo. A quem passava, as crianças pediam um tostãozinho para o santo. Vem o costume, segundo se diz, do peditório que em toda a cidade se fez, por altura do terramoto de 1755, para ajudar na reconstrução da sua igreja. 

Foi nos anos 30, do século XX, que Leitão de Barros, orientador desta tradição, fomentou concursos de tronos e de janelas enfeitadas, nos quais colaboravam as colectividades de cada bairro.

Em pleno século XXI, os tronos continuam a merecer a atenção e admiração popular.

Informação DAQUI

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Ser professor....

"Se não morre aquele que escreve um livro e planta uma árvore, com mais razão não morre o educador que semeia vida e escreve na alma."
Bertolt Brecht
Hergé , visto por Lança Guerreiro, 2016

quarta-feira, 6 de junho de 2018

"Monoral" e "Binaural", afinal o que é ? Conversas de João Oliva...

Uma boca dois ouvidos


   "Monoral" e "binaural" bem podiam ser duas palavras para traduzir características anatómicas com que a Natureza brindou, generosa e generalizadamente, as espécies animais e, particularmente, a humana. Mas a primeira, que o autor saiba,não existe, ainda que a segunda, apesar da sua escassa utilização, esteja dicionarizada e se refira, de facto e de forma genérica, à existência de dois ouvidos e, em particular, a técnicas a ela relativas.
   A sua utilização nestas páginas terá, porém, outro significado, embora ainda relacionado com a audição. É que Binaural é também o nome da Associação Cultural, pólo desconcentrado de artes e ideias, que irradia a sua actividade a partir da aldeia de Nodar, no concelho de São Pedro do Sul, distinguida com o prémio Miguel Portea 2013, a propósito do qual o respectivo júri salientou "a qualidade e rigor e a exigência da experimentação de novas linguagens artísticas com um contexto do interior do país, esquecido pelos roteiros habituais das manifestações culturais em Portugal".
   E a relação com os" dois ouvidos" resulta do facto de o seu trabalho de uma década se centrar, embora sem exclusividade, na investigação, criação e divulgação de artes sonoras, uma prática com pouco exercício neste oeste europeu; embora já algum, como se reconhece - a mero título de exemplo e a propósito do simpósio internacional InvisiblesPlaces/ Souding Cities e dos Jardins Efémeros de 2014 e que se integrou - na investigação de Raquel de Castro e no trabalho de terreno de Luís Antero.
  De facto, se a proximidade do espaço rural com a Natureza permite uma depuração das paisagens de som que é indispensável à sua (re)consideração e interpretação, também um desconcentrado horizonte de reflexão evita ruídos, desta vez mentais, que ensurdecedoramente  povoam os media e as modas ( não os modos) de criação artística, sobretudo no que diz respeito às artes contemporâneas experimentais.


Excerto do livro de João Oliva, Artes e ideias da desconcentração
PRÁTICAS CULTURAIS DE OUTROS CENTROS

E, desta, acrescento eu, mesmo da região centro.

Binaural - literalmente significa "possuindo ou sendo relacionado às duas orelhas".
audição binaural, juntamente com a filtragem de frequências, permite aos animais determinar a direção da origem dos sons. É uma técnica de gravação e reprodução sonora bastante interessante, pois, com apenas dois microfones, é possível criar o efeito de som ambiente. Alguns áudios binaurais também são usados em terapias; tais áudios têm o poder para acessar em uma certa frequência o subconsciente humano, podendo alterar coisas no corpo como a liberação de endorfina, também usados para meditação. Para a gravação são colocados dois microfones acoplados à cabeça de um manequim ("dummy head"). Os microfones devem ser colocados na posição das orelhas. A banda Pink Floyd tem um álbum gravado com essa técnica, The Final Cut, bem como a banda Pearl Jam, que gravou um álbum utilizando esta técnica e o batizou com o próprio nome da técnica, Binaura

terça-feira, 5 de junho de 2018

Viva ...

ANTOLOGIA DE GUACHES 1950-2018

Nikias Skapinakis

Fundação Carmona e Costa, Lisboa, até 14 de julho


Não morri... Somente vou andando por aí. Mais desatenta e quase a perder este Mar de vista...

terça-feira, 22 de maio de 2018

Morreu hoje o pintor Júlio Pomar, e com ele o pintar e poemar...

Não é para Contar uma Estória que tu Escreves

          Não é para contar uma estória que tu escreves 
e eu pinto 
nem para nos apontarem a dedo que limamos 
o bico aos pregos no avesso do mundo, nem a terra 
é o centro deste. O universo não usa 
adereços de cena 
nem liga a espelhos. Tem mais que fazer 
que nos copiar e tão-pouco ao fado pois ele é 
velho, não tem dentes, e tresanda 
ao ranço de uma açorda 
salgada e sem coentros. 


