sexta-feira, 8 de março de 2019

O luto e a luta

Escolha de Miguel Cadete, Expresso Curto . Gostei do poema de Cecilia Meirelles para o dia de hoje . 
Atentai , pois.


Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.
Está vendo os salões que se acabaram, 
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Dia de Luto

"A situação “brutal e arrasadora” que ainda existe nas famílias portuguesas. E não, não é só de violência doméstica que se trata"

Expresso Diário de 6-03-2019 AQUI


sábado, 16 de fevereiro de 2019

Bruno Ganz , 1941 -2019


“Se o homem fosse um animal ou um anjo, não sentiria angústia. Mas, sendo uma síntese, angustia-se. E tanto mais sente a angústia, quanto mais humano for.”
Soren Kierkegaard, O Conceito de Angústia

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

sábado, 2 de fevereiro de 2019

"os poemas maiores" , Cesariny

passagem de emile henri

Era no tempo da palavra papel
da pluma bem comida lançando ideias de justiça aos chineses
da espingarda de ar podre ao ombro de cada um

Depois de ver com os seus próprios olhos como é que o ratazana toma o seu chazinho
Emile Henri
escritor da literatura da dinamite
lança a segunda bomba à porta do Café Términus
dado que: da má distribuição da riqueza e das coisas boas da Terra
TODOS SEM EXCEPÇÃO TÊM A MÁXIMA CULPA

Mario Cesariny

Fotografia de Robert Doisneau

Emile Henri,  foi um anarquista francês responsável por dois atentados a bomba, o mais notório destes no Café do Hotel Terminus, na Gare Saint-Lazere , Paris .
26 de setembro de 1872, Barcelona, e morreu em 194 em Paris

Fevereiro proverbial



Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.

Óleo de Van Gogh

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

O olhar dos outros




Fotografias guardadas na minha pasta, surripiadas auma amiga do FB que já não está entre nós . 

domingo, 27 de janeiro de 2019

Crianças , pela mão de Eugénio de Andrade

Em Louvor das Crianças

Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. 
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. 
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus. 


Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'