Júlio Pomar, in "TRATAdoDITOeFEITO" 

(imagem tirada do Funchal Notícias)

Lisboa nunca mais foi a mesma... Expo 98, 20 anos


"Aqueles foram tempos dos mais entusiasmantes da minha vida e por isso não tenciono ser imparcial neste texto. " (Ana Sousa Dias)
  Eu poderia dizer a mesma coisa.... Fazer uma crónica quase parecida ...
 Passava anos a fio no comboio da Linha do Norte para ir até Coimbra ou Figueira . Era aflitivo o abandono e sujidade daquela zona oriental de Lisboa. 
  Até que surgiu a ideia concreta da Expo 98. Alegria. Uma Expo. Eu que não tinha conseguido ir a Sevilha. Uma eterna "tesa" e com medo do calor.... "Estão verdes, só os cães lá podem chegar", excusava-me eu.

Dava aulas na altura na mais bela escola de Lisboa, de 1990 a 2000 . Dentro do Castelo de S. Jorge. 
Acompanhava as obras. Sempre fui uma "fiscal de obra"... CCB e mais tarde da Expo, sempre por via dos transportes para trabalhar ou trabalhar os afectos a Centro.
Conheci cedo António Costa e Fernanda Tadeu que comigo trabalhou 2 anos na minha Escola. Ele era um jovem a que eu com humor mas também conhecimento, augurava um futuro em grande, como 1º ministro ou PdaR... 
Fernanda dizia-me, "não digas isso, que o meu homem só quer ser Presidente de uma Câmara"... Esta conversa foi talvez em 1991/92. Só ainda não chegou a PR. 
Não queria acreditar que as obras estivessem prontas a 22 de Maio. Passava lá todos os meses. 
  Por ironia, quando houve uma pré inauguração, penso que a 20 de Maio, lá estava eu. António Costa em substituição de António Guterres, então 1º Ministro e acompanhado de sua Fernanda no lugar de 1 dama, fez-me sorrir ou rir a bom rir. Tenho para mim, que só não acerto , por ora , no euromilhões... E jogo. 
Foi tal o meu enamoramento pela Expo , que tirei uma assinatura permanente e sempre que podia, muitas , muitas vezes, saìa da escola, descia Alfama e apanhava o 28 para a Gare do Oriente.
Tentei andar no sentido contrário das multidões. Vi grandes, grandes espectáculos e alguns com o meu jovem filho , que tinha 19 anos na altura e ainda ía prazerosamente aos mesmos espectáculos que eu. Os mais emblemáticos. 
Eu era fascinada com os OLHAROPOS e com APEREGRINAÇÃO. OS TRABALHOS MULTIMÉDIA, deixaram-me de rastos de prazer ... Levei os meus pequenos alunos várias vezes até lá e sei que fui uma cicerone apaixonada , plena de orgulho , fascinada com os jovens que por lá trabalhavam. Não aceitava  uma opinião negativa.
Lisboa, nunca mais foi a mesma. 
  A Gare do Oriente um fascínio. Desagradável, mas eu continuo cliente de S. Apolónia...
A Expo, pode ser como Veneza.... Onde podem começam grandes amores e ir até lá também para os acabar .
Ler AQUI crónica de Ana Sousa Dias

Fotografia de minha mãe, na altura com 70 anos, e sempre vibrante.

sábado, 19 de maio de 2018

com a rtp2 , fico mesmo mais culta e adulta...

Bom domingo a quem passa e queira ficar um pouco ...

bom fim de semana a quem passa

Da ceramista ceramista Isabelle Decencière

PRIMAVERA

Primavera que Maio viu passar
Num bosque de bailados e segredos
Embalando no seio dos teus dedos
Aquela misteriosa maravilha
Que à transparência das paisagens brilha.

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio de um sonho obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar 
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


Poesia, Sophia de Mello Breyner Andersen, ASSÍRIO E ALVIM


sexta-feira, 18 de maio de 2018

"Codigo dos Homens Honestos", leitura breve....

   Nos tempos que correm dinheiro é sinónimo de prazer, reconhecimento, sucesso, inteligência. Esse doce e ambicionado metal pode ser objecto constante de amor e respeito dos mortais, em qualquer idade ou condição social, desde reis a costureirinhas ou de grandes proprietários a emigrantes.
   No entanto, esse mesmo dinheiro, fonte de todos os prazeres, e origem de muitas glórias, também é objecto de todas as ambições e disputas.
   A vida pode ser vista como um contínuo combate entre ricos e pobres, com os primeiros dentro de uma praça-forte, cheia de munições e cercada por muralhas de  de bronze; os segundos observam, avaliam, atacam, derrubam muros e portões, apesar dos fossos e  da  artilharia, raramente os assaltantes, esses cossacos do estado social, saem sempre de mãos vazias.
   O dinheiro subtraído por esses refinados corsários está perdido para sempre. Penso que é uma causa inglória tentar evitar estes rápidos e habilidosos ataques. Neste sentido e com o objectivo mais amplo, de dirigirmos todos os esforços para defender as pessoas honestas, tentaremos retratar as manobras desses hábeis Proteus.

Excerto da Introdução de um texto de Honoré de Balac, publicado em 1825 , teria talvez 25 ou 26 anos